Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
A conta chega

Paula Farsoun
Com a palavra...
Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.
Tem gente que não sabe mais responder “tudo bem?” sem mencionar que está cansada. Porque transborda. A exaustão está ali e precisa transcender, como um pedido de ajuda, talvez. E isso diz muito sobre o tempo em que estamos vivendo.
O cansaço deixou de ser consequência de uma rotina pesada e passou a funcionar quase como um certificado social. Quem vive correndo parece mais importante. Quem está sempre ocupado transmite a sensação de sucesso. Descansar, por outro lado, começou a parecer sinônimo de preguiça, falta de ambição ou desperdício de tempo. Criamos uma geração que sente culpa por parar.
As pessoas almoçam olhando o celular, respondem mensagens no trânsito, levam trabalho para a cama e transformaram a própria exaustão em assunto cotidiano. E o mais curioso é que a gente já não estranha mais isso. Virou normal dizer que dormiu três horas. Virou admirável trabalhar até tarde. Virou bonito viver sem tempo.
Existe hoje uma necessidade constante de provar produtividade. Como se estar disponível o tempo inteiro fosse demonstração de competência. Como se o corpo não cobrasse a conta depois. E cobra. Só que, antes de cobrar no físico, cobra no silêncio.
A pessoa continua funcionando, mas perde a leveza. Perde a paciência. Perde a vontade de estar presente nas próprias relações. Vai ficando irritada, distante, acelerada. O descanso já não resolve, porque o problema não é apenas sono. É excesso de pressão acumulada em alguém que nunca se permitiu desacelerar.
O mais preocupante é que nós começamos a admirar pessoas destruídas pelo excesso de trabalho. Nós passamos a ser essas pessoas e a validar nossos méritos pelo tanto de cansaço que sentimos, como se fosse um selo de produtividade. Como se nosso valor estivesse aí. Só aí. Isoladamente aí. Como se viver no limite fosse prova de determinação. Como se sacrificar a saúde mental fosse parte obrigatória do caminho para vencer na vida. Não é.
Existe algo profundamente errado em uma sociedade que incentiva performance, mas ignora completamente o adoecimento emocional que existe por trás dela. As pessoas estão sobrevivendo em ritmo de urgência permanente. E talvez o maior problema seja justamente esse: ninguém mais consegue descansar de verdade. Quando o corpo para, a mente continua acelerada. Há sempre alguma pendência, alguma cobrança, alguma sensação de que deveria estar fazendo mais. Mais. Sempre mais....

Paula Farsoun
Com a palavra...
Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.
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