Um friburguense pelo Summit Floripa

Lucas Barros

Além das Montanhas

Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Florianópolis, capital de Santa Catarina, é conhecida pelas praias deslumbrantes, mas hoje também carrega outro título: o de “Ilha do Silício brasileira”. Isso porque a inovação já responde por cerca de 25% do PIB da cidade, mostrando como a tecnologia pode transformar a economia local. Esse movimento ganha sua maior vitrine no Startup Summit, evento que reúne milhares de pessoas em torno do empreendedorismo e das novas ideias.

Em 2025, o Summit está sendo realizado desde quarta-feira, 27, até esta sexta, 29, com a expectativa de atrair mais de dez mil pessoas presencialmente. Organizado pelo Sebrae e pela Acate, ele se tornou um dos maiores encontros de inovação do país. Desde 2018, o evento cresce ano após ano e hoje é referência para quem quer conhecer de perto as tendências e, principalmente, viver a atmosfera única do ecossistema catarinense.

Mas afinal, o que é esse ecossistema? É uma rede formada por startups, universidades, aceleradoras, investidores e grandes empresas, todas conectadas em busca de soluções. Mais do que tecnologia, o ecossistema é sobre gente se encontrando, trocando experiências e criando oportunidades juntos. No Summit, isso acontece nos palcos, mas também nos corredores, nas filas de café ou em conversas improvisadas que muitas vezes viram negócios reais.

A programação impressiona: são centenas de palestrantes nacionais e internacionais falando sobre inteligência artificial, sustentabilidade, impacto social, futuro do trabalho, diversidade e muito mais. Porém, a verdadeira força do evento está na energia coletiva. Pessoas de diferentes áreas se juntam, compartilham histórias, dividem desafios e descobrem que inovação não é só criar aplicativos, mas sim pensar em soluções que transformem a vida em comunidade.

Muitas startups relatam que fecharam seus primeiros contratos justamente nesses encontros casuais. Outras encontram parceiros estratégicos ou até investidores dispostos a apostar em suas ideias. Esse clima de colaboração espontânea talvez seja o que mais inspira quem participa do Summit. É como se todos acreditassem, por alguns dias, que inovar é possível para qualquer um que esteja disposto a tentar.

E o mais interessante é que inovação aqui não se limita à tecnologia. Há projetos que unem propósito e impacto social, como startups voltadas à educação inclusiva, à saúde preventiva ou à preservação ambiental. Essa diversidade mostra que empreender pode, sim, ser uma forma de melhorar a vida das pessoas – e não apenas de gerar lucro. O Summit reforça que a inovação precisa andar lado a lado com a responsabilidade social.

Estar em Florianópolis durante o Summit é perceber como uma cidade inteira pode ser transformada por esse espírito. Incubadoras, hubs, coworkings e universidades caminham juntos para fortalecer um ambiente que gera empregos e atrai investimentos. Para quem vem de fora, como eu, de Nova Friburgo, fica claro como esse modelo poderia servir de inspiração. Afinal, nossa cidade tem potencial enorme, com diversas faculdades e um polo de moda íntima reconhecido no país inteiro.

Imagine se esse polo, já inovador no design e na criação, se aproximasse mais de universidades, buscasse startups de tecnologia têxtil ou apostasse em parcerias voltadas à sustentabilidade? Assim como Florianópolis, Friburgo poderia diversificar sua economia e gerar ainda mais oportunidades para os jovens que se formam por aqui. O ecossistema não é algo distante; é apenas a soma de pessoas e instituições que decidem caminhar juntas.

Outro ponto marcante do Summit é a chance de pequenas ideias ganharem escala ao se conectar com grandes empresas. A troca é mútua: startups oferecem inovação ágil, enquanto corporações trazem estrutura e mercado. Esse casamento movimenta a economia, gera empregos e fortalece ainda mais a região. Para cidades como a nossa, esse modelo de cooperação poderia ser uma peça-chave de desenvolvimento.

Participar do Summit é, acima de tudo, uma experiência humana. São histórias de quem começou com pouco, de mulheres que romperam barreiras, de equipes que transformaram erros em aprendizado. O que se celebra ali não é só tecnologia, mas a coragem de sonhar e de persistir. O evento mostra que inovar é criar pontes: entre pessoas, empresas e cidades.

De Nova Friburgo para Florianópolis, fica a certeza de que o futuro pode ser mais colaborativo, conectado e humano. E, como um friburguense pelo Summit Floripa, volto com a convicção de que a inovação é um caminho possível também para a nossa região. Basta estarmos abertos a construir juntos essa transformação.

Foto da galeria
(Foto: Arquivo pessoal)
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Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

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