Fevest: entre rendas e sonhos

Lucas Barros

Além das Montanhas

Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

quinta-feira, 11 de junho de 2026
por Lucas Barros

Há eventos que acontecem. E há eventos que são sentidos. A Fevest talvez pertença à segunda categoria. Durante alguns dias, Nova Friburgo parece vestir sua melhor roupa e lembrar ao Brasil aquilo que faz de melhor: transformar criatividade em trabalho, e trabalho em identidade.

Ao entrar nos pavilhões, a sensação não é apenas a de uma feira de negócios. É como atravessar uma pequena cidade construída de tecidos, luzes e expectativas. Os corredores se enchem de vozes, sotaques e histórias vindas de diferentes regiões do país.

Há compradores, empresários, representantes comerciais, estilistas, curiosos e visitantes. Há quem procure tendências. Há quem procure oportunidades. Há quem simplesmente queira entender como uma cidade serrana conseguiu se tornar referência nacional em um setor tão competitivo. E então aparecem as rendas.

Delicadas, leves e detalhadas, elas parecem carregar algo de poesia no corpo de quem veste. Não são apenas tecidos. São pequenas demonstrações de arte produzidas por mãos que raramente aparecem nas fotografias, mas que estão presentes em cada peça exposta.

As malhas ganham formas, texturas e cores. Os estandes se transformam em vitrines de criatividade. O olhar passeia por coleções inteiras enquanto a imaginação tenta acompanhar a velocidade com que a moda se reinventa.

Mas talvez o momento mais fascinante da feira aconteça quando as luzes da passarela diminuem. A música cresce lentamente. Os celulares se levantam. Os olhares se voltam para o mesmo ponto. Por alguns instantes, tudo parece desacelerar enquanto o desfile começa a desenhar sua própria narrativa diante do público.

As modelos entram em cena. E o mais bonito é perceber que já não existe uma única forma de representar a beleza. Mulheres de diferentes corpos, cores, alturas e estilos ocupam a passarela com naturalidade e elegância que Nova Friburgo sabe fazer. Cada uma carrega sua própria presença.

Tem a miss Maiara Braga que abre o desfile. Tem a modelo iniciante que vive o início de um sonho. Algumas caminham com firmeza. Outras parecem deslizar sobre a luz. Algumas sorriem discretamente. Outras mantêm um olhar concentrado. Todas transformam o desfile em algo maior do que uma simples apresentação de produtos.

A passarela se torna quase um retrato do mundo real. Porque a beleza nunca esteve na uniformidade. Ela sempre esteve na diversidade. Na soma das diferenças. Na capacidade de enxergar encanto em múltiplas formas de existir.

Os bastidores

Enquanto isso, atrás das cortinas, acontece outro espetáculo. No backstage há movimento constante. Maquiadores trabalham diante dos espelhos. Produtores conferem horários. Alguém procura um acessório. Outro ajusta uma peça poucos segundos antes da entrada na passarela.

É uma correria organizada. Um caos elegante – cansativo, mas recompensador. Um universo invisível para quem está sentado na plateia, mas absolutamente essencial para que tudo aconteça com perfeição. E talvez seja justamente ali que mora a verdadeira essência da Fevest.

Porque Nova Friburgo também funciona assim. Enquanto muitos enxergam apenas o produto, existe uma multidão trabalhando nos bastidores. Há costureiras, modelistas, designers, revisores, técnicos de som e iluminação, vendedores e empreendedores construindo, cada um, diariamente essa história.

A moda íntima friburguense não nasceu pronta. Ela foi costurada ao longo de décadas. Ponto por ponto. Empresa por empresa. Família por família. Por isso, a Fevest não celebra apenas produtos. Ela celebra pessoas.

Celebra quem apostou em um sonho quando tudo ainda era pequeno. Celebra quem enfrentou crises econômicas, mudanças de mercado e dificuldades para manter portas abertas. Celebra quem ajudou a transformar Nova Friburgo em uma referência nacional. Há algo de bonito em observar tudo isso acontecendo ao mesmo tempo.

Uma feira de tecidos e esperança

Enquanto as montanhas cercam a cidade do lado de fora, dentro dos pavilhões circulam ideias, negócios e perspectivas de futuro. A feira é feita de tecidos, mas também de esperança. E talvez seja justamente por isso que ela deva ser vista como algo ainda maior.

Mais do que uma vitrine de produtos, a Fevest pode ser uma vitrine de futuro. Um espaço para discutir inovação, tecnologia, qualificação profissional e caminhos para fortalecer um setor que movimenta milhares de famílias.

Afinal, as luzes da passarela se apagam. Os visitantes retornam para casa. Os estandes são desmontados. Mas a indústria permanece aqui. E é por isso que a Fevest precisa continuar sendo um lugar de celebração, mas também de construção. Um ambiente onde se pense o amanhã com a mesma dedicação com que se produz cada coleção.

Isso porque as rendas encantam. Os desfiles impressionam. Os flashes registram momentos inesquecíveis. Mas o que realmente sustenta essa história é aquilo que permanece quando a feira termina.

E o futuro da moda íntima friburguense merece mais do que politicagem e duradouros discursos diante da multidão. Merece inovação, planejamento e políticas públicas capazes de garantir que Nova Friburgo continue vestindo o Brasil por muitas gerações.

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Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

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