Blogs

O ano já tinha começado

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Todo ano eu ouço a mesma frase: “Depois do Carnaval eu começo”. Como se janeiro e fevereiro fossem uma espécie de prólogo da vida, um tempo em que nada conta muito. Um intervalo tolerável para adiar decisões, planos e responsabilidades. O problema é que, quando o Carnaval passa, a sensação não é exatamente de começo. É de atraso.

Todo ano eu ouço a mesma frase: “Depois do Carnaval eu começo”. Como se janeiro e fevereiro fossem uma espécie de prólogo da vida, um tempo em que nada conta muito. Um intervalo tolerável para adiar decisões, planos e responsabilidades. O problema é que, quando o Carnaval passa, a sensação não é exatamente de começo. É de atraso.

Enquanto as pessoas empurram o ano com a barriga, o calendário segue implacável. O trabalho não espera, os prazos não entram em clima de folia, as contas continuam chegando. A vida não suspende o expediente só porque tanta gente resolve tratar os primeiros meses como aquecimento.

O pós-Carnaval tem algo de interessante, na minha percepção. Ele traz lucidez. De repente, março chega com cara de cobrança. Não porque algo novo começou, mas porque finalmente percebemos que já deveríamos estar em movimento há algum tempo.

Talvez a gente goste tanto dessa ideia de “ano que começa depois” porque ela nos dá um álibi confortável. Um motivo socialmente aceito para não fazer agora. Para não decidir, não mudar, não enfrentar. Afinal, “ainda é começo de ano”. Só que o tempo não reconhece esse acordo informal. Ele passa do mesmo jeito.

O ano começa quando a rotina volta, mesmo sem entusiasmo. Quando a motivação falta, mas a gente vai assim mesmo. Quando entendemos que mudança raramente vem com empolgação — quase sempre vem com disciplina, constância e um certo cansaço no meio do caminho.

Depois do Carnaval não é recomeço. É espelho. Ele mostra o que ficou pendente, o que foi adiado, o que continua exatamente no mesmo lugar. E isso incomoda, porque tira da gente a fantasia de que ainda dá tempo de começar “direito”.

Se o ano já começou, a pergunta não é mais “quando eu vou começar?”, mas “como eu vou seguir daqui pra frente?” Sem culpa pelo que ficou para trás. Sem promessas grandiosas demais. Apenas com a consciência de que adiar a própria vida nunca foi uma estratégia muito inteligente.

Depois do Carnaval, o ano não começa. Ele continua. E cabe a nós decidir se vamos apenas correr atrás do tempo, ou finalmente caminhar junto com ele. É isso, o ano já tinha começado. A questão é quando a gente resolve acompanhar.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

No topo

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Helena Barroso fatura o bicampeonato sul-americano de jiu-jítsu

Ela segue brilhando e escrevendo a sua história recheada por conquistas, pódios e muito brilho no tatame. A friburguense Helena Barroso se sagrou bicampeã sul-americana IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation), em competição realizada no Velódromo Olímpico do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste carioca. A atleta participou de duas lutas, vencendo a primeira por pontuação e a decisão por finalização.

Helena Barroso fatura o bicampeonato sul-americano de jiu-jítsu

Ela segue brilhando e escrevendo a sua história recheada por conquistas, pódios e muito brilho no tatame. A friburguense Helena Barroso se sagrou bicampeã sul-americana IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation), em competição realizada no Velódromo Olímpico do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste carioca. A atleta participou de duas lutas, vencendo a primeira por pontuação e a decisão por finalização.

“Estou muito feliz com essa conquista. Agradeço a Deus por tudo, pela força, coragem e sabedoria dentro e fora do tatame, agradeço a meus pais que estão sempre comigo me dando todo suporte e a meu professor Yuri Heringer, que esteve na batalha comigo. Agradeço a todos os outros professores e parceiros de treino”, escreveu a jovem em sua rede social.

O Campeonato Sul-Americano de Crianças é um dos eventos mais aguardados para as categorias de base do jiu-jítsu mundial. A competição reúne jovens talentos de diversos países em busca do prestigiado título continental, oferecendo uma estrutura profissional que valoriza a disciplina, o respeito e a evolução técnica dos pequenos atletas. O evento é tratado como uma oportunidade única para as futuras promessas da modalidade vivenciarem a atmosfera de um grande torneio internacional no Parque Olímpico.

Friburguense de nascimento e de coração, Helena ingressou no projeto Jiu-Jitsu Para a Vida, do professor Juramidam Gracie, no distrito de Lumiar, há apenas um ano. A dedicação à rotina de treinos, a técnica e a aptidão para a prática da modalidade logo despertou a atenção do treinador, que a incentivou a federar-se na Confederação Brasileira de Jiu-jitsu e participar de competições de alto rendimento.

A partir de então, a jovem atleta tem disputado diversas competições, e com frequência participa das principais disputas para os competidores da modalidade. A trajetória da atleta, o seu desenvolvimento e os desafios e competições podem ser acompanhados pelas redes sociais da própria Helena: @helenabarroso_bjj.

 

////////////////////////////////

 

Maior controle

Ministério do Esporte vai bloquear repasses de loterias a entidades esportivas irregulares

O Ministério do Esporte aprimorou os procedimentos administrativos relacionados ao repasse de recursos das loterias a todo o sistema esportivo nacional. Com os ajustes, as entidades esportivas devem cumprir requisitos como regularidade fiscal, regras de governança, transparência administrativa e prestação de contas para receber os recursos de loterias e apostas. Trata-de da portaria MESP 06, do último dia 11, que organiza e formaliza o fluxo de comunicação institucional com a Caixa Econômica Federal sobre a regularidade das entidades aptas a receber o financiamento público.

A medida não cria novas exigências nem altera critérios legais para o repasse de recursos. Isso porque as condições de regularidade e certificação já estão previstas em lei e sempre foram obrigatórias para que confederações, federações e demais organizações esportivas tenham acesso a recursos públicos, inclusive os provenientes de loterias, prognósticos e apostas.

No entanto, o novo normativo padroniza a forma como as informações sobre a situação das entidades são compartilhadas entre a Diretoria de Certificação do MEsp e a instituição financeira responsável pela operação dos repasses. Até então, embora a obrigação legal de controle já existisse, não havia uma norma específica que definisse com clareza os procedimentos administrativos e o fluxo formal de comunicação.

Na prática, a portaria estabelece critérios objetivos para essa troca de informações e define prazos, formato e conteúdo mínimo das comunicações oficiais, além de garantir o registro sistematizado de todos os atos administrativos. O objetivo é ampliar a rastreabilidade das decisões, evitar falhas ou atrasos na circulação de informações e assegurar maior segurança jurídica na execução dos repasses.

O acompanhamento da regularidade das entidades esportivas já é permanente. Segundo a pasta, nenhum pagamento é realizado quando há identificação de inconsistências.

  • Foto da galeria

    Bicampeonato foi alcançado com sequência perfeita de lutas no Rio de Janeiro (Foto: Instagram / Helena Barroso)

  • Foto da galeria

    Helena também faturou o Rio Summer, em janeiro, lutando com adversária duas faixas etárias acima da sua (Foto: Instagram / Helena Barroso)

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Abre alas

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

“Ô abre alas que eu quero passar”, já dizia a marchinha de Carnaval de Chiquinha Gonzaga, criada em 1899.

Abrir passagem para plumas, paetês, confetes, serpentinas, alegria, encontros, gargalhadas, emoções, superação, criatividade em uma mistura de povos, onde a tristeza dá trégua por um breve instante e um mundo de fantasia passa a fazer parte durante alguns dias.

Me faz lembrar dos meus carnavais na infância, adolescência e juventude.

“Ô abre alas que eu quero passar”, já dizia a marchinha de Carnaval de Chiquinha Gonzaga, criada em 1899.

Abrir passagem para plumas, paetês, confetes, serpentinas, alegria, encontros, gargalhadas, emoções, superação, criatividade em uma mistura de povos, onde a tristeza dá trégua por um breve instante e um mundo de fantasia passa a fazer parte durante alguns dias.

Me faz lembrar dos meus carnavais na infância, adolescência e juventude.

Os biquínis que aprendi a bordar com minha mãe, as fantasias de She-ha, boiadeira e ciganinha para pular nas matinês da SEF e do Country Clube, a minha inesperada saída na ala de passista mirim da escola Alunos do Samba, após ser convidada pela minha fantasia a poucos minutos do desfile começar, a concentração do Bloco Dragões Alcoólatras, na Avenida Campesina, o Bloco dos Malas com sua total irreverência, o Bloco das Piranhas que abria a festa, os carros alegóricos parados após os desfiles, onde subíamos e nos sentíamos parte de uma magia que parecia não ter fim, a farra na Avenida Alberto Braune, os encontros na Rua Portugal para lanchar na Pizzaria Califórnia, o burburinho das escolas perto da minha casa na Rua Leuenroth, a dispersão nas praças Dermeval Barbosa Moreira e Getúlio Vargas, o bailinho no coreto.

São tantas as memórias do Carnaval em Nova Friburgo, que trazem uma singela sensação que passa a ficar indescritível em alguns momentos. O Carnaval traz isso. Um encontro de personagens inusitados, que desnuda, deixando você assumir diversos papéis, inclusive aquele de não querer participar da folia. É um espaço para todos, da forma que vier. Com ou sem máscaras.

É como uma viagem que você não precisa comprar a passagem, apenas escolher se deseja embarcar ou não, sabendo que experiências podem acontecer e transformar algumas percepções que temos da vida. Os dias passam rápido e as cinzas chegam para acalmar, refletir sobre o que passou e ficou. 

Uma combinação que acolhe, que resiste, que transforma, que traz um eu que fica escondido dentro das nossas mais profundas verdades. Mas ali, são evidenciados sem cortinas, onde um novo ser se abre para um palco que traz conforto e paz, onde as verdades secretas são expurgadas em um contexto carnavalesco, acalmando as entranhas que fervilham na vida real. 

Essa manifestação mexe na nossa íntegra, avassala. O batuque do tamborim, a musicalidade, o ritmo que faz os pés e os corpos se moverem em ondas, trazendo uma vivência flutuante, ressalta aquilo que está nos nossos mais íntimos segredos.

Viva! Nessa festividade ou fora dela, seja você. Com suas imperfeições, sentimentos e vontades!

Até a próxima quarta!

……..

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Milhares garantidos

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Partida de College Football mobiliza milhares na capital

O município do Rio de Janeiro está se preparando para receber mais um grande evento esportivo, de uma modalidade que cresce a cada dia mais no gosto dos brasileiros. No dia 29 de agosto, o Estádio Nilton Santos, o Engenhão, receberá uma partida de College Football, e o embate também mobiliza os norte-americanos: universidades do país reservaram 24 mil ingressos.

Partida de College Football mobiliza milhares na capital

O município do Rio de Janeiro está se preparando para receber mais um grande evento esportivo, de uma modalidade que cresce a cada dia mais no gosto dos brasileiros. No dia 29 de agosto, o Estádio Nilton Santos, o Engenhão, receberá uma partida de College Football, e o embate também mobiliza os norte-americanos: universidades do país reservaram 24 mil ingressos.

Do total, 12 mil bilhetes ficaram com cada uma das participantes, Virgínia Cavaliers e NC State Wolfpack, seguindo uma tradição histórica do futebol americano universitário, que prioriza o acesso de estudantes, ex-alunos e torcedores ligados às instituições.

A partida marcará a abertura da temporada regular da modalidade e será apenas o segundo jogo oficial de College Football realizado fora dos Estados Unidos — o primeiro na América do Sul. A expectativa da organização é de que cerca de 20 mil turistas norte-americanos desembarquem na capital fluminense para acompanhar o confronto, gerando um impacto econômico estimado em mais de R$ 400 milhões para a cidade.

Nos últimos dois anos, o Brasil recebeu jogos da NFL em São Paulo, e uma terceira partida da liga já está confirmada para o Rio de Janeiro, também em 2026. Será a sexta vez que uma partida da ACC será disputada fora dos Estados Unidos. O encontro mais recente ocorreu no ano passado, em Dublin, entre Florida State e Georgia Tech. O primeiro registro de um jogo internacional da conferência foi em 1982, quando Clemson e Wake Forest se enfrentaram em Tóquio, no Japão.

Durante a semana do evento, entre os dias 26 e 29 de agosto, estão programadas ações sociais, passeios turísticos e ativações culturais que promoverão o intercâmbio entre os atletas americanos e o público brasileiro.

As universidades americanas transformaram o esporte em um negócio bilionário: juntas, as 75 maiores somam 51,1 bilhões de dólares em valor de mercado. O carro-chefe é o futebol americano universitário, que só perde em audiência para a NFL e supera até a NBA.

Foto da galeria
Casa do Botafogo, Estádio Nilton Santos será palco da partida de College Football (Foto: Divulgação BFR)
Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Papa: mensagem para a Quaresma

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.

Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”

Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.” 

Juntos

O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.

“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”

O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.

“Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”

Fonte: Vatican News

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Prazer, dor e ilusões da infidelidade conjugal

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

A mídia mostrou a triste notícia do assassinato dos filhos praticado por um pai que, em seguida, se suicidou, querendo machucar a esposa que o estava traindo. O homem com quem ela se relacionava era também casado, com filhos e bela esposa. O que leva um homem ou mulher buscar alguém fora do casamento para um relacionamento afetivo e sexual, sendo todos casados? O que a pessoa sente falta no casamento e vai buscar fora? Será falta de atitude saudável, ou de algo que a pessoa deseja exageradamente?

A mídia mostrou a triste notícia do assassinato dos filhos praticado por um pai que, em seguida, se suicidou, querendo machucar a esposa que o estava traindo. O homem com quem ela se relacionava era também casado, com filhos e bela esposa. O que leva um homem ou mulher buscar alguém fora do casamento para um relacionamento afetivo e sexual, sendo todos casados? O que a pessoa sente falta no casamento e vai buscar fora? Será falta de atitude saudável, ou de algo que a pessoa deseja exageradamente? Será falta do que realmente precisa existir no relacionamento, ou motivado por carência afetiva, compulsão sexual e desejo doentio de romance? Será alguém narcisista que não se contentando com a atenção que o cônjuge dá, que pode ser normal, busca mais com alguém lá fora?

A dor de ser traído por alguém em quem a pessoa confiava e por alguém que dizia amar, parece ser uma das piores para um adulto sentir. É devastador para as pessoas normais. Tanto pior é essa dor, quanto mais o traído colocava uma expectativa exagerada de retorno afetivo no companheiro ou na companheira.

Na infidelidade conjugal o traidor fica num tipo de entorpecimento mental diante da fissura pela pessoa com quem tem um caso. Parecido com o efeito de certas drogas sobre a mente. A pessoa perde a razão. Em geral os homens que procuram uma mulher fora do casamento fazem isso por prazer físico, sexual, enquanto que mulheres que procuram um homem fora do matrimônio estão em busca de romance, afeto, atenção. Isso é o mais comum, embora existam variantes. Em quaisquer dos casos, a infidelidade conjugal é um desastre, produz marcas emocionais difíceis de serem curadas, e quando se torna público, atinge várias famílias que sofrem muito, especialmente os filhos do casal.

Na maioria dos casamentos não há carrascos e vítimas, mas duas pessoas que possuem desejos saudáveis misturados com não saudáveis, carências mais complicadas ou menos complicadas, desejo de domínio, submissão disfuncional.

Infidelidade conjugal não é só enganar o cônjuge, mas é também autoengano. Quem se envolve nisso cai na ilusão de que o amante é melhor do que o cônjuge. Talvez seja mesmo melhor em algum aspecto. Mas será melhor em tudo? E quem trai é melhor em tudo do que seu próprio cônjuge?

Para a mulher que foi traída, a dor é maior se seu marido se apegou afetivamente à rival, não sendo só algo carnal, porque a mulher vivencia como mais significativo o lado afetivo do relacionamento. Por outro lado, para um homem traído, o mais doloroso é se sua esposa teve sexo com o rival, ou seja, quando ela entrega seu corpo para outro homem. Isto gera ameaça na masculinidade no traído, deixando-o com dolorosos sentimentos de humilhação, depreciação de si e inferioridade.

O cônjuge que traiu, agora precisará tolerar a angústia da culpa e esperar pelo tempo necessário para curar a ferida do relacionamento. Isto pode significar que terá que enfrentar solidão e angústia não só pela presença da culpa, como pelo fato de que seu cônjuge poderá ficar não afetivo, não para fazê-lo sofrer ou por vingança, mas porque a confiança foi quebrada, o que requer um tempo, às vezes mais longo do que ambos gostariam para terminar a dor e a distância afetiva.

O paradigma da filosofia pós-moderna capenga é: se dá prazer, então tudo vale! Mas a pessoa em processo de amadurecimento tem como base filosófica da existência a crença de que o sentido da vida e o prazer real vêm por ser útil para o que é ético, verdadeiro, para o afeto saudável.

Você é ideal para seu esposo? Você é ideal para sua esposa? A resolução da infidelidade precisa de perdão, promessa e cumprimento de não mais praticar qualquer tipo de traição, e tempo para a cura da ferida pessoal, difícil de cicatrizar. O traído deve viver sua dor, experimentá-la, expressá-la e finalmente deixá-la ir.

_______

Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com

www.youtube.com/claramentent

Instagram @claramentent

Tik-Tok claramentent

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A VOZ DA SERRA sabe o valor da sua credibilidade

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

A charge de Silvério me fez embarcar lá pelos anos de 1998, quando minha filha caçula tinha perto de seis anos de idade. A campanha “Se beber, não dirija” circulava intensamente nos meios de comunicação. Pois bem: certo dia, tia Maria Luiza viu Fernanda bebendo refrigerante, antes do almoço. Foi o bastante para titia ralhar: “Para de beber, garota!” – E a garota, mais do que depressa: - O que é que tem isso? Eu não vou dirigir!! (Rimos muito, porque criança leva tudo ao pé da letra).

A charge de Silvério me fez embarcar lá pelos anos de 1998, quando minha filha caçula tinha perto de seis anos de idade. A campanha “Se beber, não dirija” circulava intensamente nos meios de comunicação. Pois bem: certo dia, tia Maria Luiza viu Fernanda bebendo refrigerante, antes do almoço. Foi o bastante para titia ralhar: “Para de beber, garota!” – E a garota, mais do que depressa: - O que é que tem isso? Eu não vou dirigir!! (Rimos muito, porque criança leva tudo ao pé da letra).

Na verdade, a campanha jamais saiu da mídia e Silvério, sempre oportuno em seus traços e ideias, estampou a frase, alertando sobre a responsabilidade com o lema “Se beber não dirija”, pois são três coisas que não combinam: folia, bebida e direção. Os “anjos” tentam interceder, mas nem sempre os condutores de veículos escutam a voz do bom senso. Como sempre gosto de afirmar, a charge é direta, objetiva e tem, além de tudo, um traço educativo, preventivo e de grande alcance. Basta interpretar e o recado está dado.

Assim como o Natal, a folia de Momo é uma construção de memórias afetivas. Em minha casa de infância, o período carnavalesco era preparado com entusiasmo e seriedade. Meus pais tinham o carnaval na mais alta             relevância e os preparativos iam desde as fantasias que mamãe costurava nas altas horas da madrugada até os roteiros que iriamos percorrer pela cidade. Confetes, serpentinas e espirradeiras faziam a nossa alegria. Eu e meu irmão   fomos holandeses, soldadinhos, piratas e tudo o mais que a imaginação de meus pais concebia. Era um carnaval tamanho família!

Naquele tempo de meus pais era preciso mesmo idealizar e preparar a fantasia com o requinte das costuras e bordados, tudo bem delineado, sem improvisos de última hora. Ao contrário do que acontece na atualidade, quando se tem a facilidade de “montar um look para a folia com até R$ 50”. A estagiária Isabella Rodrigues trouxe dicas valiosas para os mais incríveis “improvisos”, pois “no Carnaval, mais importante do que gastar muito é se divertir”. Tudo vale a pena, porque a alma do Carnaval é infinita.

Uma novidade pra lá de interessante, que incentiva a reciclagem, é a utilização de máquinas para amassar latinhas, instaladas nos locais da folia. O objetivo desse projeto é “facilitar o trabalho dos catadores nas áreas de maior concentração de foliões”. Da maneira como tem feito calor, o consumo tem sido muito produtivo para quem faz essas coletas. A cerveja, por exemplo, é responsável pelo grande volume de latinhas, embora os refrigerantes sejam bem consumidos também. Mas, a vantagem da cerveja é que faça chuva ou faça sol, frio ou calor, a bebida “desce” muito bem.

Enquanto o folião se diverte, a criançada corre e a multidão segue o curso das batucadas, a limpeza urbana não brinca em serviço. “69 profissionais atuam na varrição, equipados com 31 contêineres e varrição mecânica, retroescavadeira, caminhões e veículos de suporte”. É mesmo um “bloco” nossa uma cidade limpa o ano inteiro.

O Bloco Companhia Arteira tem feito bonitas produções teatrais em nossa cidade. No Carnaval, seu grupo de teatro prestou homenagem a diversos ícones das artes friburguenses. Álvaro Ottoni, Raquel Nader, Daniela Santi, Nelmo, Julio Cezar Seabra Cavalcanti, o Jaburu, Carlito Marchon, Marcelo Guerra, Paulo Carvalho, Adriane Salomão e Jorge Miguel Mayer são alguns de seus homenageados. O enredo do carnaval dos “arteiros” é sempre um sucesso. Este ano cheio de saudades e lembranças com uma constelação repleta de estrelas no céu dos iluminados . Parabéns, Companhia Arteira!...

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Papa: mensagem para a Quaresma

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

 

Escutar

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.
Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.
 
Escutar
Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.
Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”
 
Jejuar
Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.
No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.
Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.
“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”
Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.” 
 
Juntos
O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.
“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”
O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.
“Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”
 
Fonte: Vatican News
Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Marchinhas de carnaval e literatura, uma mistura criativa

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

No carnaval, a literatura sai do papel e ganha várias expressões no movimento das ruas, que contam histórias de diferentes maneiras, seja nas fantasias, nas máscaras, nas marchinhas, através da cantoria dos blocos, nos desfiles das escolas de samba. Muitos brasileiros que guardam poesia na alma gostam do carnaval.

No carnaval, a literatura sai do papel e ganha várias expressões no movimento das ruas, que contam histórias de diferentes maneiras, seja nas fantasias, nas máscaras, nas marchinhas, através da cantoria dos blocos, nos desfiles das escolas de samba. Muitos brasileiros que guardam poesia na alma gostam do carnaval.

Para os escritores modernistas brasileiros, as marchinhas têm a voz do Brasil. Mário de Andrade as considerava como uma forma de literatura oral. Já Oswald de Andrade as considerava como uma poesia curta, irônica e direta. Sob o disfarce da folia carnavalesca, seus compositores se utilizam do duplo sentido para criticar a vida social. Através de uma linguagem livre e popular, são consideradas crônicas musicais de cunho social e político. Como estão situadas em determinadas lugares e épocas, são consideradas um registro histórico relevante ao guardarem a memória social e política do país. Há quem as considere como uma revista da vida nacional.

As marchinhas surgiram no Rio de Janeiro, no final do século XIX e receberam influências das marchas portuguesas. A primeira foi composta por Chiquinha Gonzaga, em 1899, para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro, aquela que todos já cantaram e dançaram: “Ó abre alas”. Foi somente no século XX, entre os anos de 1920 e 1960, que atingiram o auge da popularidade, a época de ouro do carnaval brasileiro. O nome marchinha foi inspirado na marcha dos soldados, dado que a batida é similar à fanfarra militar, comum aos desfiles cívicos.

Com o sucesso, vários compositores criaram letras e músicas, como a “As pastorinhas” de Braguinha e Noel Rosa, gravada no final de 1937, “Mamãe eu quero”, composta por Vicente Paiva e Jararaca, em 1937, “Allah-lá-ô”, de Haroldo Lobo e Nássara, lançada em 1941. Dentre tantas outras, as marchinhas possuem ritmo acelerado e contagiante, letras simples, curtas e fáceis de gravar. Além de serem bem-humoradas, possuem uma temática variada, como o amor, situações cotidianas, ironias, vida doméstica, serviços urbanos, costumes e fatos da atualidade. São consideradas expressões literárias, especialmente no gênero literatura popular, oral e lírica.

Quem se esquece das letras e do ritmo das marchinhas de carnaval? Elas passam pelos anos e ficam na memória de todos, especialmente dos que um dia já foram foliões. Mesmo compartilhando espaço com os sambas-enredo, nunca pararam de ser compostas e animar os blocos de rua.

Deixo, então, com vocês, a letra da “Ô abre alas”, que expressa a abertura do espaço para a alegria, a liberdade e a celebração coletiva do carnaval.

Ó, abre alas, que eu quero passar

Eu sou da Lira, não posso negar

Eu sou da Lira, não posso negar

 

Ó, abre alas, que eu quero passar

Rosa de Ouro é que vai ganhar

Rosa de Ouro é que vai ganhar

(...)

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Estrada Parque: estratégia para a conservação sustentável

sábado, 14 de fevereiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto de capa
Estrada parque APA Rio Tietê Itú SP (Prefeitura de Itu-SP)

Vivemos em sociedade e principalmente em núcleos urbanos que tendem a crescer e se adensar. Mesmo com todas as facilidades e serviços de cada núcleo, é cada vez maior a necessidade de conectividade e deslocamento entre esses núcleos para diversas atividades como trabalho, utilização dos serviços de saúde, turismo, lazer, etc. Fomos nos acostumando a um padrão de deslocamento próprio dos nossos tempos: velocidade, poluição, congestionamentos e infelizmente, acidentes.

Vivemos em sociedade e principalmente em núcleos urbanos que tendem a crescer e se adensar. Mesmo com todas as facilidades e serviços de cada núcleo, é cada vez maior a necessidade de conectividade e deslocamento entre esses núcleos para diversas atividades como trabalho, utilização dos serviços de saúde, turismo, lazer, etc. Fomos nos acostumando a um padrão de deslocamento próprio dos nossos tempos: velocidade, poluição, congestionamentos e infelizmente, acidentes.

Na época em que as áreas rurais ficavam distantes dos núcleos urbanos o amortecimento proporcionado pela transição entre uma e outra região se dava de forma gradual, minimizando os impactos decorrentes desse fluxo voraz dos deslocamentos rápidos e massivos.

Hoje sabemos que em áreas protegidas da natureza, sejam ou não uma Unidade de Conservação, a consciência das pessoas, os cuidados espontâneos, a preservação desses ambientes naturais nem sempre ocorre como deveria e podemos dizer que raramente ocorre com os cuidados absolutamente necessários à preservação da fauna e flora local, com o atropelamento de animais cada vez mais frequentes, desleixo com o lixo, poluição sonora e introdução de espécies exóticas e até invasoras na nossa Mata Atlântica.

Em áreas protegidas como uma APA (Área de Preservação Ambiental) as estradas também cortam o seu interior trazendo os seus benefícios, mas infelizmente trazendo também todos os prejuízos possíveis daí decorrentes, por não haver os cuidados necessários com o ambiente. Ao invés do desenvolvimento sustentável desejável, temos o desenvolvimento que degrada o ambiente de forma irreversível. Com isso, a perda progressiva da nossa biodiversidade e os impactos ambientais que levam às mudanças climáticas vão se agravando e aos poucos vamos nos aproximando do ponto de não retorno às condições mínimas de sobrevivência do planeta.

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) estabeleceu as diversas formas de áreas protegidas e a sua classificação. É um sistema muito funcional e tem servido de modelo para os diversos sistemas estaduais e municipais com as adequações devidas. Isso não significa que não pode ser aperfeiçoado e certamente será.

Uma das possíveis modificações futuras poderá ser a introdução das “Estradas Parque” como unidades de conservação lineares. Muitos já ouviram falar desse conceito, mas sua aplicação ainda é muito incipiente pois frequentemente somos levados a crer que a criação de uma Unidade de Conservação, seja de proteção integral (mais restritiva) ou de uso sustentável (que permite as atividades econômicas), onde normalmente essas estradas estão, bastassem para cumprir essa função. Infelizmente não é bem assim.

Há necessidade permanente de ações complementares e a Estrada Parque é uma delas.

Por que uma Estrada Parque?

“Existem duas formas de mitigar os impactos causados pelas estradas na vida selvagem. Uma delas é modificando o comportamento do homem, por meio do controle de velocidade, utilização de sinalizações e luzes, e a outra é modificando o comportamento dos animais por meio de alterações na estrutura dos habitats. As maneiras de mitigar esses impactos são: construir passagens de fauna, proibir a exploração madeireira, fechar estradas em áreas que possuam importância ecológica, utilizar técnicas que diminuam o ruído, fazer com que o trânsito ocorra prioritariamente nas vias primárias e melhorar as condições dos veículos, das pistas e do tráfego.

Estudos mostraram que a construção de passagens de fauna e a implantação de sinalizações alertando sobre a presença de fauna no local podem ser métodos que minimizam os impactos das estradas na vida silvestre” (“Estradas Parque: de categoria de área natural protegida à ameaça aos parques nacionais na América Latina-Revista Tecnologia e Sociedade-Maysa Helena de Freitas Pinto, Geraldo Majela Morais Sávio e outros). Portanto, medidas educativas e restritivas são necessárias e complementares. Para atingir os objetivos de preservação não podemos abrir mão de nenhuma dessas medidas, para, como dito acima, mitigar os impactos causados pelas estradas num ambiente natural.

Muito se tem debatido sobre o conceito de Estrada Parque em todo o planeta, em parte pela grande diferença das características das localidades onde se implantam, desde locais exclusivos de belezas cênicas, locais de alguma produção peculiar como as vinícolas, locais que já estejam sob proteção por medidas mais restritivas, etc. São áreas de interesse público que buscamos proteger por diversas formas. A Estrada Parque vem  se somar a essas iniciativas, inclusive como proposta na Revisão do Plano Diretor de Nova Friburgo em debate, e na Revisão do Plano de Manejo da APA Macaé de Cima, onde poderá servir como novo tipo de Zoneamento, com sua incorporação no cenário da preservação ambiental organizada do município.

No Estado do Rio o decreto 40.979/2007 e a lei 6.371/2012 regulam as Estradas Parque

“Considera-se estrada parque a via automotiva que, inserida no todo ou em parte em unidade de conservação da natureza, possua características que compatibilizem sua utilização com a preservação dos ecossistemas locais, a valorização da paisagem e dos valores culturais e, ainda, que fomentem a educação ambiental, o turismo consciente, o lazer e o desenvolvimento socioeconômico da região onde está inserida”.

Que benefícios trará a Estrada Parque?

Uma Estrada Parque ao ser implementada deve ser debatida com a população direta e indiretamente envolvida, com audiências públicas e reuniões locais e setoriais, acompanhada de uma campanha de esclarecimento sobre os benefícios de tal iniciativa, pois com a sua implantação espera-se o fomento às atividades turísticas e consequente implemento às demais cadeias produtivas locais com o incentivo à participação de todos os envolvidos, como comerciantes, donos de pousadas, airbnb, hotéis, restaurantes, guias turísticos, gestores ambientais e de áreas de atrativos turísticos, profissionais de transporte, prestadores de serviços, etc.

Os benefícios podem ser muito relevantes para a população local, quando organizados e coordenados de forma racional para o melhor aproveitamento do potencial de cada uma das atividades. Um Conselho Gestor participativo tem a função de exercer essa tarefa.

Estrada Parque: estrada boa

Uma das consequências benéficas naturais da implantação de uma Estrada Parque é a necessária e fundamental manutenção das vias de acesso e da própria estrada, de forma a torná-la transitável com conforto e segurança por todo o ano, para cumprir adequadamente os seus propósitos, além de obviamente servir à população local com a merecida dignidade e com eficácia.

Com uma sinalização padronizada, portais de entrada, pontos de observação de atrativos turísticos, passarelas aéreas e subterrâneas para a passagem de animais, limitadores de velocidade, placas informativas, etc., poderá ser feito um trabalho de conscientização e educação ambiental, garantindo e incrementando a sustentabilidade local. Devemos ter em mente que só com o turismo sustentável, ordenado e disciplinado é que a preservação do meio ambiente poderá ocorrer.

Ao trafegar por uma Estrada Parque o motorista, cumprindo as exigências restritivas, além de proteger o ambiente e guiar com maior segurança para si, para seus familiares e para a população local, além da proteção da fauna tão vulnerável, esse motorista e sua família ao adentrar nesse ambiente, encontrará o equilíbrio e paz necessários para uma visita e deslocamento com maior tranquilidade e harmonia, que é o que se busca e o deve ser encontrado numa área de natureza.

Uma Estrada Parque faz de uma via, um simples caminho, uma região viva e orgânica trazendo grandes benefícios para a sociedade.

No próximo artigo falaremos de como transformar esse conceito em realidade.

“Transformar é caminhar,

com ternura, com olhar.

O planeta é nossa morada,

e o amor... a nossa estrada”

Jacylene Ramos Penedo

Assista nossa entrevista de 28-01-2026 na Rádio Comunidade, Programa Momento Cidade: https://youtu.be/vUaQa37u5-4

Gostou do artigo? Tem alguma sugestão ou comentário sobre esse ou outro tema? Mande  um e-mail para  [email protected]

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.