Eventos pré-COP aquecem o debate climático

domingo, 21 de setembro de 2025
por Isabela Braga*
Eventos pré-COP aquecem o debate climático

Com a proximidade da Conferência do Clima em Belém-PA, vários eventos pré-COP começam a aquecer as negociações e a abrir caminho para compromissos climáticos efetivos. Este ano, em particular, esses eventos oferecem uma oportunidade para que os países reflitam coletivamente sobre os dez anos de vigência do Acordo de Paris, avaliando seus desafios e oportunidades.

No início do mês, a Semana do Clima em Adis Abeba, na Etiópia, serviu para apresentar projetos e soluções para a crise climática no contexto africano. Na segunda quinzena de setembro, a agenda climática global ficará ainda mais movimentada. O tão esperado discurso do Brasil, que inaugura a reunião da Assembleia Geral da ONU em Nova York, acontecerá na próxima semana. A expectativa é grande, considerando o atual contexto geopolítico entre Brasil e Estados Unidos.

Paralelamente, ocorrerá a Semana do Clima de Nova York. Além de ser um momento importante no período pré-COP, esta edição tem a chance de expor o impacto das políticas negacionistas de Donald Trump no debate internacional sobre o clima. Embora Trump tenha retirado seu país do Acordo de Paris – e, portanto, de suas obrigações de redução de emissões –, o processo de saída leva um ano. Isso significa que os Estados Unidos podem, se quiserem, participar da COP no Brasil. De qualquer forma, muitos estados americanos apresentarão suas metas voluntárias de redução de emissões, independentemente do Governo Federal.

Sendo assim, mesmo que o governo Trump não apresente nenhuma meta, as contribuições individuais dos estados serão incluídas no cálculo do Balanço Global (Global Stocktake) de emissões. Conforme previsto no Acordo de Paris, o Balanço Global acontece a cada dois anos e ajudará a identificar as lacunas e oportunidades no progresso coletivo da ação climática mundial. Nesse contexto, espera-se que outro grande emissor apresente propostas nacionais de redução mais ambiciosas para compensar as emissões norte-americanas.

Portanto, as próximas semanas têm o potencial de unir esforços na construção de um documento que será aprimorado em Belém, abordando temas-chave da ação climática como adaptação, transição justa, financiamento e implementação. A grande preocupação com o sucesso da COP30 continua sendo doméstica, como a falta de hospedagem (apenas 79 países estão confirmados) e as obras atrasadas, que agora são afetadas por uma greve dos trabalhadores da construção civil de Belém. Os trabalhos finais do Parque da Cidade, palco das negociações, e das vilas de hospedagem para os chefes de Estado foram impactados. Resta saber o quanto essas questões afetarão o acordo final em Belém.

(*) Isabela Braga é bióloga e cientista climática.

 

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