As obras da primeira Barreira Sabo do Brasil começaram nesta semana em Nova Friburgo. A estrutura, inspirada em uma tecnologia amplamente utilizada no Japão para prevenção de desastres naturais, será construída no Morro das Duas Pedras, às margens da rodovia RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis), próximo ao Hospital São Lucas, uma das áreas severamente afetadas pela tragédia climática de janeiro de 2011.
O projeto é resultado de uma parceria entre os governos do Japão, do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro e da Prefeitura de Nova Friburgo. A iniciativa integra o Projeto de Aprimoramento da Capacidade Técnica em Medidas Estruturais Frente aos Movimentos Gravitacionais de Massa com Foco na Construção de Cidades Resilientes, conhecido como Projeto Sabo.
Tecnologia para salvar vidas
A Barreira Sabo é uma estrutura projetada para conter fluxos de detritos, fenômeno caracterizado pelo deslocamento de grandes volumes de terra, pedras, troncos e outros materiais arrastados pela força das chuvas durante as enxurradas provocadas por chuvas fortes. Seu objetivo é reduzir os riscos de desastres provocados por movimentos de massa, protegendo comunidades, rodovias, equipamentos públicos e áreas urbanas situadas em regiões vulneráveis.
O sistema já teve sua eficiência comprovada no Japão, país que possui cerca de 42 mil estruturas desse tipo espalhadas por áreas suscetíveis a deslizamentos e enxurradas.
Como funciona a estrutura
As barreiras podem ser permeáveis ou impermeáveis. As estruturas permeáveis utilizam elementos metálicos capazes de reter materiais mais grosseiros, como blocos rochosos e troncos, permitindo ao mesmo tempo a passagem da água e do fluxo natural dos rios, reduzindo impactos ambientais.
Já as barreiras impermeáveis são destinadas à retenção de sedimentos mais finos, como areia, argila e outros materiais transportados pelas enxurradas. No caso de Nova Friburgo, a estrutura foi projetada para interceptar e reter os materiais carregados por eventuais fluxos de detritos que possam descer pelas encostas do Morro das Duas Pedras durante episódios de chuvas intensas.
Legado da tragédia de 2011
A escolha do local para implantação da Barreira Sabo não foi por acaso. Durante a tragédia climática de 12 de janeiro de 2011, considerada o episódio mais devastador da história da Região Serrana, o fluxo de detritos registrado no Morro das Duas Pedras percorreu aproximadamente 600 metros, ameaçando o Hospital São Lucas, a RJ-130 e comunidades próximas.
A catástrofe deixou mais de 900 mortos na região, cerca de 480 deles em Friburgo, e marcou profundamente toda a população. O início das obras acontece exatamente 15 anos após o desastre, simbolizando um avanço importante nas políticas de prevenção e proteção da população.
Investimento e referência nacional
A obra será executada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro com recursos da União, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O investimento previsto é de aproximadamente R$ 15 milhões, com prazo estimado de conclusão de cerca de um ano e meio.
Além de receber a primeira Barreira Sabo do país, Nova Friburgo também terá papel fundamental na produção de conhecimento técnico para futuras implantações da tecnologia em outras regiões brasileiras sujeitas a movimentos de massa.
Especialistas apontam que a experiência friburguense poderá servir de modelo para projetos semelhantes em municípios com histórico de deslizamentos e enchentes, contribuindo para a construção de cidades mais resilientes diante dos eventos climáticos extremos.
O que significa Sabo?
A palavra "Sabo" tem origem japonesa e está associada às obras de controle da erosão e de prevenção de desastres causados por sedimentos e movimentos de massa. As estruturas são utilizadas para reduzir os impactos de deslizamentos, enxurradas e fluxos de detritos, protegendo vidas e patrimônios em áreas de risco. O Japão é referência mundial nesse tipo de engenharia preventiva.




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