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Carta Pastoral sobre o Sacramento da Penitência

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Última parte
6. A celebração individual do sacramento da Penitência
Para que a celebração do Sacramento da Penitência seja bem vivida, é imprescindível que se distinga confissão de aconselhamento ou direção espiritual. O momento da confissão é exclusivo para isto: verbalizar os pecados cometidos e receber a absolvição e a penitência. Aconselhamento ou direção espiritual podem ser organizados para outros momentos na dinâmica do atendimento pastoral.
O fiel que vai se confessar deve se preparar recorrendo ao Espírito Santo em um momento de oração e interiorização, examinando a sua consciência, à luz da graça de Deus, para detectar em que momentos se desviou ou descuidou daquilo que faz parte do estilo de vida cristã proposto por Jesus, tendo como elementos iluminadores o Evangelho, os dez Mandamentos da Lei de Deus, os Mandamentos da Igreja.
Uma vez identificados os pecados, aconselha-se que seja feita uma lista por escrito, para não ocorrer de se esquecer na hora do Sacramento, pois são perdoados os pecados apresentados como matéria necessária na confissão dos pecados cometidos.
Aproximando-se do sacerdote, o penitente dirá: "Padre, dai-me a vossa Bênção pois pequei! " O padre perguntará quanto tempo faz que a pessoa não se confessa e depois da resposta, desejando que possa fazer uma boa confissão, pedirá que diga os seus pecados. É importante que o confessor tenha a certeza de que a pessoa está arrependida verdadeiramente, podendo até lhe fazer esta pergunta: "Você está arrependido? " Já que sem o verdadeiro arrependimento e sincero desejo de corrigir a vida, não é possível dar a absolvição.
Posteriormente o confessor deve pedir que o fiel reze o Ato de Contrição, que pode ser espontâneo ou uma das fórmulas que compõem o patrimônio da piedade da Igreja. Oportunamente, nos lugares de atendimentos haja por escrito o Ato de Contrição para facilitar a recitação por parte dos penitentes, ou os confessores os ajudem a rezar caso não consigam sozinhos.
Estendendo a mão sobre a cabeça do penitente o confessor dirá a fórmula de absolvição tal qual se lê no número 4 (retirado do Ritual da Penitência), evitando criatividades ou acréscimos. A seguir, proporá a penitência, sem a qual um fiel nunca pode sair de uma confissão
7. A necessidade da confissão regular
O Sacramento da Penitência é um presente inestimável da Misericórdia Divina. A Igreja exorta seus filhos a buscarem este sacramento, recomendando que cada católico se confesse ao menos uma vez por ano. Convido cada um a fazer um exame de consciência sincero, reconhecendo a necessidade de buscar o perdão de Deus. A confissão não deve ser vista apenas como um dever, mas como um presente divino, uma oportunidade de renovar-se e recomeçar.
Entretanto, evite-se que a confissão tenha uma frequência escrupulosa, em que o penitente nunca se sinta agraciado pelo perdão de Deus, seja diante dos pecados presentes ou dos pecados já confessados em confissões anteriores.
8. O papel dos sacerdotes, a disponibilidade do sacramento e os mutirões de confissões
Neste Ano Santo, mais do que em outras épocas, os sacerdotes são chamados a um empenho ainda maior no atendimento das confissões. E missão do sacerdote ser ministro da misericórdia, oferecendo-se generosamente ao serviço do perdão.
Durante o tempo do advento ocorrem mutirões de confissões, no qual todos os sacerdotes estão disponíveis para acolher os penitentes. É aconselhável que não haja mutirões na segunda-feira, mas se for uma necessidade, em vista da organização, os padres, em espírito abnegado, abram mão de suas folgas, pois a reconciliação dos fiéis deve ser prioridade neste tempo.
Preparando cada mutirão, propõe-se que haja uma celebração penitencial. Ao final desta celebração, os confessores devem se dirigir aos lugares determinados para o atendimento individual de cada penitente.
Vale lembrar que o encontro e a convivência entre os sacerdotes neste tempo de mutirões enriquece a fraternidade presbiteral.
9. O sigilo sacramental e a confiança no perdão de Deus
É importante recordar que o sacramento da Penitência é revestido de absoluto sigilo. Nenhum sacerdote pode, em hipótese alguma, revelar o que escutou em confissão. Essa garantia deve dar aos fiéis total confiança para se aproximarem do confessionário sem medo ou hesitação. O que ali é confessado permanece protegido em um sacrário inviolável.
10. Um chamado à conversão e à vida nova
A confissão nos impulsiona à verdadeira conversão. Não basta apenas confessar os pecados, é preciso assumir o compromisso de uma vida nova. O perdão de Deus nos impulsiona a uma mudança concreta de atitudes, abandonando o pecado e vivendo segundo os ensinamentos de Cristo.
Neste Ano Santo de 2025 em que a Igreja nos convida a fortalecer nossa amizade com Deus e a buscar a Indulgência Plenária por meio da visita às igrejas indulgenciárias, abramos nosso coração à Misericórdia Divina.
A todos desejo frutuoso tempo de espera e conversão e experiência abundante da graça de Deus, como torrente inesgotável derramada sobre nós, ao enviar seu filho, Nosso Senhor, que morreu e ressuscitou para a nossa salvação!
- Dom Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano de Nova Friburgo

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