O aniversário é de A VOZ DA SERRA, mas quem comemora é Friburgo

Lucas Barros

Além das Montanhas

Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

quinta-feira, 09 de abril de 2026
por Lucas Barros

Há aniversários que pertencem a uma pessoa, a uma família ou a uma instituição. Mas há outros que pertencem a uma cidade inteira. Quando um jornal completa 81 anos de existência, como A VOZ DA SERRA celebrou na terça-feira, 7, a comemoração deixa de ser apenas de quem escreve, imprime ou distribui. Ela passa a ser, sobretudo, de quem lê. E, neste caso, de quem vive Nova Friburgo.

Um jornal com 81 anos não atravessa o tempo por acaso. Entre a primeira edição e a que hoje chega às casas dos leitores, o mundo mudou inúmeras vezes. Mudaram os governos, mudaram os costumes, mudaram as tecnologias e até a forma como as pessoas se informam.

No entanto, semana após semana, edição após edição, A VOZ DA SERRA seguiu registrando a história da cidade, dia a dia, enquanto ela acontecia. Ao longo dessas oito décadas, o jornal testemunhou transformações profundas em Nova Friburgo. Viu crescer bairros, acompanhou momentos de prosperidade e também registrou tempos difíceis.

Contou histórias de gente comum que, com trabalho e perseverança, ajudou a construir a identidade friburguense. Em suas páginas passaram fatos históricos, personagens marcantes, debates públicos e as pequenas narrativas do cotidiano que, somadas, formam a memória de uma cidade.

Não é exagero dizer que, muitas vezes, a história de nossa cidade pode ser revisitada folheando edições antigas do jornal. Ali estão as fotografias que congelaram momentos importantes, os anúncios de outros tempos, as reportagens que retrataram decisões políticas, avanços sociais e desafios coletivos.

Um jornal, quando atravessa gerações, acaba se transformando em algo maior que um veículo de comunicação: torna-se arquivo vivo da própria comunidade. Em tempos de velocidade digital e de notícias que desaparecem em segundos na tela de um celular, há algo quase simbólico no fato de que A VOZ DA SERRA continue existindo também em sua forma impressa. Não é pouca coisa.

Em um cenário em que tantos jornais tradicionais deixaram de circular fisicamente, o periódico friburguense segue sendo entregue diariamente na casa de milhares de leitores e aos olhos de inúmeros friburguenses, seja bancas de revista ou seus trabalhos, na sala de espera do médico à repartição pública.

Essa permanência diz muito sobre a relação entre o jornal e a cidade. A edição impressa não é apenas papel e tinta; ela representa uma tradição que atravessa gerações. Há leitores que cresceram vendo o jornal chegar em casa, que aprenderam a reconhecer o ritmo da semana pela chegada da nova edição. É um hábito que se transforma em memória afetiva coletiva.

E naturalmente, um veículo com tanta história também atravessa momentos de debate e crítica. Em diferentes períodos, vozes surgem dizendo que o jornal favorece este ou aquele lado político. É uma narrativa comum em sociedades democráticas, onde a imprensa, ao noticiar e questionar, inevitavelmente incomoda alguém. Mas o tempo costuma ser um juiz silencioso.

Pessoas passam. Governos passam. Ciclos políticos se encerram. O que permanece é o registro dos acontecimentos. O fato de A VOZ DA SERRA chegar aos 81 anos diz muito mais sobre sua seriedade e compromisso com a informação do que qualquer crítica passageira poderia sugerir. Empresas não atravessam oito décadas sem consistência, credibilidade e trabalho.

Por isso, neste aniversário, talvez seja justo inverter a lógica da celebração. O aniversário é do jornal, é verdade. Mas quem tem motivos para comemorar são os friburguenses. Poucas cidades podem dizer que possuem um veículo de comunicação com tamanha longevidade, capaz de acompanhar gerações inteiras de moradores.

Ter um jornal que resiste ao tempo é também ter um espelho da própria cidade. Um espaço onde a comunidade se reconhece, discute seus caminhos e preserva sua memória coletiva. E memória, afinal, é uma das coisas mais valiosas que uma cidade pode ter.

Que venham muitos outros aniversários. Porque enquanto houver histórias para contar em Nova Friburgo — e sempre haverá — também haverá sentido em registrar essas histórias. E, nesse caso, quem ganha não é apenas o jornal. É a própria cidade que continua se vendo, dia após dia, refletida em suas páginas.

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Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

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