Reservas de Nova Friburgo são as primeiras do Brasil a receber 'pagamento' por floresta em pé

Iniciativa pioneira do Governo Federal escolheu a Reserva Rio Bonito de Lumiar e a Canto da Coruja para lançar programa que paga proprietários pela preservação
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Rogério Cassimiro/MMA
Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Nova Friburgo tornou-se, nesta quinta-feira (30/10), o berço de um novo marco na política ambiental brasileira. Duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) do município — a Reserva Ecológica Rio Bonito de Lumiar e a Canto da Coruja — foram as primeiras em todo o país a receber as Cotas de Reserva Ambiental (CRAs).

A entrega histórica, que totalizou 98 cotas para as propriedades friburguenses, foi celebrada em cerimônia no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em Brasília.

O evento contou com a presença da ministra Marina Silva e do proprietário das reservas, Bernardo Furrer, que representou a cidade no lançamento nacional da iniciativa.

O que é a CRA e por que Friburgo é pioneira?

Prevista no Código Florestal, a CRA é um título que transforma a preservação ambiental em um ativo financeiro. Na prática, ela representa um hectare de vegetação nativa que excede o mínimo exigido por lei.

Proprietários rurais de outras regiões que precisam compensar seus déficits de Reserva Legal poderão agora comprar essas cotas de quem preserva, como é o caso das RPPNs em Friburgo.

Isso cria um mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), gerando uma nova fonte de renda para quem mantém a floresta em pé e incentivando a conservação. A escolha de Nova Friburgo para o lançamento do projeto-piloto destaca o compromisso histórico da região com a preservação da Mata Atlântica.

O monitoramento das áreas será feito pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), com suporte técnico do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

"Orgulho como ambientalista", diz proprietário

Presente na cerimônia, o proprietário das RPPNs friburguenses, Bernardo Furrer, celebrou o momento.

"É uma ocasião que traz muito orgulho para todos nós. Orgulho como brasileiro, pois é a expressão do exercício pleno da nossa cidadania. Orgulho como ambientalista, pois traz a perspectiva da ampliação das áreas protegidas privadas. E orgulho como médico que sou, pois a natureza protegida é a possibilidade real de um ambiente saudável”, declarou Furrer.

O diretor de Biodiversidade do Inea, Cleber Ferreira, também presente, reforçou o simbolismo da ação: "A emissão dessas primeiras Cotas simboliza mais que um marco político, já que elas trazem a maturidade de um país que começa a reconhecer o mérito de quem conserva”.

Um novo mercado bilionário

O lançamento das CRAs, iniciado em Friburgo, abre um mercado com potencial gigantesco no país. Segundo o Serviço Florestal Brasileiro, o Brasil tem cerca de 25,5 milhões de hectares com potencial para compensação.

Considerando um valor de referência de R$ 500 por hectare ao ano, esse novo mercado pode movimentar cerca de R$ 12,75 bilhões anualmente.

Para a ministra Marina Silva, a iniciativa reflete o compromisso do governo com novos modelos de desenvolvimento sustentável. "Quando a gente estimula a proteção, estamos contribuindo para evitar que a mudança do clima se agrave, que eventos climáticos extremos se agravem, e isso é justo não só para quem preservou, mas é justo para os que vão ser beneficiados", afirmou.

Fonte: Governo Federal

 

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