Estado do Rio tem queda na vacinação contra a Poliomielite

Estado não atinge o índice recomendado de 95% desde 2016. Em Nova Friburgo, menos de 58% das crianças com mais de 1 ano receberam o reforço
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

No último dia 24 foi celebrado o Dia Mundial de Combate à Poliomielite (paralisia infantil). Pelo décimo ano consecutivo, o Brasil lidera o ranking mundial de ações voltadas ao enfrentamento da doença, segundo informou o Rotary Clube. Até o momento, 898 projetos para erradicação da pólio foram inscritos no país, o que representa cerca de 30% do total global, de 3.098 iniciativas. Na sequência do ranking estão Estados Unidos (448 iniciativas), Nigéria (274), Peru (258) e México (162).

O Rotary promove em todos os seus clubes de serviço espalhados pelo Brasil as ações permanentes #EndPolioNow, #ElimineaPólioAgora e #JuntosContraAPólio. Cada projeto reúne histórias de esperança pela erradicação da doença que ainda necessita atenção dos pais e responsáveis pelas crianças. 

Apesar das ações para o combate e prevenção à pólio, o Estado do Rio de Janeiro, infelizmente, ainda enfrenta queda na cobertura vacinal mesmo não registrando casos da doença desde 1987. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ), a baixa adesão às campanhas de vacinação vem sendo registrada há, pelo menos, nove anos, com números que seguem em declínio. 

A meta do Programa Nacional de Imunização (PNI) é de 95%, mas o estado não atinge o índice desde 2016. No ano passado, a cobertura chegou a 81%, bem abaixo do esperado e agora, em 2025, a cobertura vacinal nos menores de 1 ano de idade está em 71,86%. O reforço para crianças com mais de 1 ano chegou a 70,09% em todo o estado, até 1º de agosto. 

Até 2015, os resultados no Estado do Rio eram melhores, com 100,03% de cobertura. A partir de 2016, iniciou-se a queda progressiva, e em 2021 foram registrados os piores números: 55,81% entre crianças de até 1 ano e 45,86% entre aquelas de 15 meses, que deveriam receber a segunda dose da vacina.

Nova Friburgo bem abaixo da meta 

Em Nova Friburgo, mesmo com campanhas permanentes de imunização infantil, a Secretaria Municipal de Saúde informou que, de acordo com dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), a cobertura vacinal contra a poliomielite no município atualmente é de 63,58% para a dose injetável (VIP) aplicada em crianças menores de 1 ano de idade, e de 57,88% para o reforço aplicado a partir de 1 ano.

A Secretaria reforça que vem promovendo periodicamente ações de incentivo à vacinação infantil, com estratégias contínuas de multivacinação nas unidades básicas de saúde. Para mais informações, a população deve procurar a unidade mais próxima da sua residência, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30. 

A vacinação é disponibilizada nos postos Tunney Kassuga, em Olaria; Ariosto Bento de Mello, no Cordoeira; José Copertino Nogueira, em São Geraldo; Waldir Costa, no distrito de Conselheiro Paulino, e no posto Sílvio Henrique Braune, que devido à obras de reforma está funcionando na antiga clínica Ecocard, na Rua General Osório, 191. 

Método da vacinação 

Atualmente, a vacinação é feita por meio da VIP (Vacina Inativada Poliomielite), que substituiu a VOP (Vacina Oral Poliomielite), popularmente conhecida nas campanhas do personagem Zé Gotinha. A VIP passou a ser aplicada em 2024, por ser considerada mais segura e eficaz, já que utiliza o poliovírus inativo, eliminando o risco de casos derivados da própria vacina.

O que é a Poliomielite

A poliomielite, também chamada de paralisia infantil, é uma doença infecciosa e contagiosa causada pelo poliovírus, que pode afetar tanto crianças quanto adultos. A transmissão ocorre pelo contato com fezes, alimentos, água ou secreções respiratórias contaminadas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e garganta, vômitos, espasmos, dor na nuca, meningite, entre outros. Em casos mais graves, o vírus pode deixar sequelas como dificuldade de locomoção, diferença no crescimento das pernas, escoliose, osteoporose, paralisia dos membros inferiores e até comprometimento dos músculos da fala e deglutição.

O tratamento é realizado com fisioterapia e exercícios, para fortalecer os músculos afetados, além do uso de medicamentos para aliviar dores musculares e articulares.

 

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