Melhor que a encomenda

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 09 de agosto de 2018

Para pensar:

“Não há covardia mais torpe que a covardia da inteligência, a burrice voluntária, a recusa de juntar os pontos e enxergar o sentido geral dos fatos.”

Olavo de Carvalho

Para refletir:

“Se o vento soprar de uma única direção, a árvore crescerá inclinada.”

Provérbio chinês

Melhor que a encomenda

Diante de tudo o que se passou ao longo do último fim de semana, era evidente que a sessão da Câmara Municipal nesta terça-feira, 7, seria agitada.

Mas acabou sendo bem melhor do que o esperado, para um dia que reservou pouco tempo a discursos e ainda restringiu suas temáticas.

Vejamos, por exemplo, o que nos diz o vereador Maguila.

Aspas

“Teve algum trâmite errado na questão administrativa, na questão burocrática de dentro do governo, por até questões pessoais, eu admito, porque a gente tem observado isso. E quando eu falo de questões pessoais eu estou falando dos dois lados. Do lado que foi tanto falado aqui, do outro também. Porque também eu não acho certo um membro do governo expor documentos internos do governo para a imprensa. Não sei quem foi, mas foi alguém [que] tinha o documento na mão. Eu também não acho certo isso. Isso é falta de lealdade, então a gente tem que apurar isso direitinho quem foi. E quem foi não pode estar no governo, porque se é cargo de confiança tem que ser confiável.”

Óbvio

Bom, vamos começar pelo óbvio, não é?

É claro que o vereador se refere a esta coluna, mais especificamente à publicação, na edição daquele mesmo dia, do memorando que a Procuradoria enviou à Secretaria de Governo em junho do ano passado, cobrando as medidas necessárias à renovação da concessão de transporte coletivo.

Portanto, a questão diz respeito a todos nós.

Incomoda

Fica evidente, neste discurso - o qual pode ser visto no YouTube (http://youtu.be/aZMBCGxawBA) – que o vereador entende que a divulgação de informações para a imprensa é algo digno de exoneração (fala a partir do 34º minuto).

O vereador Maguila - junto a outros que só têm falado nos bastidores - deixa claro que, se dependesse dele, os leitores não poderiam ter ficado sabendo que o responsável direto pelas concessões municipais tinha pleno conhecimento a respeito dos prazos que precisava respeitar, e ainda assim deixou a situação chegar ao ponto que chegou.

Deixar que a população tenha acesso a essas informações, vejam só, é “falta de lealdade”.

Confiança

É de se notar também o uso da palavra “confiança”.

De acordo com o vereador, não é confiável quem passa informações - verdadeiras, frise-se - à população.

O nomeado, portanto, deve ser “confiável” aos olhos de quem o nomeia, e não aos cidadãos aos quais presta serviços e que efetivamente pagam seu salário.

Troque confiável por cúmplice e o sentido não se altera.

É uma pérola atrás da outra.

Melhor parte

Mas o melhor mesmo é quando o vereador admite que o “trâmite errado” se deu por “questões pessoais”.

Por trâmite errado o leitor entenda a forma como a Procuradoria foi contornada durante a elaboração do aberrante PLO 430/18, induzindo o prefeito em exercício a erro, e ferindo a Lei Orgânica num só golpe.

Obrigado!

Ora, ora, essa declaração é mais reveladora do que o próprio documento publicado!

À coluna só resta agradecer ao vereador pelo esclarecimento, porque, para alguém que se declara contrário a passar informações à imprensa, ele ajudou e muito, através do brilhantismo de sua retórica, a colocar de vez os pingos nos is em relação a tudo o que aconteceu.

Se restavam dúvidas, sabe-se agora que foi tudo deliberado.

E essa?

O discurso poderia ter parado por aí, mas ele continua e nos traz ao menos mais um ponto digno de nota.

Afinal, o vereador diz que “do outro lado” também houve motivações pessoais, para em seguida dizer que não sabe sobre quem está falando.

Uai, e essa agora?

Ora, se não sabe, então pediu a cabeça do cidadão de forma leviana.

E se sabe, então faltou com a verdade ao dizer que não sabe.

Preguiça de pensar

Logo em seguida o vereador Professor Pierre deixou claro que foi ele quem passou os documentos à imprensa, mas, cá entre nós, isso era meio óbvio, não é?

Afinal, o memorando está em posse da Procuradoria há 14 meses, e só foi publicado no dia seguinte ao vereador ter tido acesso a ele.

Bastaria um pouco de raciocínio para ligar os pontos e assim ter passado uma vergonha a menos...

Perdidos

O episódio deixa claro que, para muitos agentes públicos que preferem atuar longe dos olhos da população, resta a crença de que seria possível calar a imprensa encontrando uma ou duas de suas fontes.

Bem se vê que ainda não entenderam nada.

Teia

Sejamos mais claros, portanto: quando pessoas sérias testemunham situações erradas, elas naturalmente querem que a população saiba o que se passa.

Ainda tem muita gente preocupada com interesses públicos, e essa é uma rede com a qual é preciso conviver.

No fim, vale o ditado: se não quer que ninguém saiba, não faça.

Fala, leitora!

“Caro Massimo, gostaria de aproveitar o espaço que a coluna dá aos leitores para me dirigir à Faol, e solicitar mais horários para os bairros São Jorge e Três Irmãos, especialmente a partir das 9h, quando os ônibus se tornam mais raros. Tenho a certeza de que falo em nome de muitos usuários que estão se deslocando a pé até Conselheiro para pegar condução rumo ao Centro.”

Como sempre, espaço aberto à concessionária, para qualquer manifestação.

Imperdível

Bom, depois de temas tão pesados, nada melhor do que encerrar a coluna com uma notícia muito positiva.

Até o próximo dia 20, os alunos do Centro de Capacitação e Atendimento Educacional Especializado Público Neusa Goulart Brizola terão seus quadros de pintura em tela expostos na Câmara de Vereadores de Nova Friburgo.

A exposição “Nova Friburgo sob um olhar especial” faz parte das ações da rede municipal de ensino em comemoração ao bicentenário do município.

Muito especiais

As obras abordam a cidade e seus principais pontos turísticos, e entre os trabalhos expostos há telas de alunos com deficiência visual e auditiva.

Os quadros começaram a ser feitos em março deste ano sob a coordenação da professora de atendimento educacional especializado, Rita de Cássia Pereira Gomes.

A exposição conta com o apoio do Colégio Anchieta, que emprestou os cavaletes para exibição das telas.

Oportunidade

Os trabalhos expostos poderão ser adquiridos por apenas R$ 5 e a renda será revertida em prol Escola Neusa Brizola.

As demais fotos que ilustram a abertura da exposição, que contou com a presença do presidente da Câmara, Alexandre Cruz, do secretário de Educação, Renato Satyro, e do presidente da Comissão de Educação da Câmara, Norival Espíndola.

Na inauguração

Em uma das fotos vemos alunos e a direção da escola.

Em outra, da esquerda para a direita, Alexandre Cruz; Carla Campos (coordenadora de Educação Especial da Secretaria de Educação); Regina Célia  dos Santos Schimidt (diretora da Neusa Brizola) e Renato Satyro.

  • Foto da galeria

  • Foto da galeria

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