Com a aproximação da Páscoa (faltam apenas 18 dias), confeiteiros e consumidores estão tentando driblar o aumento do preço da principal matéria-prima do chocolate. A alta do preço do cacau, que tem impactado tanto a indústria mundial quanto a brasileira, continua a assustar os consumidores que vão à procura de ovos de Páscoa nas lojas especializadas e supermercados. Os preços dispararam e tem ovo de chocolate custando quase R$ 200 no comércio de Nova Friburgo. Isso mesmo.
O cacau passa por uma crise produtiva na África, causada por problemas climáticos e pelo avanço de pragas, como a vassoura-de-bruxa e a podridão-parda, que acabam afetando a oferta no mercado global. Por causa desse cenário, o valor da matéria-prima então alcançou níveis recordes de preços, com alta de 189% no preço e picos de até 300% nos últimos 12 meses, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia).
A crise no mercado de cacau não é nova. Desde 2023, uma combinação de crise climática e doenças afetou a produção global, especialmente em Gana e Costa do Marfim, que, juntos, representam 70% da produção mundial do fruto, com 2,2 milhões e 680 mil toneladas, respectivamente.
Dados
Em 2024, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), projetou a venda de 58 milhões de ovos de chocolate, um crescimento de 17% comparado ao ano anterior. Porém, para 2025, a projeção é de 45 milhões de ovos produzidos em diversos formatos – além de outros 803 tipos de produtos de chocolates e 94 opções de lançamentos.
A formação de preço é sempre uma questão com dois lados: da oferta e da demanda. O custo do chocolate sofreu as duas pressões: os problemas de produção de cacau no campo e o aumento da procura pelo produto nas cidades do país.
Nostalgia na Páscoa
Com a alta nos preços do cacau, a saída encontrada pela indústria para tentar minimizar a inevitável queda nas vendas este ano foi se reinventar. Segundo a Abicab, a estratégia é diversificar o portfólio, indo além dos tradicionais ovos de Páscoa com o intuito de seduzir o público mais adulto que, consequentemente, possui maior poder de compra.
Dentre as novidades, as principais fabricantes e marcas apostam em collabs e relançamentos nostálgicos com itens colecionáveis, como a Kopenhagen, que investe em títulos conhecidos como Friends e a clássica personagem Moranguinho, criada pela designer norte-americana Muriel Fahrion, em 1977.
A Cacau Show aposta em personagens clássicos, desta vez, os destaques são a saga Harry Potter e os personagens Garfield e Bob Esponja. A Brasil Cacau também é uma opção para quem deseja colecionar personagens, com personagens licenciados do universo Patrulha Canina e DC Comics.
Já a Nestlé e a Mondelēz investem em sabores que já foram sucessos, como o ovo Caribe, Bis Branco e Trakinas. Outros ingredientes como pistache, frutas, doce de leite e café também podem ser encontrados em edições deste ano.
*Reportagem da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim
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