Artivismo e educação ambiental

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

Alex Santos

Prosa Sustentável

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Quando a arte se torna ferramenta de transformação

Opa! Tudo verde? Bora pra mais uma prosa sustentável!
Em meio à deslumbrante natureza no alto do Teleférico de Nova Friburgo , eu desenvolvo, junto à EcoModas, um espaço onde arte, sustentabilidade e educação ambiental se encontram de forma concreta e acessível: o Jardim da Reciclagem. Mais do que um ambiente expositivo, o local vem se consolidando como um território de “artivismo” — um movimento que une arte e ativismo socioambiental para provocar reflexão, mudança de comportamento e impacto positivo.
As obras presentes no jardim são criadas, em sua maioria, por mim e, em muitos casos, busco algum profissional que possa executar algo que eu não consigo fazer. Com um olhar atento às possibilidades e à ressignificação dos materiais, utilizo itens descartados como extintores antigos, mangueiras de incêndio sem uso, plásticos, metais e objetos encontrados em caçambas pelas ruas. Cada escultura transforma aquilo que seria lixo em narrativas visuais que falam sobre consumo, natureza, biodiversidade e responsabilidade coletiva. É onde a arte deixa de ser apenas estética e passa a escoar com propósito.
 
O que é artivismo e onde ele nasceu
O termo artivismo surge da junção das palavras arte e ativismo e ganha força a partir da segunda metade do século XX, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, em meio a movimentos sociais, ambientais e políticos. Desde então, essa linguagem se espalhou pelo mundo por sua capacidade de dialogar com públicos diversos, ultrapassando barreiras acadêmicas e técnicas.
Seu principal objetivo é provocar consciência e engajamento, utilizando a arte como um meio de comunicação direto, sensível e crítico. Diferente da arte contemplativa tradicional, o artivismo convida o observador a refletir sobre seu papel no mundo e sobre os impactos de suas escolhas cotidianas. No contexto ambiental, tornou-se uma ferramenta poderosa para abordar temas como crise climática, poluição, descarte inadequado de resíduos, preservação da biodiversidade e economia circular.
 
O Jardim da Reciclagem
No Jardim da Reciclagem da EcoModas, o artivismo assume uma função educativa clara. Ali está o ExtintoVivo, um boneco criado com cinco extintores de incêndio e um aspirador de pó queimado. É sempre marcante observar a reação das pessoas que param para fotografar ao lado da obra, muitas vezes surpreendidas ao descobrir os materiais que a compõem.
Também fazem parte do espaço três Minions construídos com pneus reutilizados, que alegram o ambiente e arrancam gargalhadas das crianças, além dos Iluminaldos — duas lâmpadas queimadas fixadas em tubos plásticos (que enrolam tecidos das confecções de lingerie da cidade) e com braços feitos de cordas navais encontradas numa praia na Região dos Lagos.
Cada obra funciona como um ponto de diálogo, despertando curiosidade e facilitando a compreensão de temas complexos de forma simples e visual. Crianças, jovens, universitários, turistas e visitantes vivenciam ali uma experiência que vai além da observação: trata-se de aprendizado sensorial, provocação e troca.
As esculturas ajudam a traduzir conceitos como:
  • reaproveitamento de materiais e economia circular;
  • impactos do descarte incorreto de resíduos;
  • relação entre consumo, meio ambiente e qualidade de vida;
  • importância da preservação da Mata Atlântica e da biodiversidade local.
Durante as atividades educativas promovidas no espaço, o jardim se transforma em uma verdadeira sala de aula a céu aberto, onde o aprendizado acontece por meio da experiência, do contato direto com a arte e da reflexão coletiva.
Impactos mensurados e resultados concretos
O artivismo desenvolvido no Jardim da Reciclagem também gera impactos mensuráveis. Todas as obras são produzidas a partir de materiais que seriam descartados, contribuindo diretamente para a redução de resíduos enviados a aterros e para a valorização do reaproveitamento.
Além disso, o espaço já recebeu:
  • estudantes das redes pública e privada;
  • universitários de diferentes áreas;
  • turistas nacionais e internacionais;
  • empresas em ações de ESG, educação ambiental e sensibilização de equipes.
 
Arte, sustentabilidade e turismo ecológico
Inserido em um dos mais visitados atrativos turísticos de Nova Friburgo, o Jardim da Reciclagem também exerce um papel estratégico no fortalecimento do turismo ecológico e de experiência. Quem sobe o teleférico não encontra apenas paisagem e lazer, mas uma proposta cultural e educativa integrada ao território.
Esse tipo de iniciativa amplia o tempo de permanência do visitante, qualifica a experiência turística e agrega valor ao destino, alinhando-se às novas demandas do turismo contemporâneo, que busca significado, aprendizado e conexão com o local visitado.
 
Quando a arte inspira mudança
O artivismo presente no Jardim da Reciclagem reafirma nossa missão como um negócio de impacto positivo. Provocamos a reflexão, geramos consciência e inspiramos mudanças reais. Cada obra carrega não apenas criatividade, mas uma mensagem clara sobre responsabilidade ambiental e o papel de cada indivíduo na construção de um futuro mais sustentável.
Assim, a arte deixa de ser apenas forma e passa a ser linguagem, ferramenta e ação — um convite permanente para repensarmos a forma como consumimos, descartamos e nos relacionamos com o planeta.
Saudações sustentáveis!
Tudo verde sempre!
Foto da galeria
Jardim da Reciclagem EcoModas (Foto: Divulgação)
Publicidade
TAGS:
Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

Alex Santos

Prosa Sustentável

Alex Santos tem dedicado seus esforços desde 2010 para disseminar a importância da sustentabilidade. Através de projetos inovadores busca catalisar uma mudança positiva no mundo, incentivando práticas mais responsáveis e ecologicamente conscientes.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.