Friburgo se destaca com a maior produção de couve-flor do estado

Município reforça seu compromisso com a alimentação escolar fornecendo itens da agricultura familiar para a rede pública de ensino
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

Nesta quinta-feira, 16, é celebrado o Dia Mundial da Alimentação, data criada para reforçar a importância do acesso a alimentos saudáveis e sustentáveis para toda a população. Em Nova Friburgo, a data tem um significado especial: o município se destaca como maior produtor de couve-flor do Estado do Rio de Janeiro, além de ser referência na produção de morangos e flores de corte.

Nova Friburgo abriga o chamado “cinturão verde”, que sustenta boa parte da produção agrícola fluminense. Com clima favorável, a produção de couve-flor se intensifica nos meses de junho a outubro. Nas regiões de Campo do Coelho, São Lourenço e Stucky, é possível observar o trabalho diário das famílias de agricultores, que cultivam hortaliças, legumes e frutas com dedicação e cuidado. Essas comunidades mantêm viva uma tradição passada de geração em geração, e hoje representam uma das bases da agricultura friburguense.

“Nova Friburgo cultiva cerca de 118 itens, diferente de alguns municípios que produzem poucos alimentos. Então, temos uma grande diversidade na produção friburguense, como flores, verduras, frutas e hortaliças. O clima da cidade e as variedades de solo também são dois fatores fundamentais, permitindo que ela tenha essa diversidade de alimentos”, comentou o zootecnista e extensionista rural, Selmo Santos, que foi secretário municipal de Agricultura nos anos 2000.  

Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado (Emater-Rio), em 2024, foram colhidas 11.615 toneladas de couve-flor em 395 hectares de área plantada, com a participação de 453 agricultores familiares. No total, o faturamento bruto do ano foi de R$ 33.347.100, com as verduras sendo vendidas por R$ 2,87, o quilo.

Campo e escola: uma parceria nutritiva

A agricultura familiar também é protagonista quando o assunto é alimentação escolar. Parte da produção friburguense de legumes, hortaliças e frutas abastece as escolas estaduais através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), garantindo refeições mais frescas e nutritivas para os alunos. Essa parceria aproxima o campo da cidade, valoriza o trabalho dos produtores e incentiva hábitos alimentares mais saudáveis entre as crianças. Os próprios produtores rurais e associações negociam diretamente com as direções das escolas a venda e a entrega dos itens pra a merenda escolar dos alunos. Com isso, ao consumir produtos locais, a população contribui para o desenvolvimento e valorização da economia rural.

Na rede municipal, também é feita a compra de gêneros da agricultura familiar para as refeições dos alunos utilizando 100% de verba federal do PNAE. A Secretaria Municipal de Agricultura orienta o Departamento de Nutrição Escolar, da Secretaria de Educação quanto à aptidão dos produtores rurais locais e regionais para atender as necessidades de consumo da rede municipal de ensino. A prefeitura já abriu o cadastramento dos agricultores familiares para fornecimento de itens às escolas no próximo ano.    

Alimento que nasce com propósito

Em tempos em que se discute tanto o impacto ambiental e a origem dos alimentos, Nova Friburgo mostra que é possível unir produtividade, responsabilidade e qualidade de vida. No Dia Mundial da Alimentação, o município celebra todo o esforço de centenas de famílias que, com as mãos no solo, ajudam a alimentar o estado inteiro.

O biólogo e professor do Colégio Estadual Rei Alberto I, no distrito de Campo do Coelho, Diogo Mattos (foto), observa que é importante ter consciência de que as refeições não são apenas comida. São uma decisão política, ambiental e social. “O poder de escolha do consumidor molda o sistema alimentar global — ou mantém o status quo. Optar por alimentos baratos, produzidos com muitos agrotóxicos e distante de sua origem é sustentar uma cadeia que degrada o solo, contamina a água e ameaça a biodiversidade. Por outro lado, escolher produtores conhecidos, produção orgânica, mercados locais e circuitos curtos de comercialização é apostar em um sistema alimentar mais justo, saudável e sustentável”, diz.

Ele também destaca o uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos utilizados na agricultura convencional, que causam contaminação no solo, água e ar, e são o motivo de perdas na biodiversidade, além do uso excessivo de água. A melhor opção são os alimentos orgânicos, que trazem benefícios à saúde, com menor exposição a resíduos tóxicos, e potencialmente níveis maiores de antioxidantes, vitaminas e minerais.

Diogo sugere ainda pequenas mudanças que podem surtir impacto, como pesquisar a origem dos alimentos que compramos e priorizar compras em feiras locais, mercados de agricultores, cooperativas, dar preferência a alimentos da estação, menos processados e apoiar políticas públicas que incentivem produção orgânica, certificação, acesso para produtores familiares.

“O Dia da Alimentação é oportunidade para refletirmos: qual sistema queremos sustentar? É fácil sentir-se impotente diante da escala do agronegócio global, mas cada escolha de compra, cada feira, cada produtor local apoiado, soma. Se mais pessoas fizerem isso, poderá haver um efeito dominó real: um sistema alimentar que respeite quem produz, quem consome, e o ambiente que sustenta tudo isso”, conclui.

 

                                                ( Arquivo Pessoal)

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Foto: Henrique Pinheiro

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