Blogs

Retrospectiva 2025

terça-feira, 30 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

No mundo das lutas, novos nomes surgem e modalidades conquistam friburguenses

        É fato que as artes marciais têm revelado o maior número de talentos nos últimos anos em Nova Friburgo. E, com um detalhe: a diversidade de modalidades. Já consolidado no MMA e no kickboxing, por exemplo, o município vibra com novos destaques no jiu-jítsu, no boxe e outras categorias.

No mundo das lutas, novos nomes surgem e modalidades conquistam friburguenses

        É fato que as artes marciais têm revelado o maior número de talentos nos últimos anos em Nova Friburgo. E, com um detalhe: a diversidade de modalidades. Já consolidado no MMA e no kickboxing, por exemplo, o município vibra com novos destaques no jiu-jítsu, no boxe e outras categorias.

        Em 2025, um dos nomes que brilharam foi o do jovem Matheus Silva. O lutador venceu Stefan Pereira por nocaute técnico, a 1min02s do segundo round, durante o evento Jungle Fight 142, realizado no Rio de Janeiro. Matheus Silva é cria do projeto Jiu-Jítsu para Todos, que alia a parte técnica e disciplinar da arte suave à oportunidade de redirecionar o caminho de várias crianças friburguenses.

        Falando em jiu-jítsu, Helena Barroso é mais um símbolo do amplo universo de talentos nas artes marciais. Bolsista da academia onde treina e uma das beneficiadas pelo programa Bolsa Atleta de Nova Friburgo — a mais jovem dentre todos os contemplados pelo recurso municipal — a pequenina tem conquistado diversos torneios e liderado rankings, já se posicionando entre as principais lutadoras de sua categoria e idade.

        Outra modalidade que vai conquistando os friburguenses é o boxe. Recentemente, a Academia Kickboxing da Serra abriu as portas para receber um Seminário da modalidade, ministrado pelo mestre Fábio Campos, fundador da equipe FC Fight Company. Recém-chegado de Cuba, referência mundial na modalidade, Fábio trouxe ao evento conhecimentos atualizados e técnicas avançadas, compartilhando com alunos e atletas competitivos as mais diversas abordagens de ataque, contra-ataque e suas aplicações nas três distâncias de combate.

        Nesse contexto, alguns nomes surgem com destaque. Felipe da Silveira Breder conquistou a medalha de ouro durante a última etapa da competição de boxe amador do Estado do Rio de Janeiro, organizada pela FPERJ. A equipe Team Boxer Fist (FC Fight Company) representou Nova Friburgo, e teve Felipe como grande destaque da categoria 65 kg, realizando a sua estreia no boxe amador. Com apenas 10 meses de treinamento, o friburguense demonstrou grande evolução técnica e física. Com o resultado, o jovem atleta encerrou o ano subindo no ranking estadual.

Não há como falar sobre artes marciais sem citar Edson Barboza, um dos maiores expoentes esportivos da cidade. No último dia 6 de dezembro, o lutador de Nova Friburgo acabou sendo derrotado por nocaute pelo norte-americano Jalin Turner. Foi a terceira derrota seguida na categoria leves.

        Barboza não vence pelo UFC desde 2023, mas entrará em 2026 com novas expectativas para reverter o momento negativo na carreira. Reconhecido pelos nocautes históricos, pelos chutes e estilo arrojado de lutar, o friburguense é um dos mais respeitados atletas da organização.

  • Foto da galeria

    Felipe comemora o seu resultado no boxe: modalidade ganha espaço e produz novos nomes (Foto: Divulgação Vinicius Gastin)

  • Foto da galeria

    Expoente do esporte municipal, Barboza poderá ter a chance de retomar caminho das vitórias em 2026 (Foto: Divulgação UFC)

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Leão XIV: mensagem de paz

terça-feira, 30 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Parte 1

Foi divulgada, nesta quinta-feira (18/12), a mensagem do Papa Leão XIV para o 59° Dia Mundial da Paz que será celebrado em 1° de janeiro sobre o tema "A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante".

Parte 1

Foi divulgada, nesta quinta-feira (18/12), a mensagem do Papa Leão XIV para o 59° Dia Mundial da Paz que será celebrado em 1° de janeiro sobre o tema "A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante".

O Papa inicia sua mensagem com uma "antiga saudação, presente ainda hoje em muitas culturas", mas que "ganhou novo vigor nos lábios de Jesus ressuscitado na noite de Páscoa": “A paz esteja convosco!”. Esta "sua Palavra que não só deseja, mas realiza uma mudança definitiva naqueles que a acolhem e, consequentemente, em toda a realidade".         "Por isso, os sucessores dos Apóstolos exprimem todos os dias e em todo o mundo a revolução mais silenciosa: A paz esteja convosco!”.

“Desde a noite da minha eleição como Bispo de Roma, quis inserir a minha saudação neste anúncio coral. E desejo reiterá-lo: esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente", escreve o Papa.

"Cristo, nossa paz. A sua presença, o seu dom e a sua vitória reverberam na perseverança de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais perceptível e luminosa na escuridão dos tempos", ressalta Leão XIV.

A paz tem o sopro da eternidade

 "A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena “basta!”, à paz se suplica “para sempre”. O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite", escreve ainda o Papa Leão na mensagem.

Segundo o Pontífice, "Santo Agostinho exortava os cristãos a estabelecerem uma amizade indissolúvel com a paz, para que, guardando-a no íntimo do próprio espírito, pudessem irradiar o calor luminoso ao seu redor. Dirigindo-se à sua comunidade, ele escreveu: «Se quereis atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de vós a luz acesa»".

A paz é uma presença e um caminho

"Antes de ser um objetivo, a paz é uma presença e um caminho. Mesmo que seja contestada dentro e fora de nós, como uma pequena chama ameaçada pela tempestade, guardemo-la sem esquecer os nomes e as histórias daqueles que a testemunharam. É um princípio que orienta e determina as nossas escolhas", ressalta o Papa.

"O caminho de Jesus continua sendo motivo de perturbação e medo. E Ele repete com firmeza àqueles que gostariam de defendê-lo: «Mete a espada na bainha». A paz de Jesus ressuscitado é desarmada, porque desarmada foi a sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais. Os cristãos devem tornar-se, juntos, testemunhas proféticas desta novidade, conscientes das tragédias das quais muitas vezes foram cúmplices.

A grande parábola do juízo universal convida todos os cristãos a, conscientemente, agir com misericórdia. E, ao fazê-lo, encontrarão ao seu lado irmãos e irmãs que, por caminhos diferentes, souberam ouvir a dor dos outros e se libertaram interiormente do engano da violência", escreve Leão XIV em sua mensagem.

Aumento das despesas militares

De acordo com o Pontífice, "se a paz não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida doméstica, quanto na vida pública". "A força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força", escreve o Papa, ressaltando que "em 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 bilhões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial".

Segundo Leão XIV, "os novos desafios devem ser enfrentados atualmente não só com um enorme esforço econômico para o rearmamento, mas também com um realinhamento das políticas educativas".

O Papa recorda no texto que "sessenta anos atrás, o Concílio Vaticano II chegava à sua conclusão com a consciência da urgência de um diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo. Ao reiterar o apelo dos Padres conciliares e considerando o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis, constatamos que os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar radicalizaram a tragédia dos conflitos armados. Está sendo delineado até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas. É uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida. É preciso denunciar as enormes concentrações de interesses económicos e financeiros privados que estão a empurrar os Estados nessa direção; mas isso não é suficiente, se ao mesmo tempo não for promovido o despertar das consciências e do pensamento crítico. A Encíclica Fratelli tutti apresenta São Francisco de Assis como exemplo desse despertar".

Continua na próxima semana.

Fonte: Vatican News

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A VOZ DA SERRA é uma sucessão de edições abrangentes

terça-feira, 30 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom!” – parece palavreado de livro de historinha infantil.  Parece, mas não é! É palavreado, sim, mas de recado para gente muito adulta, ou, pelo menos, que já tenha motocicleta. É a charge de Silvério alertando sobre a poluição sonora produzida por motos com adulteração no sistema de silenciador. Na “cabeça” de quem faz isso pode parecer “estilo”, mas, na verdade, é falta de consciência de seu lugar no mundo, onde respeito vale muito mais do que qualquer “estilo” hediondo. Na minha região tem uma dessas que, quando passa, não há quem aguente.

“Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom! Vrom!” – parece palavreado de livro de historinha infantil.  Parece, mas não é! É palavreado, sim, mas de recado para gente muito adulta, ou, pelo menos, que já tenha motocicleta. É a charge de Silvério alertando sobre a poluição sonora produzida por motos com adulteração no sistema de silenciador. Na “cabeça” de quem faz isso pode parecer “estilo”, mas, na verdade, é falta de consciência de seu lugar no mundo, onde respeito vale muito mais do que qualquer “estilo” hediondo. Na minha região tem uma dessas que, quando passa, não há quem aguente. Penso até em fazermos um abaixo-assinado conclamando a vizinhança para que o indivíduo em questão reconheça o quanto nos incomoda com o seu estilo. Valeu, Silvério! Vamos lutar por menos “vrom!” e mais sossego. Merecemos! 2026 é promessa!

Deu certo a operação “Natal de Paz e Ordem”. A ação integrada pela Secretaria Municipal de Segurança Pública, contou com atuação da Guarda Civil Municipal (GCM), Polícia Militar (11º BPM), policiais do Proeis, Polícia Civil (151ª DP), Secretaria de Mobilidade e Urbanismo (Semu) e do sistema Cidade Inteligente. O trabalho de inteligência conseguiu, por meio de denúncias da população, mapear rotas e “dispersar grupos antes do início das ações irregulares”. O resultado da ação surtiu bastante efeito já que “garantiu uma noite de Natal tranquila”. Vamos defender o silêncio pela cidade.

E o calor, pessoal! Quem aguenta a nossa cidade chegando a 38 graus, com sensação de 40. Somos bicho da serra, acostumados a verões suaves, quando muito, 33 graus. Tem feito falta aquela chuva rápida no fim de tarde, lavando a atmosfera e amortecendo a quentura das casas de laje; a minha, por exemplo, vira um forno de assar miolos. A Defesa Civil orienta sobre a importância de manter a hidratação, ingestão de água, uso de filtro solar, evitando exposição ao sol entre 10h e 17h. No mais, alimentação saudável, menos gorduras, mais frutas, aproveitando a ocasião de fim de ano para uma ceia que combine mais com o nosso país tropical, em vez de copiar os modelos europeus, de cair neve, de Papai Noel todo agasalhado, de bota e gorro. Mas, tudo vale!

A VOZ DA SERRA é uma sucessão de edições que abrangem desde o noticiário aos mais variados temas. De tudo um pouco, dando prioridade aos interesses comunitários. Lazer, arte, cultura, tem sempre uma novidade. É de muita competência ao reunir numa edição tantas informações. A exemplo, “moradores de Lumiar continuam reclamando por falta de atendimento médico”. Na mesma área, “vereador denuncia falta de medicamentos no Hospital Raul Sertã”. Na “Retrospectiva 2025”, Vinicius Gastin destaca “Friburguense tem ano difícil no gramado e vitorioso no Futmesa”.

Nem tudo eu consigo condensar nas “Surpresas de Viagem”. Contudo, em tempo, quero tornar público os meus elogios: - Que edição fenomenal o Especial de Natal... que maravilha!! Que trabalho de dedicação aos leitores para receberem tanta informação sobre a cultura natalina. É um trabalho mesmo de ourives de A VOZ DA SERRA... a VOZ que nos traz sempre um algo mais para tocar a nossa alma.... linda edição... a do ano passado foi guardada na caixa de pertences do Natal... quando  a abri, para montar a árvore deste ano, foi um  show reler tudo. Minha neta, Júlia,  falou: "Olha vovó que maravilhoso esse jornal... e é do ano passado!" -, com isso ela está aprendendo o quanto é bom ter memórias afetivas. De minha parte, nasci com A VOZ DA SERRA em minha casa e essa tradição se perpetua, faz parte da nossa história familiar.

Boas Festas e Feliz Jornal para 2026!

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Que em 2026 possamos estar vivos e juntos!

terça-feira, 30 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

É comum desejar felicidades e conquistas, saúde e alegrias para o ano que vai chegar; votos que sempre fiz e recebi durante anos. Porém uma amiga me enviou, neste final de ano, via WhatsApp, uma antiga prece portuguesa, de autoria desconhecida, que enseja que mantenhamos no ano que está por vir as conquistas que fizemos durante a vida. O conteúdo da oração me impactou e me fez refletir a respeito e concluir que mantê-las poderia ser até mais difícil do que os esforços que empreendemos para tê-las.

É comum desejar felicidades e conquistas, saúde e alegrias para o ano que vai chegar; votos que sempre fiz e recebi durante anos. Porém uma amiga me enviou, neste final de ano, via WhatsApp, uma antiga prece portuguesa, de autoria desconhecida, que enseja que mantenhamos no ano que está por vir as conquistas que fizemos durante a vida. O conteúdo da oração me impactou e me fez refletir a respeito e concluir que mantê-las poderia ser até mais difícil do que os esforços que empreendemos para tê-las. Muitas vezes, quando usufruímos dos benefícios que elas nos oferecem todos os dias, esquecemos dos processos de conquista pelos quais passamos.

Eis a prece:

“E o que você quer que o próximo ano te traga?

Nada, não quero que me traga nada.

A única coisa que quero é que não leve.

Que não leve o teto que me protege, o prato que me alimenta, a manta que me aquece, a luz que me ilumina, o sorriso dos meus amados, a saúde como um tesouro, o trabalho como sustento, a amizade, a companhia, os abraços e os beijos.

Que não leve os sonhos, nem os pedaços dos corações formados por pessoas que carrego dentro de mim. Amém!”

Acredito que muitos dos leitores a tenham recebido. Mesmo assim, não gostaria de deixá-la passar aos nossos olhos sem observar que a maioria dos nossos anseios para o futuro estão no novo. Nem pensamos no que já temos. E é aí que mora o nosso erro derradeiro de fim de ano: nossos desejos se esquecem de molhar as plantas dos nossos canteiros.

Noutro dia, conversando com minha filha no café da manhã, consideramos que o passado e o futuro não existem na realidade concreta. O que há é o aqui e o agora. É em cada instante presente que nossos olhos alcançam, nossas mãos pegam, nossos desejos se atualizam. Então, nos sentimos aterrissados no que possuímos. Para falar a verdade, possuímos muito. Todo esse muito requer atenções, cuidados e providências, posto que é nesse aterrissar contínuo que desvelamos nossos afetos, propósitos e propostas. Construímos nossas vidas.

Quando escrevi minha dissertação de mestrado em Educação, em 1980, concluí que algumas propostas dos Pioneiros da Educação, em 1922, ainda não tinham sido atingidas. Terminei a dissertação, com certa tristeza e desapontamento.

A esperança continuará a ser nossa estrela-guia em 2026. Sinto vontade de escrever na primeira página da minha agenda que pretendo estar viva no final de ano. Caramba! É uma proposta caudalosa e audaciosa. A lista de tarefas que terei de fazer para atingir tal propósito é imensa. Pensando bem, desejar felicidade é vago porque ser feliz é decorrente dos esforços para realizar ações importantes. É trabalho! É usar a inteligência humana! É experimentar o amar!

As palavras de Albert Camus (1913-1960), escritor e filósofo franco-argelino, me inspiram. Segundo ele, o acordar da esperança não é como um discreto bater de asas. Pelo contrário. A esperança é despertada, vivificada, alimentada por milhões de indivíduos solitários, cujos atos e trabalho, diariamente, negam fronteiras e as implicações mais cruas da história. Como resultado brilha, num breve momento, a verdade de que cada e todo homem, sobre a base dos próprios sentimentos e alegrias, constrói para todos.

Quem em 2026 possamos estar vivos e juntos!

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Carta ao futuro

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Um brasileiro que tenha algum juízo e não dê muito azar, passa dos 80

Um brasileiro que tenha algum juízo e não dê muito azar, passa dos 80

Estou escrevendo para você, mas não sei se esta carta chegará às suas mãos feitas de segundos e milênios. Acho que nunca nos conheceremos ─ você está sempre à frente. Tipo muito estranho, simultaneamente parece estar aqui pertinho e a uma distância infinita. Infinito é bem uma palavra que combina com você. Estamos em dois mil e vinte e cinco, numa das muitas maneiras que o homem inventou para dividir o tempo em pedaços. Tempo é outra palavra que lhe cai bem. Tempo e espaço: futuro.

Atualmente, é de desanimar. Coisas tristes se multiplicam por todo lado. Guerras, injustiças, violências, todo tipo de safadeza. Quando você chegar, talvez as coisas tenham melhorado, e você nem acreditará que no passado havia crianças que morriam de fome, num mundo de fartura, em que grande parte do alimento produzido pela terra virava lixo. Tem espaço para todo mundo, mas todo mundo vive brigando por espaço: países poderosos invadem os mais fracos, motoristas são capazes de sair aos socos e pontapés por uma vaga para estacionar. As ruas estão cheias de carros que poluem os céus, os céus estão cheios de aviões e, embora as ruas sejam muitas e os céus um sem tamanho de grande, carros se atiram uns contra os outros, e os aviões às vezes despencam do céu.

Mas toda moeda tem muitos lados, além dos que são visíveis mesmo aos olhos mais distraídos. Há muita gente empurrando para trás a maré suja. Vivemos hoje mais do que nunca. Há cem anos, a média de vida no mundo era de míseros 32 anos: não dava nem tempo pra gente se acostumar. Aqui no Brasil não se passava dos 35: mal se saía da adolescência e já era hora de ir embora. Agora um brasileiro que tenha algum juízo e não dê muito azar, passa dos 80. Às vezes ainda tem prorrogação.

Houve uma época em que homens eram jogados numa arena, onde deviam se matar para distração dos poderosos e da plebe rude. Atualmente a vida ainda é bastante frágil, mas é geralmente considerada um bem sagrado, intocável. E as mulheres, por séculos ignoradas (só Jesus deu atenção a elas), estão abrindo caminhos e se fazendo ouvir, ainda que tantos se façam surdos e cegos aos sinais dos novos tempos. Muitos trabalham pela paz e pela justiça, trabalho cansativo, infindável, que precisa ser retomado a cada dia, mas que sempre anuncia uma alvorada possível.

Acostumei-me a ver frequentemente uma jovem caminhando, alegre e despreocupada. Um dia, notei que ela estava diferente, e logo depois a barriga evidenciava que ela havia se transformado em duas. Passaram-se alguns meses sem que eu a visse, até que ela reapareceu, empurrando um carrinho de bebê. E o bebê já está andando, daqui a pouquinho estará correndo pelos mesmos lugares onde sua mãe ontem passeava. Existe uma roseira... já falei sobre ela. Há mais de 20 anos insiste em dar flor, num pedaço de terra assim estreito.

Enfim, a vida resiste e eu espero que os homens não a destruam, sufocando a natureza ou disparando bombas. Que ela chegue até você, melhor, mais leve, mais livre, mais segura. Insha allah, oxalá, queira Deus!

.......................................................................................................

MICROCONTO: MAIS UM

Cansado de tanto fracasso, resolveu jogar-se do oitavo andar. Mas o paletó prendeu-se na janela e ele ficou pendurado até a chegada dos bombeiros.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Retrospectiva 2025

sábado, 27 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Friburguense tem ano difícil nos gramados e vitorioso no Futmesa

Em uma pequena série de três reportagens, A VOZ DA SERRA recorda alguns momentos que marcaram o esporte de Nova Friburgo ao longo de 2025. Em variadas modalidades, clubes e atletas representaram o município nos mais diversos níveis, colocando em evidência o nome da cidade e o indiscutível talento dos desportistas friburguenses.

Friburguense tem ano difícil nos gramados e vitorioso no Futmesa

Em uma pequena série de três reportagens, A VOZ DA SERRA recorda alguns momentos que marcaram o esporte de Nova Friburgo ao longo de 2025. Em variadas modalidades, clubes e atletas representaram o município nos mais diversos níveis, colocando em evidência o nome da cidade e o indiscutível talento dos desportistas friburguenses.

Nesta primeira matéria, destacamos a contradição dos resultados no campo de futebol e nas mesas para o Friburguense. Dentro dos gramados, o Tricolor da Serra teve um ano difícil, que resultou em um cenário desafiador para 2026. Durante a disputa da Série B1, o Frizão obteve apenas uma vitória — contra o campeão Serrano — e um empate. Foram nove derrotas, seis delas pelo placar 1 a 0. Os três gols marcados evidenciam que faltou poder de fogo e, em muitas situações, tranquilidade e qualidade.

A queda para a Série B2, a quarta divisão estadual, desafia o clube na próxima temporada. O gerente de futebol Siqueirinha já busca alternativas, mesmo com poucas perspectivas de ter um amplo calendário. Dependente de novos investimentos, o dirigente chama a atenção para os próximos passos.

“A gente sabe que calendário dificilmente vai ter. Deixar bem claro que tudo o que tem acontecido, tudo o que a gente tem vivido aqui não era o que a gente esperava, mas a gente sabe que a cada ano a situação está para menos calendário, para menos apoio financeiro e para mais divergências internas. Estou trabalhando muito nesse aspecto pra gente melhorar nos próximos anos.”

Como ponto positivo, a base participou de diversas competições, voltou a receber os grandes clubes do Rio de Janeiro nas categorias inferiores e emplacou alguns de seus atletas mais promissores nas principais equipes da capital.

Se nos gramados a situação não é das mais simples, nas mesas, a AFFM / Friburguense brilhou em mais um ano. Dentre tantas competições disputadas, em diversas modalidades, a equipe participou, por exemplo, do 17º Campeonato Brasileiro de Clubes de Futebol de Mesa —Regra 12 Toques. E foi nesta competição que o jovem Vinícius Esteves se sagrou campeão Estadual Individual de Futebol de Mesa, na Série Ouro. De maneira inédita, o botonista superou em torno de 170 atletas participantes ao longo da temporada

A competição é considerada uma das mais tradicionais da modalidade no país. O evento reuniu 32 equipes de diversas regiões brasileiras, movimentando o cenário esportivo e cultural do Estado.

Atleta do Fluminense, o friburguense Marcus Vinicius Constantino também se manteve como um dos principais nomes do futebol de mesa do Estado do Rio, ao acrescentar mais uma conquista em sua sala de troféus, obtendo o sexto título Estadual Individual na regra Pastilha, da carreira. Em todo 2025, o botonista perdeu apenas um único jogo após mais de 50 disputados. Marcus Vinicius venceu duas das quatro etapas disputadas e foi vice-campeão nas outras duas.

  • Foto da galeria

    Com apenas uma vitória, contra o Serrano, o Frizão viveu ano difícil de rebaixamento para a Série B2 (Foto: Vinicius Gastin)

  • Foto da galeria

    AFFM / Friburguense teve mais uma temporada de glórias, com conquistas individuais e coletivas (Foto: Vinicius Gastin)

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

O valor do tempo presente

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A cada final de ano, desejamos, esperamos, sonhamos, imaginamos. Projetamos, dentro daquilo que acreditamos, o melhor que podemos dar e receber. O tempo e a disponibilidade são disputados dentro dos encontros marcados e realizados, presentes são criados, comprados e trocados. As celebrações no trabalho, na família, com os amigos viram rotina em um mês que traz a sensação de ser menor que todos os outros. Não porque possui menos dias, mas por ter inúmeros compromissos que são marcados apenas por ser o fechamento de um ciclo.

A cada final de ano, desejamos, esperamos, sonhamos, imaginamos. Projetamos, dentro daquilo que acreditamos, o melhor que podemos dar e receber. O tempo e a disponibilidade são disputados dentro dos encontros marcados e realizados, presentes são criados, comprados e trocados. As celebrações no trabalho, na família, com os amigos viram rotina em um mês que traz a sensação de ser menor que todos os outros. Não porque possui menos dias, mas por ter inúmeros compromissos que são marcados apenas por ser o fechamento de um ciclo.

Um ciclo que passa e é sentido por cada um de nós de forma diferente, dentro das nossas crenças, cultura e vida. Para alguns, presentes são comprados, cartões e cartas são escritos e recebidos, comidas são preparadas e servidas, enfeites são colocados, gargalhadas de alegria são marcas registradas de um riso frouxo sem fim ou até mesmo nada disso, evidenciando escassez, solidão, um tempo vazio e de sofrimento, tristeza.

Isso me traz uma singela lembrança da minha infância, com a árvore de Natal branca com bolas de vidro vermelhas, que eu montava no mês de dezembro com a minha mãe, dos programas especiais que passavam na televisão, principalmente, do show do Roberto Carlos, que era algo que a minha saudosa avó Berna assistia ano após ano e que me traz uma bela recordação.

Constato que o melhor desses momentos não são as datas comemorativas em si, mas aquilo que passa despercebido e há de mais genuíno: o tempo presente. O valor do tempo presente se esconde nas lacunas entre um momento e outro, que celebra ou não momentos anuais. O estar com qualidade, em sua totalidade, mexe com as nossas sensações e sentimentos que, aos poucos, vão se tornando memórias que ficam vívidas e repletas de sensibilidade.

É como um rolo de filme Super 8 ou uma fita VHS, que guardamos como se fossem nossas relíquias. São itens raros e com valor emocional intenso, que conservam e resgatam experiências do nosso passado que queremos ou não lembrar.

O tempo junto, experenciado nas relações, deve ser sentido em sua plenitude, de forma real e não superficial, pois, no final, o que há de melhor é o que existiu com verdade.

Aproveite o final do ano e o tempo presente, com o valor que ele realmente merece.

Até a próxima quarta!

Contato

Site: www.camillafiorito.com.br

Instagram: @camilla.fioritoeduc

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Contagem regressiva

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

         Estamos muito próximos do fim de 2025. Já se foram quase todos os dias desse ano um tanto abarrotado de informações, acontecimentos e mudanças. Enquanto sociedade, vimos de tudo, tememos muito, perdemos esperanças, sentimos muito. Foram tantas notícias estranhas que a exaustão coletiva foi tomando seu espaço de forma surpreendente. A torcida para que termine logo é tão grande que merece o questionamento sincero sobre o que vai mudar na noite de ano novo se nós não formos os protagonistas das ondas de melhora.

         Estamos muito próximos do fim de 2025. Já se foram quase todos os dias desse ano um tanto abarrotado de informações, acontecimentos e mudanças. Enquanto sociedade, vimos de tudo, tememos muito, perdemos esperanças, sentimos muito. Foram tantas notícias estranhas que a exaustão coletiva foi tomando seu espaço de forma surpreendente. A torcida para que termine logo é tão grande que merece o questionamento sincero sobre o que vai mudar na noite de ano novo se nós não formos os protagonistas das ondas de melhora.

Falta pouco, mas ainda há tempo. Tempo precioso que não volta mais. Nos restam poucos dias para o “feliz ano novo”, para o sem fim de promessas, as renovações de sonhos, as prospecções dos projetos novos, a crença na virada milagrosa da meia noite, para tirarmos as superstições das gavetas e as praticarmos sem mesmo nela acreditarmos, verdadeiramente.

         Sob esse ponto de vista, estamos realmente muito próximos do fim deste intenso ciclo. Contudo, devo dizer: ainda falta muito. Faltam as emoções de Natal. Faltam dias de trabalho. Faltam momentos a serem superados. Celebrados. Pergunto se o tempo que nos resta deste ano é deveras curto demais para alguém que esteja enfermo em um quarto de hospital, para aquele que aguarda pelo resultado de uma prova importante, de um exame conclusivo, para o ansioso por uma viagem marcada há tempos, para quem busca um perdão para fazer as pazes com o ente amado, para quem está desempregado à procura de um ofício digno, para quem tem mais contas a pagar do que dias no mês. Creio que a resposta será não. Pois até esse tempo é relativo.

         Então, vos aconselho humildemente: antecipe-se às situações difíceis, crie oportunidades de valorizar todos esses segundos vindouros de dezembro. Como sempre, é tempo de amar, de espalhar fraternidade, de expandir a espiritualidade, de fomentar a caridade, de olhar para o lado, estender uma mão, sufocar de amor toda a maldade.

Talvez seja exatamente agora, quando o ano se despede com pressa e o cansaço coletivo pede descanso, que caiba a nós desacelerar por dentro. Não para negar tudo o que foi pesado, mas para reconhecer que ainda há vida pulsando nesses últimos dias, vida que se manifesta nos gestos simples, nas palavras escolhidas com cuidado, nas reconciliações silenciosas e nas esperanças discretas que sobrevivem apesar de tudo. O Natal, antes de qualquer celebração externa, nos convoca a esse movimento íntimo: resgatar humanidade onde ela foi sufocada, devolver sentido ao tempo que resta e lembrar que, mesmo às vésperas do fim do ciclo, ainda somos responsáveis pelo que fazemos com cada instante que nos foi confiado.

         Proponho um fim de ano diferente, com menos efeito manada e mais união e verdade, em que nós possamos nos inspirar nos preceitos cristãos tão enfatizados por ocasião das celebrações de natal para sermos o amor pelo próximo e pela Humanidade. Estamos bastante carentes desse amor ilimitado que transcende as quatro paredes das casas, as contas bancárias, as sacolas cheias de presentes e as confraternizações com mais bebidas nos copos que amor nos corações. Precisamos é de afeto, olho no olho, coração com coração. Perto ou longe, aonde for. Que seja amor.

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

A poesia que o Natal proporciona

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nova Friburgo é o berço dos trovadores do Brasil que se reúnem todos os anos na cidade, geralmente em maio, para a realização dos Jogos Florais, um concurso que exala poesia. E no Natal, essa magia também se faz presente. Atendendo a pedido do jornal, a seção local da União Brasileira dos Trovadores (UBT) nos enviou algumas trovas sobre essa mágica época do ano.       

Neste dia universal,

que tanta coisa traduz,

os pinheiros de Natal,

em vez de sombra, dão luz!

Durval Mendonça

 

Natal! Um beijo de luz

Nova Friburgo é o berço dos trovadores do Brasil que se reúnem todos os anos na cidade, geralmente em maio, para a realização dos Jogos Florais, um concurso que exala poesia. E no Natal, essa magia também se faz presente. Atendendo a pedido do jornal, a seção local da União Brasileira dos Trovadores (UBT) nos enviou algumas trovas sobre essa mágica época do ano.       

Neste dia universal,

que tanta coisa traduz,

os pinheiros de Natal,

em vez de sombra, dão luz!

Durval Mendonça

 

Natal! Um beijo de luz

com que o Céu aquece o povo.

Todo Natal é Jesus

descendo  à Terra de novo!

Belmiro Braga

 

Natal! Jesus a nascer

na manjedoura em Belém.

É preciso em nosso ser

o Cristo nascer também.

Inocêncio Candelária

 

Natal... ternura...poesia...

Vem o amor... e foge o mal...

- Quem dera que todo dia

fosse Dia de Natal!

Luiz Otávio

 

Um Natal mais envolvente

há de ser para as crianças,

Papai Noel consciente,

distribuindo esperanças!

Elisabeth Souza Cruz

 

Que o Natal seja a aliança

da mais sagrada união

e que nos deixe a esperança

de um Natal no coração!

Elisabeth Souza Cruz

 

Peço a Deus não ser mesquinho

e que o pão que saboreio

jamais o coma sozinho,

se puder parti-lo ao meio!

Sérgio Bernardo

 

Seja o Natal reviver

a venturosa magia

e que possamos dizer:

- "Bom Natal!" ... no dia a dia!

Elisabeth Souza Cruz

 

 

Na cidade de Belém,

um menino vinha à luz

e o anjo dizia - "Amém!"

porque nascia Jesus!

Elisabeth Souza Cruz

 

No meu Natal é rotina

deixar tudo no capricho:

no peito faço faxina

e jogo as mágoas no lixo!

Élbea Priscila

 

O meu presente ´singelo...

No Natal, quero um buquê

ornado em laço amarelo

e em meio  às flores... você!

Elisabeth Souza Cruz

 

 Se a oração se faz presente

e o amor vem nos aquecer,

renasce dentro  da gente

todo encanto de viver!

Giva da Rocha

 

Vamos cantar o Natal,

Pois é tempo de alegrias,

Porém seria ideal

Cantá-lo todos os dia!

Joaquim Carlos

 

Natal é paz! – Harmonia!

É convívio fraternal!

- Se eu pudesse, cantaria

eternamente... Natal!

Maria Madalena Ferreira

 

Feliz de quem, afinal,

consegue na humana trilha,

ver que o brilho do Natal

surge na luz da partilha!

Regina Célia de Andrade

 

Minha maior alegria,

no Natal, era a emoção

do amor que meu pai trazia

sob a barba de algodão!

Sérgio Ferreira da Silva

 
Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Tempo de Natal

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Às vésperas de Natal, resolvi passear sobre poemas natalinos a fim de captar mensagens, querendo experimentar esse tempo enriquecido pelos versos dos poetas que admiro. As minhas palavras expressam certas tristezas e fogem um pouco do clima festivo posto que emergem de um canto da minha alma que sente o mundo carente de bondades.  Vou começar por Manuel Bandeira (1886-1968) com uma estrofe do poema “Canto de Natal”:

“O nosso menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para fazer o bem.”

 

Às vésperas de Natal, resolvi passear sobre poemas natalinos a fim de captar mensagens, querendo experimentar esse tempo enriquecido pelos versos dos poetas que admiro. As minhas palavras expressam certas tristezas e fogem um pouco do clima festivo posto que emergem de um canto da minha alma que sente o mundo carente de bondades.  Vou começar por Manuel Bandeira (1886-1968) com uma estrofe do poema “Canto de Natal”:

“O nosso menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para fazer o bem.”

 

A história da nossa civilização é traçada por modos de pensar que ferem o respeito à vida e à cultura dos povos. O mesmo acontece com histórias de famílias, grupos de trabalho e comunidades. Nestas datas tanto se deseja a paz! A paz não é mais do que uma esperança que reina em nosso imaginário, como uma luz universal que nos faz mover para realizar desejos, que, até de maneira inconsciente, colocam a paz como finalidade última. Então, minhas reflexões me fazem aportar em ”Poema de Natal”, de Vinícius de Moraes.

“Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte –

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje à noite é jovem; da morte apenas

Nascemos, intensamente.

 

Para a cultura cristã, o Natal faz parte da vida e expressa um momento de nascimento, ou melhor, de renascimento. O trajeto que os destinos percorrem é desafiador e exaustivo em que a esperança é a estrela-guia, um símbolo que brilha no meio do caos. Tal qual é a poesia que busca a beleza das palavras para interpretar os fatos da vida. O Natal é o momento em que cada país, cada cidade e  cada um possa olhar para o seu interior, visando reabastecer forças, acalentar dores e perdas e superar vulnerabilidades. Para reencontrar o que é essencial.

Logo agora, depois de colocar o ponto final no parágrafo, os versos de Fernando Pessoa em “Natal” sorriem para mim.

Natal, na Província neva.

Nos lares aconchegados

Um sentimento conserva

Os sentimentos passados

 

Coração, oposto ao mundo

─ Como a família é verdade!

Meu pensamento é profundo,

Estou só e sonho saudade.

 

Como é branca de graça

A paisagem que não sei,

Vista de trás da vidraça

Do lar que nunca terei!”

 

Ah, o Natal! Não é uma convenção nem uma data comercial. Está entre todos os dias do ano em que o sol nasce e se põe. Vinte e quatro horas de encontro com a intimidade e a verdade. Quem já não sentiu ou sente saudade e solidão no Natal mesmo estando cercado de pessoas queridas? E os que tanto olham solitários ou carentes para outras pessoas que brindam o Natal com alegria?

Para terminar, deixo a estrofe do poema “Natal 2011, Cantiga dos Pastores”, de Adélia Prado.

“Que noite bonita é esta

Em que a vida fica mansa,

Em que tudo vira festa

E o mundo inteiro descansa?”

 

E os monges cantam lindas canções para nos iluminar e energizar porque no dia 26 a vida continua mais uma vez. E a gente precisa dos anjos. É tempo de orar por e para eles.

Desejo a todos um dia de encorajamento e renascimento.

Salve o Natal!

Publicidade
TAGS:

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.