A falta de sinalização em Nova Friburgo é uma das principais queixas da população e trata-se de um problema que atravessa anos sem solução definitiva. A ausência de placas informativas, de trânsito ou mesmo de identificação de bairros, compromete a mobilidade, gera confusão para visitantes e atrapalha o próprio planejamento da cidade. Em meio a essa carência, uma iniciativa comunitária no bairro Parque Dom João VI, na região da Ponte da Saudade, se tornou exemplo de organização e cidadania.
A União dos Moradores (UDM) transformou um antigo sonho em realidade ao instalar placas informativas pelo bairro. O projeto, planejado e executado pela própria comunidade, inclui sinalizações que apresentam os limites territoriais, a população local, além de mensagens de boas-vindas e valorização de Nova Friburgo.
“A implementação dessa ação foi a realização de um sonho para nós da União dos Moradores. Há muitos anos lutamos, sempre por meios legais e de forma enérgica, por um melhor planejamento, gestão e organização do nosso bairro. Agora conseguimos alinhar informação e cidadania à nossa região”, destaca a associação.

Reconhecimento oficial
A oficialização do Parque Dom João VI ocorreu em 2019, por meio da lei municipal 4.692, que redefiniu as delimitações de distritos, bairros e vilas de Nova Friburgo. Desde então, a região, composta pelos loteamentos Parque Dom João VI e Parque Imperial, passou a figurar oficialmente como bairro. Hoje, faz divisa com Ponte da Saudade, Varginha, Catarcione e Ypu, com contato direto por via terrestre com os dois primeiros.
Primeiros passos em 2018
Mesmo antes disso, em 2018, a associação já havia dado os primeiros passos ao instalar placas com o nome do bairro na via principal, que recebe três designações diferentes: Alameda do Lago, Alameda do Canal e Rua Dom Pedro II. A medida ajudou na orientação de moradores e visitantes, além de abrir caminho para a atual iniciativa de sinalizar as divisas.
Outro ponto importante foi o apoio de dados oficiais. Pela primeira vez, o Censo 2022 do Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística (IBGE) trouxe informações específicas por bairros. A UDM utilizou essas estatísticas para embasar o projeto e acrescentou nas placas informações sobre o quantitativo de moradores e um mapa ilustrativo do território.
Duas placas, um mesmo objetivo
O trabalho resultou em dois tipos de sinalização: uma de boas-vindas, com mapa, população e mensagem de cuidado com a cidade, e outra voltada para a demarcação de fronteiras, especialmente com Ponte da Saudade e Varginha.
Exemplo para toda a cidade
O exemplo do Parque Dom João VI mostra que, mesmo diante da ausência de sinalização adequada em todo o município, o engajamento comunitário pode fazer diferença. Mais do que placas, a iniciativa fortalece a identidade do bairro, promove cidadania e chama atenção para a necessidade de políticas públicas mais eficientes na área de mobilidade e organização urbana.

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