Como se libertar da culpa da produtividade e abraçar o descanso para o seu bem-estar

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 09 de julho de 2026
por Cesar Vasconcellos

Com esse título o site verywellmind.com publicou um artigo no último dia 6, de autoria da jornalista Naydeline Mejia, que faz mestrado em Comunicações Globais na Universidade Americana de Paris. Vamos ver algumas ideias dela e as que penso sobre o assunto interessante numa sociedade que idolatra a produtividade.

Certa vez um empresário asiático de indústria de celulares ficou irritado quando lhe foi sugerido programar uma pausa de 15 minutos em sua fábrica para os funcionários participarem de um exercício físico de relaxamento. Ele pensava que 15 minutos sem produção iria diminuir bem o número de celulares montados e, com isso, o lucro cairia. Mas, resolveu ver o que iria acontecer. Resultado: os funcionários se sentiam mais relaxados após o exercício e a produção aumentava.

Num mundo capitalista é difícil não se sentir culpado por não fazer nada. “Mas – diz Naydeline – a verdade é que o descanso pode ser produtivo porque ajuda a prevenir o esgotamento e apoia o bem-estar geral. Como uma super realizadora crônica, levei muito tempo para aprender a superar minha culpa por não fazer nada e construir crenças mais saudáveis em torno do trabalho e do descanso.”

Muitos sofrem por embarcarem na ideia falsa de que seu valor está no que produzem. Com essa crença psicológica eles podem viver numa autoexigência cruel, não priorizando sua saúde e, com isso, adoecendo em algum momento. Um dos diagnósticos que pode surgir é a Síndrome de Burnout ou de Esgotamento. Quer algumas dicas de como priorizar o autocuidado para não esgotar?

  1. Encare o descanso como recuperação produtiva: você pode crer que fazer algo sem recompensa financeira é inviável. Porém, o descanso é produtivo. Não foi sem propósito que o Criador do Universo fez o mundo em seis dias, descansou e abençoou o sétimo dia, o sábado. A ciência cronobiologia estuda o ritmo circaceptano, o ritmo de sete dias. O descanso é um investimento para nossa saúde e desempenho no trabalho e estudos. Não é perda de tempo.

  2. Redefina a produtividade além da produção: quando você, por exemplo, usa uma hora diária para exercício físico, como caminhar, isso é produção. Você produz para seu corpo e cérebro. Parar para orar, meditar, contemplar, acalma a mente.

  3. Separe sua autoestima do trabalho: a maioria das pessoas sente algum nível de vergonha ou culpa ao não estar produzindo. A jornalista explica que quando você amarra sua autoestima ao seu cargo ou resultado de trabalho, joga um jogo perigoso porque pode se sentir bem quando está superando seus colegas e sendo elogiado por seu trabalho árduo, mas se sentir mal quando está com baixo desempenho ou sendo esquecido pelos colegas. Não construa seu autorrespeito pelo que faz, mas pelo que você é, um ser humano único.

  4. Lidar com a culpa: ao se sentir culpado por não estar produzindo porque precisa descansar, evite os pensamentos de autocobrança, autodepreciação. Esses pensamentos podem levar ao aumento da ansiedade, causar estados depressivos e desânimo. Se você é responsável em seu trabalho, não é culpa verdadeira parar para descansar. É cobrança exagerada e culpa falsa.

Naydeline Mejia termina seu artigo afirmando: “... lembre-se de que não há problema em descansar e fazer as coisas que reabastecem seu corpo. Mesmo que não seja reconhecido externamente, é produtivo por si só.”. Descanse.

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Cesar Vasconcellos de Souza

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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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