Operação Hawala cumpre mandado de busca em Friburgo

Investida da Polícia Civil e do MP mira esquema que teria "lavado" mais de R$ 100 milhões do tráfico de drogas
quinta-feira, 16 de julho de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Operação Hawala cumpre mandado de busca em Friburgo

A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram, na quarta-feira, 15, a Operação Hawala, contra um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado pelo menos R$ 100 milhões do tráfico de drogas. Pelo menos dez pessoas foram presas. Os agentes cumpriram outros 37 mandados de busca e apreensão em municípios dos estados do Rio e São Paulo, em Foz do Iguaçu-PR e em uma loja de celulares, no centro de Nova Friburgo. 

A movimentação dos agentes na loja durante a manhã de quarta-feira despertou a curiosidade de muitos transeuntes. “Durante as apurações, os agentes identificaram uma possível conexão do grupo investigado com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda”, afirmou a Polícia Civil fluminense.

Segundo as investigações, o esquema prestava serviços à facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) e ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

A operação foi coordenada por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP. A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do estado (TJ-RJ) também impôs medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens e de participações societárias. O Gaeco denunciou 22 pessoas no total. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira aceitou integralmente a denúncia, tornando todos réus.

Como foi a investigação

A investigação começou na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que descobriu uma loja “multimarcas” sediada no Complexo de São Carlos, na região central da capital fluminense, e vinculada à cúpula do TCP que vendia itens falsificados e recebia eletrônicos roubados.

A especializada rastreou os donos dessa firma e encontrou uma rede de dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados e criadas para escoar o dinheiro do tráfico. O grupo também utilizava o smurfing, depósitos fracionados em espécie para burlar mecanismos de controle.

Durante as diligências, os agentes identificaram ainda um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos.

“As investigações também identificaram elementos que indicam a atuação de integrantes desse núcleo na região conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina), área que, segundo organismos nacionais e internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, é historicamente monitorada como um importante polo de operações financeiras e logísticas de grupos terroristas”, disse a polícia.

Suspeita de ligação com operador da Al-Qaeda

Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control, órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de punições econômicas.

“De acordo com as informações levantadas, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Esse vínculo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação”, declarou a Polícia Civil. 

 

(Com informações do portal G1

 

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