Declaração de secretário sobre vinda da Itapemirim repercute

Pierre Moraes reiterou que nova empresa de ônibus que atuará em Friburgo não visa a lucro
terça-feira, 15 de junho de 2021
por Christiane Coelho (Especial para A VOZ DA SERRA)
Passageiros com máscaras pegam ônibus em Friburgo (Foto: Henrique Pinheiro)
Passageiros com máscaras pegam ônibus em Friburgo (Foto: Henrique Pinheiro)

Na última sexta-feira, 11, o secretário de Governo da Prefeitura de Nova Friburgo, Pierre Moraes, ao ser entrevistado no programa Painel, da TV Zoom, sobre o futuro do transporte coletivo no município, disse que o Grupo Itapemirim, escolhido pela prefeitura para assumir a operação das linhas urbanas de ônibus em Nova Friburgo através de um contrato emergencial de um ano, não espera ter lucro na operação. A declaração causou inúmeros comentários nas redes sociais durante o último fim de semana. Na atração, participaram também o ex-diretor da Friburgo Auto Ônibus (Faol) e atual diretor da Rio Ônibus, Paulo Valente, e o professor e ex-vereador, Jorge de Carvalho.

Logo no início do programa, a apresentadora questionou Pierre qual teria sido a “mágica” do Grupo Itapemirim ter apresentado a melhor proposta à prefeitura, inclusive, com valor inferior do atual cobrado pelas passagens e do subsídio mensal a ser pago pela prefeitura. Pierre informou que a nova empresa expôs questões operacionais, que não eram apresentadas pela Faol até então, o que resultará a uma redução no valor das passagens para os usuários. “A Itapemirim está entrando no mercado de transporte público coletivo. Ela vem para Friburgo para projeção de sua própria marca. Nova Friburgo será uma vitrine do serviço urbano da Itapemirim. Eles não estão vindo atrás de lucro. Se fizer o zero a zero está bom”, disse Pierre, causando repercussão.

Durante o programa, o diretor da Rio Ônibus, questionou sobre a sobrevivência financeira da Itapemirim em Nova Friburgo, caso não tenha lucro. “A empresa que está entrando não visa a lucro? Ela vai entrar em recuperação judicial de novo, porque a empresa que não tem lucro, quebra”, observou Valente. 

Questionada sobre essa declaração de Pierre Moraes na TV, a prefeitura emitiu uma nota informando ser “evidente que o Grupo Itapemirim, assim como qualquer empresa em qualquer área de atuação, visa, sim, a lucro em suas operações. Na ocasião, o secretário de Governo explicou como seria possível a empresa recuperar investimentos da ordem de R$ 65 milhões num contrato de até um ano de duração, e sua resposta refletiu o que foi dito pela própria empresa. Há mais de um ano a Itapemirim vem anunciando os planos de entrar no mercado de ônibus urbanos. É natural que ela pretenda participar da licitação que será realizada ao término do contrato emergencial, e assim possa estabelecer uma relação de longo prazo com Nova Friburgo. Todavia, a empresa não depende do resultado desta licitação para obter retorno para o investimento que está sendo feito, justamente porque já participa de licitações em outras praças, e parte significativa da estrutura reunida para a prestação do serviço em Nova Friburgo poderia ser realocada e reaproveitada em outros municípios caso o serviço não venha a ser continuado ao término do contrato em caráter emergencial. O que a empresa diz, e que o secretário reproduziu, é que dentro da estratégia montada pelo Grupo Itapemirim, Nova Friburgo cumpre o papel de vitrine do serviço que pretende prestar em diversos municípios brasileiros.”

Pagamento pelo serviço prestado pela Faol

A Prefeitura de Nova Friburgo informou que nesta terça-feira, 15, fará o depósito de R$ 300 mil para a empresa Faol, referente ao subsídio da prestação do serviço de transporte público nos últimos 30 dias. Esse valor faz parte da decisão judicial  da juíza da 3ª Vara Cível de Nova Friburgo, Paula Teles, que concedeu uma liminar determinando que a empresa Friburgo Auto Ônibus continuasse a prestar o serviço público de transporte urbano coletivo de passageiros no município, por dois meses, além da data da entrega da concessão, 15 de abril. 

A decisão da juíza refere-se a uma ação civil pública movida pela Prefeitura de Nova Friburgo contra a empresa Faol. Em nota, a prefeitura informou que “a decisão liminar da 3ª Vara Cível que determinou o pagamento de auxílio mensal de R$ 300 mil mensais estabeleceu que a transferência deveria se dar “pro rata” ao período pelo qual o serviço foi efetivamente prestado. Ou seja, de forma proporcional aos dias em que o serviço foi efetivamente prestado. A interpretação da prefeitura, portanto, foi a de que deveria aguardar pelo término do período para que pudesse efetuar a transferência, a fim de que seja possível respeitar essa proporção. O pagamento, portanto, será realizado nesta terça-feira, 15 de junho.”

 

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