Pastoral Afro e seu importante protagonismo

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Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo.

terça-feira, 25 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

A pastoral Afro-Brasileira surgiu como fruto de um longo processo de conscientização e atuação de vários negros e negras que assumiram viver sua fé na Igreja, considerando a realidade da população afrodescendente no continente Latino-americano e, de modo específico, no Brasil.

O pós-concílio foi um marco histórico que facilitou a criação de novos agentes desta pastoral. Em 1979, a Conferência de Puebla deu passos novos em continuidade ao espírito do Vaticano II, mostrando a necessidade de uma atenção maior aos pobres e, em especial, aos negros e negras que vivem discriminados e em situações desumanas (Puebla, n. 34).

A Campanha da Fraternidade de 1988, com o tema: “Fraternidade e o Negro” e o lema: “Ouvi o clamor deste povo”, alavancou a questão dos negros, retratando a sua situação tanto econômica quanto educacional, e as grandes desigualdades decorrentes destes aspectos. Isto quer dizer uma menor oportunidade de emprego e renda inferior à das pessoas brancas, como destaca o texto-base da CF 88 (pp. 8-16). A Campanha da Fraternidade chamou atenção para as situações das mulheres, menores e jovens negros, vítimas da discriminação, marginalização e violência, presentes ainda nos dias atuais. Na verdade, falta no Brasil uma democratização racial, que estabeleça os mesmos direitos e dignidade a todas as pessoas, independente da cor de sua pele (cf. números 246 e 249 da Conferência de Santo Domingos).

O Documento 85 da CNBB trata da exigência de uma ação evangelizadora, com novos métodos e expressões, onde faça chegar a missão da Igreja a estas pessoas vítimas de um racismo e desigualdade, isto é, com Parresia (uma coragem que vem da fé). 

A Pastoral Afro se ocupa em acolher, entender e ouvir os clamores destas pessoas à luz da Palavra de Deus e da Tradição da Igreja, sobretudo valorizando as suas expressões culturais (Doc. 85 e 100 CNBB, 263-264). Ela se propõe sensibilizar a Igreja, e por ela, toda a sociedade, para o problema racial e as questões afrobrasileiras; dando visibilidade a esta pastoral no conjunto das ações pastorais da Igreja. Promover a integração e articulação das pessoas, ajudando a construir uma sociedade mais justa e solidária. É urgência de uma Igreja a favor da vida. Ela vai aonde ninguém quer ir. Esta é uma das urgências mais bonitas da nossa Igreja.

O que já tem sido feito na nossa Igreja? A Igreja já tem várias iniciativas para apoiar os afro-brasileiros, como a Romaria da comunidade negra a Aparecida do Norte, o Congresso Nacional de entidades negras católicas (Conenc), Instituto Mariama

(articulação de bispos, presbíteros e diáconos negros; ex.: Encontro dos bispos afrodescendentes na Assembleia dos bispos todos os anos); além de encontros regionais e diocesanos.

 Há muitos projetos e atuações pastorais Afro que acontecem não só no âmbito da Igreja, como por exemplo, a Educafro (Frei David, OFM), pois a Igreja está atenta às exigências da sociedade civil e solidária às reinvindicações dos movimentos populares; como o trabalho de padres e leigos junto aos remanescentes dos quilombos do Brasil, luta por bolsas para ingressos em universidades, etc.

O objetivo geral da Pastoral Afro é estruturar e fortalecer os grupos de reflexão sobre a questão racial no Brasil à luz da Palavra de Deus e dos Documentos da Igreja, criando e apoiando os grupos nas paróquias e nas dioceses (Documento de Aparecida, números: 89, 91, 532 e 533).

Não podemos deixar de recordar a importante Nota da

Pastoral Afro-brasileira sobre “vidas negras importam” (05/06/2020). A nota afirma que não é possível calar-se diante dos processos históricos de banalização e destruição das vidas dos negros e negras. A Igreja ensina e exige o respeito e o cuidado com a vida.

O Papa Francisco, por ocasião da morte de George Floyd, disse: “Não podemos tolerar nem fechar os olhos diante de nenhuma forma de racismo ou exclusão e pretendemos defender o caráter sagrado de toda vida(...) me uno a todos para rezar pelo descanso da alma de George Floyd e de todos aqueles que perderam suas vidas por causa do pecado do racismo” (Santo Domingos, n. 243).

Que este Dia da Consciência Negra, celebrado na última quinta-feira, 20, tenha contribuído para nos conscientizar sobre os passos importantes que ainda devemos dar para a superação do “racismo estrutural”, persistente em vários setores da nossa sociedade.

No ano jubilar da Esperança, renovemos nossos bons propósitos, a fim de sonharmos com um mundo mais fraterno e igual para todos, onde o racismo seja uma sombra do passado sem atravessar as futuras gerações; e que o futuro seja construído com as raízes da igualdade e respeito à dignidade de cada pessoa, independente da cor e raça.

D. Pedro Cunha Cruz, bispo de Nova Friburg

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