Neste dia das mães, muitas mulheres irão comemorar com seus bichinhos de estimação, pois apesar de não ter laço de sangue, a relação é nutrida pelo afeto e cuidado. De acordo com um estudo produzido pelo departamento de biotecnologia da Universidade Azabu, no Japão, a troca de carinho entre o tutor e seu animal de estimação é capaz de liberar a ocitocina, conhecido como “hormônio do amor”. A substância está presente na troca de olhares de uma mãe com o seu bebê.
O vínculo é levado tão a sério que medidas na justiça foram adotadas recentemente no Brasil para casais que possuem um “filho” pet, como a guarda compartilhada e divisão de despesas. As “mães de pet” vão além do afeto e carinho básicos com os animais de estimação, para muitas a relação com o seu pet é a única forma de maternidade que elas enxergam. O animal pode proporcionar um amor tão puro e genuíno como qualquer outro.
Izabel Cristina, de 40 anos, por exemplo, ganhou a cachorrinha Mel há nove anos e, para ela, a relação das duas é a tradução exata da maternidade. Ela, que não teve filhos humanos, entende que a Mel não é “apenas um cachorro”, e sim sua companheira para a vida.

“Eu tenho sobrinhos e sei bem a diferença entre crianças e pets, mas o que importa é o amor que temos no coração. Mel é minha alegria, meu amorzinho, não consigo imaginar a minha vida sem ela”, comenta.
Amor de mãe
Para Catarina Rebello, advogada de 28 anos, esse amor supera qualquer obstáculo. Mãe de dois gatinhos, a Lilica e o Nico, Catarina descobriu o “amor de mãe” há três anos, quando adotou Lilica na Confraria Miados & Latidos, em Nova Friburgo.
“Foi amor à primeira vista. Na época eu olhei os gatos que estavam disponíveis nas redes sociais da ONG, e quando marquei a visita, a Lilica estava lá. Ela não apareceu em nenhum anúncio de adoção, pois acredito que ela tinha chegado há pouco tempo, mas me apaixonei de cara. Ela foi uma das gatinhas que mais se aproximou, quis ficar no meu colo, e isso me chamou a atenção, pois a funcionária da Confraria avisou que ela não interagia tanto. Logo no dia seguinte fui buscá-la e hoje não me vejo sem ela”, relata.

Catarina também conta sobre a condição da gatinha, que chegou na ONG com o olho machucado e precisou fazer uma cirurgia para removê-lo. “O pessoal da confraria me passou a informação que ela foi encontrada em um lixão da cidade, acabou tendo uma infância difícil e por isso era mais reservada. Isso nem de longe foi uma questão para mim, mas sabia que nossa relação teria que ser construída no tempo dela”.
O Nico veio depois, mas já vai completar um ano com Catarina e Kaio, companheiro da advogada e pai dos pets. Para eles, a relação dos dois gatos é de irmãos que estão crescendo juntos. “Cada um com sua personalidade, como dois filhos mesmo. Lilica é mais calma, já o Nico é travesso, sempre uma caixa de surpresas. É ótimo ver a evolução deles, o Nico, por exemplo, quando chegou aqui em casa não conseguia subir nas coisas e agora já sobe em tudo, faz muita bagunça”.
Para ela, a relação com os gatinhos é de cuidado materno, com responsabilidades, preocupação e carinho. E, além disso, é um vínculo eterno, uma responsabilidade que não pode ser abandonada.
“Realmente nos sentimos mãe, é uma responsabilidade também, mesmo que não seja tão grande quanto a de um filho humano. Eu não tenho interesse de ter filhos humanos, nunca tive o sonho de gestar, mas sempre fui muito ligada aos animais e encontrei nos gatinhos o meu maior amor, ainda mais para nós que somos jovens, com essa realidade econômica não é viável ter um filho humano e sinto que os pets preenchem bem esse lugar”.

Apesar de terem um custo de vida mais barato, Catarina diz que pets não são brincadeira. “É um gasto alto, ainda mais quando amamos nossos bichinhos e queremos o melhor para eles, tem sachê, areia boa, ração e consultas médicas. As pessoas têm que ter em mente que não é só pegar um bichinho achando que isso não vem com responsabilidades financeiras, porque você vai ter, mas a maior recompensa disso é o amor dentro dessa relação”.
Cuidados necessários
É necessário que a tutora tenha cuidados específicos para cada “filho”, muitas vezes a humanização excessiva do pet pode resultar em malefícios para o bem-estar desse animal. Gatos, cães, pássaros e até mesmo peixes, precisam ter sua rotina como um animal.
Apesar de alguns hábitos parecerem fofos, o risco está ali. Muitas pessoas saem para passear com cães em carrinhos de bebês, oferecem comidas humanas ou ração em muitos momentos do dia, e isso pode gerar na obesidade e sedentarismo do animal.
Além disso, a humanização dos pets pode gerar problemas comportamentais, ansiedade de separação, agressividade e comportamento destrutivo. Cuidar do seu pet é também respeitar a natureza dele e seus instintos.
Como se tornar uma mãe de pet
Segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), o país possui cerca de 185 mil animais abandonados ou resgatados por ONGs. Em Nova Friburgo, a ONG Confraria dos Miados & Latidos, citada por Catarina, faz esse trabalho de resgate aos animais em situação de vulnerabilidade. É possível adotar cães e gatos, e obter mais informações sobre a Confraria, através do site www2.cmiadoselatidosfriburgo.org.br. A prefeitura também faz promove diversas feiras de adoção, através da Secretaria de Bem-Estar Animal (Sebea).
Na véspera do Dia das Mães, neste sábado, 9, o Cadima Shopping estará promovendo uma ação para a adoção de cães. A feira acontece de 11h às 15h, no espaço Cadima Pet, localizado na Rua Moisés Amélio, 17.
Os cães oferecidos para adoção são vacinados e vermifugados, e além da feira de adoção, no evento serão passadas orientações sobre o cuidado com pet e as responsabilidades atreladas à adoção. Durante a campanha também serão distribuídos brindes para os filhotes e mães de pet. Ao todo, serão disponibilizados 15 filhotes para a adoção.
O objetivo da campanha é oferecer um novo lar para cães que foram abandonados e incentivar a adoção responsável, reforçando o compromisso com o bem-estar e a proteção dos pets no município. Os interessados em adotar um cãozinho devem apresentar, no ato da campanha, carteira de identidade, CPF e comprovante de residência.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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