Audiência Pública cobrou ações para conter mortes no trânsito

Durante a audiência, o 1º tenente Marcel Átila, do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros, apresentou dados alarmantes
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Audiência Pública cobrou ações para conter mortes no trânsito

Na última quarta-feira, 8, a Câmara Municipal promoveu uma audiência pública para discutir a educação, prevenção e segurança no trânsito, reunindo autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil. O debate foi proposto pelo vereador Marcos Marins (PSD). O objetivo foi discutir medidas concretas para conter o avanço na quantidade de acidentes e mortes nas vias do município, que já atingem números alarmantes em 2025.

De acordo com dados apresentados pelo parlamentar, entre janeiro e agosto foram registrados mais de 600 acidentes, número que já supera todo o volume do ano anterior. Durante a audiência, o 1º tenente Marcel Átila, do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros, apresentou dados alarmantes: o número de vítimas atendidas por acidentes saltou de 514 em agosto para 609 em outubro. Mais grave ainda, o número de óbitos subiu de 10 para 15 em 2025.

A especialista em educação para o trânsito, Roberta Torres, uma das maiores referências do país na área, destacou a necessidade de sensibilizar gestores e a sociedade sobre a gravidade da situação. “A violência no trânsito é uma questão de saúde pública, com custo humano e social altíssimo. Só em 2025, Nova Friburgo já perdeu 15 pessoas vítimas de sinistros. Nossa taxa de mortalidade é de 43,45 por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é de 16. Precisamos sensibilizar quem toma decisões e agir com base em planejamento e dados técnicos”, afirmou. Ela apresentou ainda levantamento do IPEA que estima o custo médio de uma morte no trânsito em R$ 819 mil em rodovias e R$ 344 mil em vias urbanas, considerando desde o atendimento de emergência até os danos à infraestrutura e o impacto emocional nas famílias. 

A advogada Francieli Librelotto, diretora de uma empresa de tecnologia para trânsito e integrante do Instituto Mulheres pelo Trânsito, defendeu o uso da inovação e da informação como instrumentos estratégicos para salvar vidas. “A tecnologia é um meio, não um fim. Ela deve ser usada para resolver problemas, não para gerar custos. Monitoramento, fiscalização e análise de dados podem identificar causas e padrões dos acidentes, permitindo ações preventivas eficazes. Mas o que realmente transforma são as pessoas — gestores e cidadãos comprometidos em levantar dados sérios e agir com transparência”, afirmou. 

O educador e especialista em trânsito Celso Mariano, ex-diretor da Secretaria de Trânsito de Curitiba-PR, referência nacional na área, reforçou a importância de uma visão holística e integrada para enfrentar o problema: “É fundamental que se enxergue o trânsito como um sistema vivo, que envolve todos os seus usuários — pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas e passageiros. O transporte coletivo precisa ser encarado como parte da solução, e não do problema”, ressaltou. 

 

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