​Ensinar o papa a rezar missa? Agora o brasileiro foi longe demais

Wanderson Nogueira

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Jornalista, cronista, comentarista esportivo, já foi vereador e agora é deputado. Ufa! Com um currículo louvável, o vascaíno Wanderson Nogueira atua com garra no time de A VOZ DA SERRA em Observatório, sua coluna diária.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018


Pelos próximos meses, a jornalista Laiane Tavares assina a coluna no lugar do titular Wanderson Nogueira. A Justiça Eleitoral determina que candidatos nas Eleições 2018 não podem apresentar, participar ou dar nome a programas de rádio e TV. A regra não se aplica aos órgãos impressos. Mesmo assim, o colunista e A VOZ DA SERRA, em comum acordo, optaram pela alteração neste período. Wanderson Nogueira volta a assinar o Observatório em outubro, após o período eleitoral.

 

Hoje é dia

  • da Lei do Ventre Livre

O dia

Em 28 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou por 441 votos a favor, a abertura de processo de impeachment contra Fernando Collor de Mello. O então presidente do Brasil foi afastado do cargo no dia 2 de outubro, Itamar Franco assumiu interinamente. Era o fim do primeiro mandato presidencial aprovado pela constituição de 1988.

Palavreando

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado.”
(Albert Einstein)

Observando

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Ensinar o papa a rezar missa? Agora o brasileiro foi longe demais

Depois de ensinar nazismo para os alemães e economia para o The Economist a nova vergonha nacional, dessa parcela da população brasileira que só aceita o mundo como deseja vivê-lo - e ignora qualquer noção de realidade e fatos - é ensinar cristianismo para o papa.

Em suas redes sociais Francisco divulgou uma mensagem de paz: “Rezemos para que no mundo prevaleçam os programas de desenvolvimento e não aqueles para os armamentos”. Acho bastante coerente que o líder de uma religião que tem como mandamento sagrado uma mensagem direta como “não matarás” seja contra as armas, um instrumento que não tem qualquer outra finalidade de existência que seja diferente de matar. Claro, na ilusão, muita gente deseja acreditar que a arma é apenas um instrumento de defesa, mas para se defender com ela, é preciso puxar o gatilho, e quando se puxa o gatilho, ela mata. Simples assim e difícil assim.

Não quero entrar no mérito dessa discussão sobre armamento, pelo menos não hoje. Quero apenas tratar sobre esse fenômeno de parte da nossa população que está nos inserindo em um contexto de vergonha alheia e vexame mundial. As recentes decisões do papa contra a pena de morte e seus posicionamentos combativos em relação ao armamento da população nada mais são do que um movimento de ‘retorno da igreja às fontes, autênticas, genuínas e puras da Escritura’, como elucida a teóloga Maria Clara Bingemer em artigo intitulado “Não Matarás – Papa Francisco e a pena de morte”. Bingemer nos lembra que “a lei mosaica já proibia atentar contra a vida humana.

O papa é o líder mundial da Igreja Católica, você pode descordar dos posicionamentos da igreja e também pode não seguir à risca o que ela prega, eu também não estou de acordo com todos posicionamentos da igreja, mas com certeza não vou ao Twitter do papa dizer para ele coisas como “você não é mais cristão”, “não conhece as escrituras”, “o papa não é católico”, só para citar alguns dos absurdos ditos lá por brasileiros.

Não faria isso porque entendo o fato de a religião ter seus dogmas. Ela foi construída e edificada com pauta e diretrizes, e se não sou obrigada a segui-las, então não me cabe contestar a lógica do catolicismo, apenas respeito, como respeito todas as outras religiões. Nós temos sim o direito de nos manifestar e de seguir uma vida diferente do que a igreja prega, mas o que a gente não deve fazer, por muitas questões, e principalmente porque é muito vergonhoso para o país, é achar que podemos ensinar o papa a rezar missa.  Tá na hora do brasileiro parar de querer mudar o mundo para se sentir mais confortável com suas decisões de voto.

Brasil assina acordo para garantir vacinas

Durante a 73ª sessão da assembleia geral das Nações Unidas, em Nova York, o Brasil firmou uma parceria para garantir que o país tenha acesso a diversos tipos de vacinas produzidas no mundo em situação emergencial. O acordo foi firmado pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi, com a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi Alliance), uma organização não governamental. O Brasil passa então a doar US$ 1 milhão por ano para a Gavi Alliance, o acordo também prevê que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan forneçam vacinas para a entidade internacional quando houver necessidade em outro local do mundo.

Foto da galeria
Mensagem do Papa Francisco publicada em sua conta oficial no Twitter
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