Eras tu, Senhor? A evangelização em forma de fraternidade

A Voz da Diocese

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Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo.

terça-feira, 10 de março de 2026
por Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça*

Parte 2

Fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Se sempre pensássemos e sentíssemos assim em nossos corações, não nos esquivaríamos mais dos irmãos necessitados, não driblaríamos as nossas responsabilidades. Não aceitaríamos passivos a exploração dos mais pobres e fracos. Nem o engano e a manipulação dos ingênuos e iletrados.

Lutaríamos cristã e democraticamente pela partilha da terra, da renda, do pão, da instrução, na mesma  espiritualidade  do repartir do abraço, da fé e do coração. Amaríamos mais, sem dúvida, a verdade, sem coligações, nem vínculos, sem omissão. Mediríamos as palavras, os juízos, os rótulos que impomos às pessoas. Saberíamos nos colocar no lugar do menino com fome, da mulher marginalizada, do pai e mãe de família desempregados, das pessoas em moradias precárias, sem teto, nas ruas, sem água, sem saneamento básico, sem energia elétrica, enfermas sem atendimento digno de saúde, dos idosos abandonados, de tantos excluídos e seus problemas, privados da educação e da cultura, dos direitos e da vida digna.

  Você já experimentou alguma situação desta? Alguém o ajudou? O que você sentiu? Conforto, segurança, salvação, alegria, gratidão? Seja, então, este alguém para o outro! Faça aos irmãos o que gostaria de receber. O outro é você que também quer ser feliz, se libertar e exercer seus direitos. Da mesma dignidade do seu coração, a imagem do Homem Perfeito , Deus que se encarnou e se fez dom e serviço à nossa pobreza até a cruz. O outro é Jesus.

   Que o Pobre de Nazaré nos dê coragem de sairmos do nosso comodismo e do acúmulo de preocupações com o nosso bem estar e conforto. Que Ele nos desinstale do nosso egoísmo e nos dê olhos para vermos as carências urgentes dos nossos irmãos mais pobres para nos esforçarmos em atendê-las, levando-os à promoção humana, distintivo indispensável da evangelização, como afirmava São Paulo VI e com sua intercessão. E que o Verbo Encarnado que se esvaziou de tudo, até da glória divina, se fez homem servo e despojado e deu a sua vida por nós, nos mantenha em sua Kénosis e que sempre nos lembre no ensinamento social de sua Igreja que o que excede as nossas necessidades de vida digna, é de direito natural daquele que carece, na dimensão da justiça distributiva. 

Assim, não haverá mais pessoas excludentes nem excluídas. Seremos todos irmãos , conforme o plano divino, na comunhão dos dons, na justa partilha dos bens que o Senhor criou para todos, na verdadeira comunicação missionária que começa na fraternidade, no amor solidário e se desenvolve na verdade de uma ação transformadora cristã do mundo que, pelo caminho justo e caridoso, plantará a paz.

*Padre Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça é chanceler da Diocese de Nova Friburgo

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