Antoine de Saint Exupéry

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

terça-feira, 09 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Vou fazer uma confissão nada secreta, até porque este jornal voa para tantos lugares; o que eu publicar aqui muita gente vai saber. Não foi à toa que comecei a escrever histórias para crianças, posto que a obra de Saint Exupéry, especialmente “O Pequeno Príncipe”, me iluminou. Li e reli o livro várias vezes e fui me encantando com o modo simples de transpor suas ideias para o papel, com a maneira pela qual olhava para a vida. Cheguei à conclusão, para o sossego de minha alma, que eu pensava de maneira parecida com ele. Tantas vezes eu me achava ridícula, às vezes, nem comentava com alguém o que pensava. Chegaram até me chamar de alienada, de ingênua e boba porque quando olhava para as pessoas fazia questão de percebê-las sem preconceitos, de encontrar verdade em seus jeitos, nas palavras e no brilho do olhar.

As pessoas grandes adoram números. Quando a gente fala de um novo amigo, eles nunca se interessam em saber como ele realmente é. Não perguntam: “Qual é o som da sua voz? Quais são seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas?” Mas sempre perguntam: “Qual é a sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto o pai dele ganha?” Só então elas acham que o conhecem.  (O Pequeno Príncipe)

Como não gosto de me deparar com perversidades, até porque o mundo tem espinhos que machucam, faço questão de olhar nos olhos das pessoas porque tenho a impressão de que vejo um mundo bonito.

“Até as nossas misérias fazem parte das nossas riquezas. (Voo Noturno)

Depois de ler parte de sua obra, conhecer sua história, tornei-me sua aprendiz. Sua sabedoria emana de suas obras, que abordam a felicidade, o amor e a amizade. Em cada página encontrava uma profunda reflexão sobre a condição humana, escrita com lirismo e suavidade. Volta e meia tinha a impressão de que ele estava conversando comigo.

“Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” (O Pequeno Príncipe)

Saint Exupéry não foi um homem comum. Ele viveu apenas 44 anos, tempo suficiente para se expor como filósofo, escritor, aviador, aventureiro e poeta. Tudo o que fez teve plenitude, intensidade e verdade. Ele viveu com grandiosidade: foi corajoso, espirituoso e demonstrou imensa capacidade para amar.   

“Não há como substituir um velho companheiro. Nada vale o tesouro de tantas recordações comuns, de tantos momentos difíceis vividos juntos, tantas desavenças e reconciliações, tantas emoções compartilhadas. Não se reconstroem essas amizades. É inútil plantar um carvalho na esperança de poder, em breve, se abrigar sobre sua sombra.”  (Terra dos Homens)

Ao falar sobre Saint Exupéry me vejo diante de assuntos profundamente humanos. Nosso planeta é regido pela natureza e fazemos parte dela; estamos interligados a todos os seres. Nada e ninguém têm superioridade. O que existe são capacidades a serem compartilhadas e espaços a serem conquistados com bravura e humanidade.

“Tecemos muito lentamente a trama das amizades e afeições. Aprendemos devagar.” (Terra dos Homens)

Antoine-Marie Roger de Saint Exupéry foi um iluminado pelas estrelas! Nasceu em Lion, na França, em 29 de junho de 1900 e morreu em 31 de julho de 1944 quando fazia uma missão de reconhecimento aéreo no Mar Mediterrâneo. Teve uma vida intensa e movimentada, cheia de alegrias, tristezas e aventuras, que influenciaram sua escrita e ilustração.

Sua vida e obra emocionaram o mundo, sendo um dos autores mais respeitados e amados do século XX. Seu livro, “O Pequeno Príncipe”, foi traduzido para inúmeras línguas, inclusive o Aramaico, sendo, depois da Bíblia, o mais vendido no mundo.

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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