A amizade que une uma turma de médicos, por mais de 50 anos

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 01 de julho de 2026
por Max Wolosker

Com o título “Amizade, um bem que não tem preço”, a minha coluna de 3 de junho tocou num tema que é muito importante para nós humanos, numa época em que as pessoas começam a viver isoladas, em função da internet, violência urbana e redes sociais. Nada substitui o falar com o olho no olho, o contato interpessoal, a troca de ideias com aqueles que convivemos, principalmente, quando isso acontece com pessoas que se conhecem há muito tempo. A amizade não tem preço e o seu cultivo é uma forma de crescimento entre nós, uma forma de convívio que as une e as tornam mais felizes e com mais vontade de viver.

Foi assim, que de 25 a 28 de junho, a turma de junho de 1974 da faculdade de medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) festejou mais um ano de formada, o seu 52º aniversário, em Penedo, no sul fluminense. Éramos ao todo 16 pessoas, entre colegas e familiares, que conseguiram uma interação muito grande, já que do café da manhã até o jantar todos estavam juntos conversando, relembrando os bons e maus momentos dos anos passados nos bancos escolares, daquele contato diário que a faculdade propicia aos que se dedicam a estudar e da vida profissional.

No sábado, esse grupo ficou um pouco maior, num churrasco de confraternização, com a presença dos filhos e da nora do colega Aluísio, que é de Resende, e lá desenvolveu sua vida profissional, desde a formatura. Como a turma, como um todo, tinha representantes de várias cidades do Brasil. Dessa vez tínhamos representantes de várias cidades do estado, um de Macaé, um de Niterói, um de Nova Friburgo, um de Resende, um do Rio de Janeiro, com direito a um de Indaiatuba, interior de São Paulo. Tivemos até um estrangeiro, já que o concunhado do nosso colega Rogério nasceu em Bruxelas, na Bélgica.

Claro que a tendência é o número de participantes diminuir, em função da idade que vai chegando, já que partindo-se do princípio que o mais novo a entrar na faculdade contasse com 17 anos, naquele longínquo 1969, hoje ele estaria com 75 anos. Além disso, a saúde nessa faixa etária começa a cobrar seu preço e, nem todos se sentem ainda, em condições de fazer viagens mais longas de carro. Outros, que moram em estados mais longínquos que o eixo Rio-São Paulo, ainda teriam que encarar uma viagem de avião para, então, seguir para o local escolhido para o encontro. É claro que sendo numa cidade à beira da estrada Presidente Dutra, isso facilita a vida dos que moram nos estados do Rio e São Paulo, mas mais complicado para aqueles que residem em Minas Gerais, Espírito Santo ou outros estados.

Talvez, também, o fato desses encontros tornarem-se anuais dificulte, um pouco, a presença de um maior número de colegas. Outro aspecto a ser levado em consideração é que muitos já têm viagens programadas e, por mais que se marquem encontros com antecedência, muitas vezes fica difícil conciliar as datas. No entanto, como reunir os amigos é o que importa, que continuemos a nos encontrar, pois o resultado final é sempre muito bom.

Mas, o saldo será sempre positivo, quando se consegue juntar um número suficiente de amigos e se promover uma confraternização como a que ocorreu nesse último fim de semana de junho. Afinal, passamos juntos seis anos na faculdade e nesses longos 52 anos pós formatura, nunca deixamos de nos encontrar; a princípio a cada cinco anos e, posteriormente, de dois em dois anos. Não crescemos juntos, no sentido estrito da palavra, mas envelhecemos juntos e hoje, estamos todos na faixa dos 70 e, alguns, passando dos 80 anos, por terem começado a faculdade com mais idade.

No entanto, se a vida obrigou cada um a seguir seu rumo, numa determinada data um bom número se reencontra e todos voltamos a ser os jovens que um dia fomos. As lembranças daquela época, as risadas de hoje e as brincadeiras e apelidos que ainda perduram, formam o assoalho de uma amizade que se fortaleceu com o tempo e que só terminará à medida que formos fechando os olhos e nos despedindo da vida.

Temos uma colega, Chininha, que está acamada, lutando por sua vida e que só não esteve presente em função de sua doença. Que todos nós, da turma de junho de 1974, da UFF, façamos sempre que pudermos, uma oração pelo seu pronto restabelecimento e que ano que vem, se Deus assim o desejar, ela possa participar de mais uma reunião da nossa turma, afinal ela é uma das mais animadas.

Um agradecimento especial ao Aluísio e ao Rogério que ajudaram muito no preparo e realização da nossa festa. Não posso deixar de assinalar que o Aluísio brindou os participantes com um copo térmico, “Penedo-Itatiaia, 2026, Encontro Medicina UFF, 1974. E ao nosso mestre cuca (Rogério) pelo arroz de carreteiro, nesse caso com as sobras do churrasco, no jantar que fechou com chave de ouro o nosso sábado. Domingo pela manhã, ainda deu tempo de tomarmos o café da manhã juntos, antes de cada um voltar para casa. 

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