Passeando pelas ruas de Friburgo

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

terça-feira, 26 de agosto de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Sou friburguense de coração; de nascimento, carioca. Gosto tanto daqui que conheço de longe o cheiro da terra, o barulho das águas e a dança das árvores ao vento. Por sorte, para me sentir mais fincada ainda na cidade, em 2017, recebi o título de cidadania friburguense das mãos do então vereador Márcio Damazio.

Dia desses fui à cidade e resolvi trazer para esta coluna algumas das minhas sensações ao passar pelas calçadas, entrando aqui e ali. A ideia era sair um pouco dos assuntos mais densos e dos temas que me exigem pesquisa. Volta e meia, a vontade de escrever com mais liberdade vai tomando conta de mim indo, mais e mais, ao encontro do modo descontraído de escrever literatura. Ainda me é desafiador deixar fluir as emoções como as nuvens que buscam o infinito, as que cobrem Nova Friburgo como um véu e caem das montanhas em cascata. Aliás, ao trafegar pela estrada Rio-Friburgo, que corta a Serra do Mar, o espetáculo das nuvens é a paisagem que a gente não cansa de olhar. Mas não é para menos, o olhar precisa da beleza para se alimentar de pensamentos leves. Até para nos deixar embalar pelo sono.

J. G. de Araújo Jorge poetou que Nova Friburgo é uma parada a caminho do céu. Talvez porque as montanhas nos levem ao mais profundo azul, pintado pelas mãos de Deus. Lugar abençoado. Povo corajoso que não se intimida com as intempéries da natureza. Gente que preza conversar nos bancos das calçadas e nas esquinas ao se encontrar com um conhecido, amigo ou parente. Até de jogar carteado nos bancos da praça.

Andando pela cidade, sentido o frio bater no rosto, a sensação de calma me invade, mesmo nas horas mais agitadas quando os alunos saem da escola com suas mochilas, o trânsito engarrafa e as calçadas ficam cheias de transeuntes que caminham em direções diversas, resolvendo suas questões e voltando para casa.

São ruas feitas de rostos conhecidos, de pessoas solidárias, e de cachorros. Tudo vai se misturando a cada instante, fazendo com que o ponto geodésico do estado, na Praça Dermeval Barbosa Moreira, seja cercado de vida e de simplicidade.   

Já no final da tarde, as mesas dos cafés, os bancos dos bares começam a ficar cheios, fazendo com que o vozerio e as risadas anunciem a chegada do entardecer de um dia de semana laborioso. Os vendedores das lojas fazem a esperança de mais uma venda escapar dos rostos cansados. Com a noite que vai chegando, as luzes vão se acendendo na praça Presidente Getúlio Vargas, e eu, com passos felizes, me ponho a caminho de volta para casa.

Hoje, de fato, estou declamando os versos de Cazuza, “Pro dia nascer feliz”:

(...)

Pro dia nascer feliz

O mundo inteiro acordar

E a gente dormir

Pro dia nascer feliz

Ah! Essa vida que eu quis

O mundo inteiro acordar

E a gente dormir

Todo dia é dia

E tudo em nome do amor

Ah! Essa é a vida que eu quis

(...)

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Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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