Homilia D. Pedro Cruz na posse canônica da Diocese

A Voz da Diocese

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Buscando trazer uma palavra de paz e evangelização para a população de Nova Friburgo.

terça-feira, 09 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

            “Caríssimos irmãos no episcopado, D. Orani Tempesta, D. José Francisco, nosso metropolita, D. Gilson Silveira, presidente do Regional Leste 1, através de quem saúdo os demais bispos do nosso regional e, sobretudo do Regional Leste 2, onde até o momento exerci o meu ministério episcopal. Caros presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, leigos e leigas. Saúdo também meus familiares e amigos. Meu muito obrigado também ao padre Jorge Eduardo, vigário geral e, até então, administrador diocesano, pela boa condução e serviços prestados durante o período de vacância. Uma saudação especial ao senhor prefeito de Nova Friburgo Johnny Maycon e às demais autoridades civis e militares.

            Como ouvimos na primeira leitura da liturgia festiva da padroeira da América Latina, Santa Rosa de Lima, Virgem consagrada aos pobres e de grande piedade eucarística e mariana, o apóstolo Paulo expressa o sentimento de um autêntico pastor misericordioso e atento às ovelhas do rebanho que Cristo lhe confiou. É importante que o bispo seja visto por todos através de um olhar de autêntica caridade pastoral. Este é o sentido da entrega da própria vida pela santificação de uma porção do povo de Deus a ele confiado. No coração do pastor está implícita a exigência de sua doação a um povo ou a uma comunidade.

            A chegada de um bispo em uma diocese sempre renova a esperança de todos, mas também gera expectativas. É uma oportuna ocasião para alavancar ainda mais a ação evangelizadora de toda comunidade diocesana com seus dons, carismas e ministérios. Nosso múnus é o de pregar o evangelho, manter os homens na fé; ser sinal de esperança para a igreja e para o mundo. O anúncio do evangelho deve ocupar um lugar especial no nosso ministério, pois fomos chamados e enviados para a santificação do povo que o Senhor nos confia.

            O célebre discurso sobre os Pastores de Santo Agostinho enfatiza a figura por excelência de Cristo Pastor. A verdadeira liderança pastoral que se espera de um bispo se baseia no amor, na caridade e no serviço, e não no poder ou busca de vantagens. O bom pastor é o homem do amor e da caridade. O amor é a essência do nosso ofício pastoral. Um verdadeiro pastor deve amar o seu rebanho, conhecer cada ovelha, estar disposto a dar a vida por ela, assim como fez Jesus. Ele deve ser também sinal de unidade para todo o rebanho. Os efeitos do “mundanismo” podem gerar divisão e discórdias no seio da igreja, e que são características dos maus pastores que continuamente se dividem entre si. A divisão não deve reinar entre nós. O mundo precisa, mais do que nunca, de unidade e de cuidado; virtudes que devem morar no coração de um bom pastor. O saudoso Monsenhor Lefort da Diocese da Campanha ao discursar na festa da dedicação da catedral diante de D, Inocêncio, disse: “O bispo é coração que intui. É palavra que apoia e ilumina. É amigo que se esquece. É companheiro de jornada. É alma cujos olhos descobrem nos filhos dos homens a fisionomia do Filho de Deus”.

            Dirijo-me, de modo particular aos irmãos presbíteros, nossos primeiros colaboradores. O Decreo Presbyterorum Ordinis recorda que “todos os presbíteros participam de tal maneira com os bispos no mesmo e único sacerdócio e ministério de Cristo. Os bispos, pelo dom do Espírito Santo dado aos presbíteros na sagrada ordenação, tem-nos como necessários cooperadores e conselheiros no ministério e múnus de ensinar, santificar e apascentar o povo de Deus” (PO, 7). Portanto, a união dos presbíteros com o bispo é tanto mais necessária em nossos dias. Nenhum presbítero pode realizar suficientemente a sua missão isoladamente, mas só num esforço comum com os outros presbíteros e com o seu bispo. Um bom padre está sempre pronto para um diálogo filial com o bispo, e o bispo deve refletir no seu ministério a imagem de um pai que estreita união e comunhão. A fecundidade de um pai que gera missão, confiança e compromisso.

            Caros irmãos, somos pastores para o povo de Deus. Esta é nossa missão que precisamos realizar juntos, porque somos homens da comunhão e da missão construída em todos os níveis. Evitemos o “pastoralismo autárquico e solitário”. “Num mundo marcado por crescentes tensões, até mesmo no seio das famílias e comunidades eclesiais, o sacerdote é chamado a promover a reconciliação e a gerar comunhão. Ajudar as pessoas a encontrarem a luz do Evangelho no meio das tribulações da existência. Ser leitores sábios da realidade e oferecer propostas pastorais que geram e regeneram a fé” (Leão XIV, dia mundial de oração pela santificação dos sacerdotes, 2025).

            Na oportunidade e riqueza deste ano jubilar, que nos convida a sermos peregrinos de esperança, o nosso ministério será tanto mais fecundo se for enraizado no amor misericordioso, no perdão e proximidade, sobretudo dos pobres, das famílias e dos jovens, que buscam uma verdade que preencha a busca de sentido. O nosso tempo há uma profunda sede de infinito e salvação, mesmo que alguns centros de pesquisa apontem uma crescente vontade de alguns querem viver sem Deus e sem religião. O jubileu deve motivar toda a igreja, ministros ordenados, religiosos, batizados e batizadas, a “fazer de Cristo o coração do mundo” (Leão XIV, Encontro internacional de sacerdotes. 26/06/2025). Ele é o verdadeiro tesouro que encontramos e pelo qual deixamos tudo para possuí-lo, como vimos no Evangelho.

            Celebrar o jubileu é fazer memória agradecida pelos benefícios de Deus, é renovar juntos o impulso missionário; anunciar com coragem e amor o Evangelho de Jesus. Esta é uma proposta para seguirmos, guiados pelo Espírito Santo, com passos sinodais, no anúncio profético do Reino de Deus confiado a todos nós, sem exceção. Que todos os fiéis desta igreja particular de Nova Friburgo, com seus carismas e ministérios, se sintam corresponsáveis na missão evangelizadora que o Senhor da messe nos confia; com proximidade, escuta, diálogo e testemunho. Somente assim daremos razão de nossa esperança a todos que nos pedem (1Pd 3, 14).

            Que a Virgem Maria, sob o título da Imaculada Conceição, padroeira de nossa diocese, interceda pelo meu ministério frente a esta nova missão que o seu Filho, o Bom e Supremo Pastor, me confia a partir de hoje. Que não falte ao pastor o zelo e a entrega pelo rebanho, e nem ao rebanho a obediência ao Pastor.”

D. Pedro Cunha Cruz - Bispo da Diocese de Nova Friburgo

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