O percentual registrado em Nova Friburgo na última Operação Lei Seca realizada na sexta-feira passada, 31 de outubro, e sábado, 1º, reforça uma tendência observada nos últimos meses: o aumento considerável nos caos de alcoolemia. Pelo menos 95 condutores foram abordados em diferentes pontos da cidade. Destes, 14 foram autuados por dirigir sob influência de álcool ou por se recusarem a realizar o teste do bafômetro. O índice local, de 14,7%, ficou acima da média registrada em todo o Estado do Rio de Janeiro no mesmo período, que foi de 12,9%. Em todo o estado, a Operação Lei Seca realizou 31 ações entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro, abordando 3.016 motoristas e autuando 388 em vários municípios fluminenses. A intensificação das blitzes faz parte de um conjunto de medidas de reforço à fiscalização em períodos de maior movimentação nas rodovias e áreas urbanas.
Em julho, Nova Friburgo apresentou o maior índice de alcoolemia entre todos os municípios fluminenses monitorados no período. Já em agosto, 30 motoristas foram autuados em 248 abordagens, resultando em uma taxa de 12,1%. Segundo a coordenação da Operação Lei Seca, o aumento do número de testes realizados também contribui para que mais casos sejam identificados, mas o comportamento de parte dos condutores permanece como principal fator de preocupação.
Dirigir sob efeito de álcool é infração gravíssima. A penalidade inclui multa superior a R$ 2.900 e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses. Caso o motorista apresente nível de alcoolemia que configure crime de trânsito, ele pode ser conduzido à delegacia e responder criminalmente.
A coordenação da Operação Lei Seca informou ainda que as ações continuarão sendo intensificadas, especialmente em feriados prolongados e fins de semana. O objetivo é reduzir acidentes e preservar vidas.
A recomendação das autoridades é clara: quem beber, não deve dirigir. Alternativas como táxi, aplicativo de transporte ou carona com alguém que não tenha ingerido bebida alcoólica são apontadas como opções seguras para evitar tragédias e penalidades.
Motos: um perigo constante
De acordo com a PM, somente no primeiro trimestre deste ano, 72,03% dos acidentes de trânsito registrados no Estado do Rio de Janeiro envolveram motocicletas. Os pilotos são as maiores vítimas do trânsito e a eles foi destinada grande parte das ações da campanha Maio Amarelo, de conscientização sobre a segurança no trânsito e que teve como tema “Desacelere. Seu bem maior é a vida”.
De janeiro a março deste ano, por exemplo, os bombeiros foram acionados para 6.261 ocorrências de colisão entre carros e motos; 3.897 quedas de moto; e 996 acidentes entre motos nas vias fluminenses. Os dados foram revelados no início de agosto, a partir de balanço da Operação Lei Seca em julho, por exemplo, mais da metade dos motoristas abordados nas blitzes realizadas em Nova Friburgo, estavam alcoolizados.
A constatação contraria a tendência de queda estadual nas infrações da combinação perigosa álcool e direção identificadas nas blitzes de rotina. O município registrou um dos percentuais mais altos de motoristas alcoolizados do estado: 51,67% dos motoristas estavam dirigindo sob efeito de álcool. O dado alarmante vai na contramão da média estadual, que apontou para uma redução de 16,6% nas autuações por embriaguez ao volante, mesmo com aumento de quase 20% nas abordagens em relação ao mesmo mês do ano passado.
Acidentes em alta em Friburgo
Além da alta taxa de alcoolemia, Nova Friburgo também registrou crescimento nos acidentes de trânsito no primeiro semestre de 2025. Dados do Corpo de Bombeiros mostram aumento de 4,25% nas ocorrências com motocicletas e de 6,84% nas colisões entre veículos. Já os capotamentos cresceram 62,5%, subindo de oito casos em 2024 para 13 neste ano.
Especialistas e autoridades apontam a necessidade de ampliação de campanhas educativas e a manutenção das blitzes da Operação Lei Seca e outras ações em parcerias com as prefeituras fluminenses, através dos seus órgãos de trânsito e a PM. Para eles, a interiorização da Operação Lei Seca deve ser ainda mais intensificada, com ações que combinem fiscalização e educação.
Imprudência e falta de atenção
Segundo dados do sistema Sisgeo, do Corpo de Bombeiros (CBMERJ), até meados de outubro, 66% das ocorrências no trânsito envolveram colisões, capotagens e quedas de motociclistas e ciclistas. A saga de acidentes nos últimos cinco anos não para de surpreender motoristas e pedestres, cada vez mais inseguros no direito de ir e vir, pelas ruas da cidade, “especialmente com o crescimento da frota circulante no município”.
As colisões seguem como o tipo de ocorrência mais comum. Foram 305 registros em 2021, número que saltou para 432 em 2025, um aumento de mais de 40%. As capotagens passaram de 26 para 51 no mesmo período. Já os acidentes com queda de motos e bicicletas subiram cerca de 30%, o que acende um alerta das autoridades sobre a segurança viária.
A comandante do 6º Grupamento de Bombeiro Militar de Nova Friburgo, tenente-coronel Michelle Dias, afirmou em entrevista ao G1, há duas semanas, que o crescimento tem relação direta com a alta no número de veículos, especialmente motos, que representam 66% dos acidentes registrados em 2025.
“O aumento de motocicletas circulando nas vias é um dos principais fatores. Também observamos muita imprudência e falta de atenção por parte dos condutores”, disse. Ela destacou ainda que a Avenida Governador Roberto Silveira concentra cerca de 20% dos atendimentos feitos pelos bombeiros, a maioria envolvendo motociclistas, por quedas ou colisões.
Apesar do aumento nas ocorrências, a comandante afirmou que não há um horário específico para os acidentes. Segundo ela, o Corpo de Bombeiros tem conseguido atender à demanda, inclusive nos fins de semana, quando os chamados aumentam. “Quando há eventos simultâneos, nossas guarnições são divididas. E, se necessário, contamos com o apoio do Samu”, explicou.
Resumo de um fim de semana
É nas madrugadas de fim de semana que ocorre o maior número de acidentes: num domingo, 19 de outubro, por exemplo, um carro bateu em um poste na Via Expressa, interditando as duas pistas por mais de duas horas. O condutor, de 25 anos, teve ferimentos leves e foi encaminhado ao Hospital Raul Sertã. No mesmo dia, um jovem de 20 anos perdeu o controle do veículo na Avenida Comte Bittencourt, próximo à Igreja Luterana. Apesar do impacto, ele recusou atendimento.
No sábado seguinte, foram registrados dois capotamentos: um na RJ-116, em Debossan, e outro na Avenida Engenheiro Hans Geiser. O tempo instável e a pista molhada teriam contribuído para os acidentes, que causaram congestionamentos. E no bairro São Jorge, no distrito de Conselheiro Paulino, um casal precisou ser retirado de um carro após uma batida semelhante à registrada no mesmo ponto uma semana antes, sem maiores consequências para as vítimas.
E assim, continuamos registrando — dia sim, outro, às vezes, também —, colisões, quedas de veículos no rio Bengalas, atropelamentos, pessoas feridas com e sem gravidade, e muitas vezes, mortas no local.

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