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Minha casa minha vida, na visão do ministro das Cidades

Max Wolosker
Max Wolosker
Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
O pobre continua como joguete nas mãos de políticos para os quais os fins justificam os meios. A condição de menos favorecidos muitas vezes advém de um ensino de baixa qualidade, em função dos baixos salários de professores, nas escolas públicas sejam estaduais ou municipais. Submetidos a uma jornada semanal extenuante, não têm tempo nem disposição para aprimorarem, através de cursos de extensão universitária, os conhecimentos adquiridos nos bancos das faculdades. Creio vir desse fato, o desnível entre os alunos da rede pública em relação aos da rede privada.
Aos moradores do Cônego e adjacências está sendo imputado o fato de não quererem conviver, nas proximidades do bairro, com pessoas de baixa renda quando, na realidade, trata-se de uma reação de cautela com as consequências que podem advir da proximidade com esse tipo de condomínio populacional. Infelizmente, para governadores e/ou prefeitos, atraídos pelas polpudas verbas que esses empreendimentos trazem no seu bojo, a tônica é sempre a mesma, entregam as obras e abandonam a população a sua própria sorte.
Mas, eis que surge uma voz, oriunda do seio do próprio governo federal, que aborda esse tema com muita propriedade. Reproduzo abaixo, trechos da matéria referente ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, no site senadonotícias, edição de 07/10/2025 cujo título é “Crime organizado em condomínios populares é epidemia”. Diz ela, nos três primeiros parágrafos: “O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, vai pedir o apoio do Ministério da Justiça e da Polícia Federal para expulsar facções criminosas de condomínios construídos pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Ele participou de uma audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) nesta terça-feira (7). Jader Barbalho Filho classificou como “uma epidemia” a presença de facções como Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital (PCC) e milicianos em residenciais entregues pelo Poder Executivo. Segundo o ministro, a pressão do crime organizado inibe a presença do Estado nos condomínios. ‘É uma epidemia. Na minha primeira entrega de residenciais no Minha Casa, Minha Vida, teve um empreendimento na Baixada Fluminense (RJ) em que minha assessoria foi ao residencial, mas não consegui entrar. Houve um diálogo com lideranças para que houvesse uma redução da pressão. Fui descobrir que a pressão partia do Comando Vermelho, que não permitia a entrada da Caixa e do Ministério das Cidades no residencial’”, revelou.
No Terra Nova, próximo a Conselheiro Paulino, de acordo com relato de moradores que ousam expressar a sua opinião, os postes de luz ostentam, em vermelho, as iniciais C.V. para deixar bem claro ser aquele local, reduto daquela facção. Como dito acima, o poder público construiu, assentou famílias necessitadas e as abandonou à própria sorte. Moradores, em sua maioria, dignos, honestos e trabalhadores são obrigados a conviver com narcotraficantes e serem submetidos às suas exigências.
E a matéria prossegue: “Questionado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), Jader Barbalho Filho disse que vai propor uma ‘ação conjunta’ ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele lembrou que organizações criminosas expulsam os moradores de condomínios do Minha Casa Minha Vida”.
“’No Rio de Janeiro, quando não é o tráfico, é a milícia. Tratando-se de organizações criminosas que estão espalhadas em todo o território brasileiro, por que não transferir para a Polícia Federal as investigações e as ações de retomada? Se é recurso federal, a Polícia Federal tem que assumir. Isso ocorre no Rio de Janeiro, no Maranhão, no Ceará, no Pará e em todo o país’, disse Carlos Portinho”.
Claro está que essa polarização de ricos contra pobres, interessa ao poder constituído, pois é uma maneira sutil de desviar a atenção da população para o âmago da questão. Uma verba de 24 milhões de reais é uma quantia vultosa que é muito bem-vinda a qualquer município. Aliás, o tema foi abordado, também, na matéria do senadonotícias, pelo ministro das Cidades criticando a estratégia de governadores e prefeitos que pedem dinheiro emprestado ao sistema financeiro para custear obras públicas. Segundo Jader Barbalho Filho, a pasta oferece linhas de financiamento mais baratas que não são acessadas por “pura desinformação” dos gestores estaduais e municipais. “Tudo o que acontece nas cidades pode ser financiado pelo Ministério das Cidades. Prefeitos e governadores não precisam se endividar, eles podem fazer um financiamento mais barato, que vai alcançar o mesmo objetivo. Disse ainda, que pagam juros mais altos e se endividam ao aderir a programas como o Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), da Caixa Econômica Federal. Temos disponíveis R$ 8 bilhões e todo ano, por desinformação e falta de projetos, devolvemos esse dinheiro. Se o município tiver capacidade de tomar financiamento, vai ter quatro anos de carência, para pagar a primeira parcela¸ com juros de 8% ao ano e prazo de 20 anos”.
Em Olaria, é preciso estudos bem feitos, por órgãos idôneos, sobre o impacto ambiental, fornecimento de água, eletricidade, saneamento e sobre as implicações advindas dos quase 600 novos moradores num bairro que, demograficamente, é o segundo do município. Além disso, está localizado próximo à Via Expressa, uma artéria imprescindível à ligação do Cônego e bairros adjacentes com o centro da cidade. A presença de pedestres nessa via, obrigatória para quem deseja acessar o bairro de Olaria, com certeza vai impactar a circulação de veículos que nela trafegam, colocando em risco a vida das pessoas.
Portanto, é necessária a discussão do projeto com profissionais gabaritados, preparados para opinar sobre um empreendimento tão complexo que pode estar criando um problema maior. Existem outros terrenos em Olaria, que poderiam diluir a construção desses 144 apartamentos, pois um número menor de moradores por projeto, inibiria a chegada do narco tráfico.

Max Wolosker
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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.
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