Setembro Amarelo - mês de prevenção ao suicídio

A cada dez minutos, um adolescente tenta se ferir ou tirar a própria vida no Brasil.
terça-feira, 23 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Setembro Amarelo - mês de prevenção ao suicídio

Em Nova Friburgo, prefeitura promove série de ações de concientização nas unidades dos Caps.

Um adolescente brasileiro comete algum tipo de autolesão ou tenta suicídio a cada dez minutos. O dado alarmante faz parte de um levantamento inédito da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que analisou informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. O material foi divulgado nesta semana dentro do movimento nacional Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. 

Segundo a pesquisa, apenas nos últimos dois anos, a média diária chegou a 137 atendimentos a jovens de 10 a 19 anos em todo o país. Apesar da obrigatoriedade do registro pelos profissionais de saúde, especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, devido à subnotificação, falhas no preenchimento ou na comunicação das ocorrências.

Além dos episódios de automutilação, o levantamento revela outro dado preocupante: cerca de mil adolescentes morrem por suicídio a cada ano no Brasil.

Sofrimento psíquico

Para a médica Renata Waksman, presidente do Departamento Científico de Prevenção e Enfrentamento das Causas Externas na Infância e Adolescência da SBP, o suicídio é sempre consequência de um processo de sofrimento intenso e prolongado. “Estar atento a mudanças bruscas de comportamento dos jovens é fundamental, pois elas costumam ser os sinais de alerta mais claros”,afirma.

Entre os principais indícios estão: tristeza ou insatisfação persistentes, abandono de atividades antes prazerosas, episódios de autolesão, envolvimento deliberado em situações de risco e ausência de expectativas ou planos para o futuro.

A pediatra lembra que a adolescência é um período de transformações físicas e emocionais, marcado pela busca de identidade, maior sensibilidade às pressões externas e vulnerabilidade emocional. Nesse contexto, problemas como ansiedade e depressão têm se tornado cada vez mais frequentes entre adolescentes e até em crianças.

Diferenças regionais

O levantamento da SBP mostra ainda que os atendimentos acompanham a densidade populacional. O Sudeste concentrou quase metade das notificações entre 2023 e 2024, com 46.918 casos. O Sul aparece em seguida, com 19.653 registros, e o Nordeste, com 19.022.

Embora os números sejam proporcionais ao tamanho da população, especialistas defendem que a distribuição desigual de serviços de saúde mental também influencia nos registros. Em áreas com menos oferta de atendimento, muitas ocorrências deixam de ser notificadas.

Uma questão de saúde pública

O suicídio é tratado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um grave problema de saúde pública global. No Brasil, o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registrou, apenas em 2023, mais de 16,8 mil óbitos por suicídio em todas as faixas etárias.

O cenário reforça a necessidade de campanhas permanentes de prevenção. No último dia 11, foi sancionada a lei federal 15.199/2025, que institui oficialmente a campanha Setembro Amarelo como política pública nacional. Com a nova legislação, a mobilização, que nasceu em 2014 de forma independente, passa a ter status oficial. O texto também define o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio (10 de setembro) e o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação (17 de setembro).

Setembro Amarelo

Criada em 2015 pela sociedade civil, a campanha Setembro Amarelo é conduzida atualmente pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Neste ano, o tema escolhido foi “Conversar pode mudar vidas”, destacando a importância do diálogo como ferramenta de acolhimento e prevenção. 

Durante este mês, prédios públicos recebem iluminação amarela e órgãos de saúde, escolas e empresas promovem palestras e rodas de conversa. A proposta é quebrar o silêncio em torno do suicídio e estimular o apoio a quem enfrenta sofrimento emocional.

Prevenção no trabalho

Também como parte das ações deste mês, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou a Cartilha Amarela – Prevenção e combate ao assédio, a outras formas de violências e ao suicídio relacionado ao trabalho. O documento aborda o impacto de ambientes hostis e de práticas abusivas na saúde física e mental dos trabalhadores.

 O texto ainda alerta para os grupos mais vulneráveis ao assédio moral: mulheres, pessoas com deficiência, idosos, população LGBTQIAPN+, migrantes, doentes ou acidentados. A cartilha também orienta sobre como identificar sinais de violência e denuncia-la.

Rede de apoio

Entre os recursos públicos disponíveis, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) funcionam em todo o país com equipes multiprofissionais formadas por médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Outra ferramenta importante é o CVV, que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados. O atendimento pode ser feito pelo telefone 188, pelo chat online ou por e-mail. Em situações de urgência, os serviços de emergência devem ser acionados: Samu (192) e a Polícia Militar do estado, no telefone 190.

Ações em Nova Friburgo

Por conta do Setembro Amarelo, a Secretaria Municipal de Saúde informa que vem realizando nas unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), no Centro, Parque São Clemente e Vale dos Pinheiros, diversas ações de conscientização comunitária. Os Caps são serviços de portas abertas, acolhendo e avaliando todos que os procuram. De acordo com cada quadro psicossocial, os usuários podem ser inseridos em tratamento ou encaminhados para outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial, como os ambulatórios de Psicologia, que oferecem atendimento a todas as idades em diferentes unidades de saúde.

Entre as ações realizadas neste mês, destacam-se:

CAPSi: palestras na Escola Etelvina Schottz, visita à Afape com distribuição de materiais motivacionais, oficinas de esportes com atividades de sensibilização e palestras sobre saúde mental em escolas, na Uerj e no Centro de Referência em Assistência Social (Cras)RAS.

CAPS AD: ação em parceria com a Uerj no Instituto Politécnico, roda de conversa no Cras Centro, grupo terapêutico aberto à população na Praça Marcílio Dias e mobilização nas ruas com cartazes de conscientização no trânsito.

CAPS III: atividade com café da manhã de acolhimento, palestra da Dra. Letícia Latini sobre o tema “Setembro Amarelo – Um Movimento pela Vida”, roda de conversa e sorteio de brindes, fortalecendo a integração entre usuários, familiares e equipe.

Essas iniciativas reforçam a importância dos CAPS como equipamentos fundamentais para a promoção da saúde mental no município, oferecendo acolhimento, acompanhamento e espaços de reflexão para toda a comunidade.

Reportagem da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim

LEIA MAIS

A arquitetura segura e a abordagem multifacetada têm se mostrado eficazes nesta prevenção.

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 81 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra