Conexão de Inovação Floripa x Friburgo

Lucas Barros

Além das Montanhas

Advogado com atuação no ecossistema de inovação e pós-graduado em Prática Trabalhista. Colunista, empreendedor e pesquisador em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) regulados pela ANEEL. Apaixonado por Nova Friburgo, escreve “Além das Montanhas” para mostrar que a cidade não vive isolada, entre suas montanhas, do que acontece ao seu redor.

quinta-feira, 12 de março de 2026
por Lucas Barros

Entre os dias 10 e 12 de março, Florianópolis recebe no CentroSul mais uma edição do GovTech, evento dedicado a discutir como a tecnologia, inovação e gestão pública podem caminhar juntas para melhorar a vida dos cidadãos. Tive a oportunidade de estar presente no encontro e acompanhar de perto algumas das iniciativas que vêm sendo desenvolvidas por governos, instituições de pesquisa e empresas que atuam no setor de inovação.

O GovTech reúne representantes dos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, além de startups, pesquisadores e gestores públicos interessados em discutir soluções tecnológicas aplicadas à administração pública. Mais do que um evento institucional, trata-se de um espaço de diálogo sobre como modernizar serviços, tornar o Estado mais eficiente e aproximar a gestão pública das demandas contemporâneas da sociedade.

Durante o evento, tive a possibilidade de conhecer diversas iniciativas interessantes, especialmente vindas dos estados do Sul do Brasil. A troca de experiências entre diferentes regiões mostra que inovação pública não nasce isolada — ela surge do diálogo entre governos, universidades, empresas e centros de pesquisa.

Florianópolis, aliás, não foi escolhida por acaso para sediar um evento dessa natureza. A capital catarinense consolidou ao longo das últimas décadas um dos ecossistemas de inovação mais relevantes do país. Atualmente, estima-se que cerca de 25% da receita do PIB municipal esteja vinculada ao setor de tecnologia e inovação, um indicador expressivo da força desse ambiente.

Hoje, a cidade conta com um ecossistema robusto e diversificado, que reúne empresas consolidadas, startups em crescimento e importantes centros de desenvolvimento tecnológico. Iniciativas ligadas ao campus do Senai, à Acate, ao Sapiens Park e a diversos outros polos ajudam a consolidar Florianópolis como uma verdadeira referência nacional em inovação.

Incentivos

Outro destaque importante do evento foi o avanço do ecossistema de inovação do Paraná. Nos últimos anos, o estado tem adotado políticas públicas estruturadas para incentivar ciência, tecnologia e pesquisa. Entre essas iniciativas, destaca-se a decisão de destinar cerca de 2% da receita estadual para o fomento à pesquisa e à inovação, sinalizando que a agenda tecnológica não pode se limitar ao funcionamento burocrático do Estado, mas precisa ser encarada como investimento estratégico no futuro.

Esse movimento também se reflete na forma como o Paraná vem estruturando seus polos de inovação ao longo do território. O estado apresenta um modelo relativamente integrado, que começa no Oeste com a força tecnológica ligada à Itaipu e se estende pelo interior, com centros universitários e polos de pesquisa, até chegar à região metropolitana de Curitiba, onde se concentram parques tecnológicos, hubs de inovação e um ambiente empresarial bastante dinâmico.

Além disso, o Paraná tem registrado recordes de investimento em ciência e tecnologia. Apenas em editais recentes voltados à pesquisa e inovação — os chamados NAPIs — os valores somados chegam à casa dos R$ 222 milhões, direcionados a projetos estratégicos em diversas áreas do conhecimento. A mensagem do governo estadual parece clara: estimular inovação também em cidades menores, permitindo que novas regiões cresçam em receita, conhecimento e oportunidades.

Curiosamente, durante o evento tive a satisfação de encontrar um conterrâneo: Marcelo Verly, entusiasta do setor de inovação e vencedor de prêmios estaduais na área, além de um dos nomes à frente do projeto Inova Fri. Foi especialmente gratificante encontrar alguém de Nova Friburgo participando desse ambiente e contribuindo para o diálogo entre diferentes ecossistemas de inovação do país.

Segundo Marcelo Verly, a participação no GovTech foi fundamental para conhecer iniciativas voltadas à modernização das administrações públicas municipais, estaduais e federais. Para ele, a inovação tem transformado gradualmente a forma como governos prestam serviços à população.

O sucesso de Florianópolis

Marcelo também destacou como importante a fala do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que ressaltou um ponto essencial: investimentos públicos em inovação demandam tempo para maturar e muitas vezes ultrapassam a duração de um mandato político. Por isso, é fundamental estabelecer prioridades, metas e estruturas institucionais sólidas, com participação ativa de servidores de carreira que garantam continuidade às políticas tecnológicas voltadas à sociedade.

Outro aspecto que chamou atenção foi o nível de integração presente no ecossistema catarinense. O desenvolvimento de Florianópolis no campo da tecnologia parece estar alguns passos à frente de muitas outras regiões do país. Já havia visitado a cidade anteriormente, mas é sempre impressionante perceber como seus polos de inovação continuam crescendo e se consolidando.

“Ver esse avanço de perto também traz um sentimento positivo. Experiências como a de Florianópolis servem de referência para outras regiões que desejam fortalecer seus próprios ambientes de inovação. Quando um polo tecnológico prospera, ele acaba inspirando outros a trilhar caminhos semelhantes”, observou Marcelo.

Uma visão de futuro

Fato é que eventos como o GovTech ajudam justamente a construir essas pontes. Eles aproximam governos, empreendedores, pesquisadores e gestores públicos em torno de uma agenda comum: pensar soluções mais inteligentes para os desafios do presente.

No fim das contas, inovação pública não é apenas sobre tecnologia. É sobre visão de futuro. É sobre entender que investir em conhecimento, pesquisa e desenvolvimento significa construir cidades mais eficientes, economias mais dinâmicas e serviços públicos mais preparados para atender às necessidades da população.

E, ao caminhar pelos corredores do evento, fica claro que essa transformação já está em curso.

Foto da galeria
(Foto: Arquivo pessoal)
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