Precisa de controle emocional?

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 23 de abril de 2026
por Cesar Vasconcellos

Uma pessoa deu uma resposta do por que sofre com descontrole emocional ao dizer que seu pai era assim. Influi na construção de nosso comportamento o fator genético e principalmente o que copiamos do comportamento do pai e da mãe na infância. As crianças copiam coisas boas e ruins dos pais e repetem na vida adulta, mesmo tendo prometido nunca agir como eles. 

O primeiro passo para melhorar ela deu, que é reconhecer que tem este problema de descontrole emocional. Muita gente tem problemas de comportamento e negam ter, sempre jogando a culpa em algo fora de si. Em parte, a recuperação, paradoxalmente, começa com a aceitação da limitação. Você começa a mudar para melhor quando aceita seu problema, em vez de negá-lo. Aceitar não é o mesmo que concordar. É olhar para a realidade e ver que ela é um fato, que é verdade. Aceitar é parar de fugir. É admitir a verdade. Isso é o começo da recuperação. 

Faz parte da aceitação parar de se autoatacar e de se depreciar só porque você apresenta ainda defeitos de caráter. Desvalorizar a si mesmo por ter estes problemas só afunda mais. Você pode olhar para seu lado não saudável, talvez impulsivo e dizer para si: “Puxa! Que chato agir assim! Mas eu não sou só isso. Este comportamento que não gosto é parte de mim, não é o meu eu (self) todo.” Ou seja, olhe para si e veja que existe uma parte mental saudável que analisa o lado não saudável e vê que ele existe. É este lado saudável que pode entrar em ação para ajudar o lado doentio.  

Observe quando e o que produz descontrole em você, daí é possível começar a prevenir a recaída no comportamento ruim. Como? Ao perceber o fator gatilho, se possível se afaste dali. Fator gatilho é tudo aquilo que dispara uma reação desagradável em sua mente e comportamento. Se não der para se afastar, use o “lado saudável” de sua personalidade para comandar sua atitude.

Diga para si: “Isto está me deixando furiosa! Já sei que quando isto acontece tenho tendência de perder meu controle emocional. Mas não vou permitir isso. Quem manda em mim sou eu, não minha emoção.” Em seguida, focalize sua mente em outra coisa. Execute uma tarefa. Faça uma oração pedindo a Deus vitória sobre seu descontrole. Tome um copo de água. Respire fundo umas seis vezes de frente da janela aberta ou vá ao ar livre e faça isto. Comece a cantar um hino cristão, ouça uma música calma, serena. 

O “segredo” é descobrir o que dispara o descontrole e usar o lado saudável para lhe “dar um colo” e também para disciplinar as emoções. O descontrole pode ser comparado com uma criança que faz pirraça porque quer picolé na hora de sentar para o almoço. Ela quer o picolé porque quer. Daí a sua “mãe-pai” bom interno dirá com carinho e firmeza: “Querida, não, agora não é hora de chupar picolé!” Ou seja, diga para si mesma: “Não preciso repetir agora o mesmo comportamento ruim que via em meu pai/mãe. Não preciso!” Em seguida dê colo para si mesma, o que significa controlar seu impulso nervoso pela ação da graça de Deus que você havia pedido a Ele e por sua decisão de não se deixar levar pelo impulso imaturo. 

Isso é um exercício diário. Não vai mudar rapidamente, porque, afinal são tantos anos repetindo comportamentos ruins, não é? E precisa fazer esse treino um momento de cada vez. Vai dar certo. Leva tempo, mas se praticar, a vitória virá gradativamente. Um dia de cada vez. Uma situação de cada vez. Se recair, levante e recomece esse trabalho mental em busca de autocontrole emocional. A medicação não faz isso em seu lugar. Nem o seu psicólogo, psiquiatra ou qualquer outra pessoa. É você mesmo.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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