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Existe quantidade segura de álcool para o ser humano?

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
O Medscape é um site científico para médicos e, no último dia 3, publicou o artigo: “O álcool faz parte de um estilo de vida saudável?”, de Christopher Labos, cardiologista e epidemiologista, colunista do Montreal Gazette, rádio CJAD, CTV Montreal e CBC Morning Live. Vejamos novidades sobre o álcool que ele apresenta.
Ao longo do texto é comentado sobre novas diretrizes dietéticas que sugerem a redução do consumo de álcool para melhor saúde, desafiando a noção de efeitos cardioprotetores do álcool. A recomendação é consumir menos álcool para melhor saúde geral. Importante a abstinência para mulheres grávidas, pessoas que tomam medicamentos que podem interagir com o álcool ou as com problemas de vício.
Nos últimos anos vimos reportagens sobre o álcool como cardioprotetor. Também falavam sobre a descoberta paradoxal surpreendente de que os franceses tinham taxas mais baixas de doenças cardiovasculares do que os americanos, apesar de suas taxas mais altas de tabagismo e propensão para o estilo de vida de desfrutadores de comidas e bebidas.
O artigo explica que o vinho tinto deveria ser o ingrediente que fez essa mágica acontecer. Mas existem problemas com o paradoxo francês. Comparando dados americanos e franceses, os dois não necessariamente se alinham. As diferenças em como as mortes cardiovasculares são registradas nos dois países podem explicar em parte esse paradoxo. Alguns sugeriram que as taxas de doença cardíaca isquêmica na França podem ter sido subnotificadas, o que explicaria algumas diferenças.
Mas, e os estudos sobre os benefícios do álcool em doses baixas para o sistema cardiovascular? O problema com a maioria das pesquisas sobre o consumo de álcool é que não se pode controlar variáveis. O Dr. Labos afirma: “...o mais importante, as pessoas que não bebem álcool geralmente estão mais doentes do que a população em geral, porque essas pessoas nunca bebem. Essas pessoas geralmente são ex-bebedores... e ex-bebedores que têm uma série de condições crônicas que os forçam a desistir de suas bebidas...”
Fatores genéticos têm papel importante sobre o metabolismo do álcool. Cientistas estudando genética verificam que existe um gene ligado ao metabolismo do consumo do álcool (ALDH2), e quem tem mutação genética nesse gene, sofre prejuízo na capacidade de metabolizar o acetaldeído com mais rapidez, causando sintomas como rubor ao beberem álcool e bebem menos álcool, em média.
O resveratrol foi muito estudado porque seria a molécula benéfica para o coração. Alguns estudos com resveratrol não mostraram benefício. O vinho tinto tem pouco resveratrol. Você teria que beber centenas de litros de vinho tinto por dia para obter uma dose biologicamente importante de resveratrol, e isso o mataria.
Dr. Christopher afirma: “A longo prazo, porém, o álcool não é bom para você. Ele aumenta sua pressão arterial, ... e reduzir certamente ajudará você a controlar seus números. Reduzir o álcool pode diminuir a carga de fibrilação atrial. ... O álcool é diretamente tóxico para o músculo cardíaco. ... O álcool é cancerígeno. O álcool está ligado a vários tipos de câncer, incluindo o câncer de mama... E, ... obesidade.”
Ele termina o artigo dizendo: “Precisamos remover a noção de que o álcool é cardioprotetor. Não é. Também não há limite seguro para o álcool. Nossa orientação tem que mudar. A nova conversa não é sobre encontrar um limite seguro. É sobre os benefícios de beber menos. Precisamos fazer com que nossos pacientes troquem suas taças de vinho e canecas de cerveja por tênis de corrida. Eles vão nos agradecer a longo prazo.”
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Cesar Vasconcellos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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