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Friburgo precisa de voz na Alerj

Lucas Barros
Além das Montanhas
Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.
Nossa cidade se acostumou a reclamar da ausência de investimentos, da lentidão das obras, da dificuldade de conseguir apoio estadual e da sensação permanente de que está sempre correndo atrás do que deveria já ter chegado. Mas talvez exista uma pergunta simples que precise ser feita com mais honestidade: quem, hoje, fala por Friburgo dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro?
Há algum tempo, a cidade deixou de ter uma representação estadual verdadeiramente ligada à região. E isso não é um detalhe político — é um problema prático. Porque orçamento, articulação, influência e prioridade passam, inevitavelmente, pela capacidade de uma cidade ter alguém que conheça suas demandas e esteja disposto a defendê-las dentro dos espaços de poder.
Não se trata de votar por votar. Nem de transformar eleição em torcida organizada. O voto é livre, individual e deve continuar sendo. Cada pessoa tem o direito de escolher quem quiser — inclusive ninguém. Mas é impossível ignorar que cidades que possuem representantes fortes acabam tendo mais capacidade de articulação política, acesso a recursos e pressão institucional.
E aqui talvez esteja um dos maiores desafios de Friburgo: a dificuldade histórica de construir lideranças regionais duradouras. A cidade frequentemente divide forças, pulveriza votos e termina assistindo outros municípios ocuparem espaços estratégicos enquanto seguimos dependendo da boa vontade política de quem, muitas vezes, sequer conhece a realidade local.
Isso se reflete em diversas áreas. Friburgo é um dos maiores polos de moda íntima do país, movimenta emprego, indústria, turismo de negócios e geração de renda. Ainda assim, o setor frequentemente caminha quase sozinho, sem o suporte proporcional ao impacto econômico que possui. Falta investimento, incentivo, linhas estratégicas de desenvolvimento e presença política capaz de transformar importância econômica em prioridade institucional.
E não é por ausência completa de recursos. Em muitos casos, o dinheiro existe — ou ao menos já existiu, em especial de recursos federais. Ao longo dos anos, diversos repasses estaduais e federais foram anunciados para Nova Friburgo. Alguns sequer saíram do papel. Outros se perderam entre burocracias, disputas políticas e falta de continuidade administrativa. Há recursos que chegam, mas não encontram execução eficiente. Há verbas que viram anúncio, mas não viram transformação concreta.
Um filme repetido inúmeras vezes
No fim, a população sente o resultado nas ruas. Obras que começam e param, assim como o Hospital do Câncer. Projetos que nunca saem do papel. Estruturas que envelhecem sem modernização. E uma cidade com enorme potencial econômico, turístico e universitário que, muitas vezes, parece menor do que realmente é diante do cenário estadual.
Enquanto isso, municípios que conseguem construir representação política regional organizada acabam avançando com mais velocidade. Não necessariamente porque possuem mais potencial — mas porque possuem voz. E, em política, quem não ocupa espaço acaba sendo ocupado pelas prioridades dos outros.
Talvez esteja na hora de Friburgo discutir isso com mais seriedade e menos paixão eleitoral. Entender que representação política não deveria ser apenas disputa de nomes, mas estratégia de cidade. Porque projetos pessoais passam, mandatos acabam, mas a ausência de articulação deixa consequências que permanecem por anos.
Isso não significa apoiar qualquer candidato apenas por ser da região. Pelo contrário. Representação local sem preparo, sem proposta e sem compromisso também não resolve nada. O debate precisa ser maduro. É preciso olhar trajetória, capacidade técnica, propostas reais e compromisso com a cidade.
Mas também é preciso compreender que uma cidade sem representantes fortes nos espaços estaduais perde capacidade de influência. E influência, gostemos ou não, move orçamento, prioridade e desenvolvimento.
Nova Friburgo não é uma cidade pequena em relevância econômica, cultural ou regional. Temos universidades, indústria, comércio forte, turismo consolidado e um dos setores de moda íntima mais importantes do Brasil. O que falta, muitas vezes, não é potencial. É articulação para transformar potencial em prioridade política.
Porque cidade que não ocupa espaço político acaba ocupando apenas a fila de espera das promessas.

Lucas Barros
Além das Montanhas
Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.
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