GBM de Friburgo registrou quase 400 incêndios em vegetação só em agosto

Bombeiros levaram três dias para controlar focos em Amparo e na Chácara do Paraíso
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Bombeiros do 6º GBM combatem fogo na mata (Fotos: 6º GBM)
Bombeiros do 6º GBM combatem fogo na mata (Fotos: 6º GBM)

Desde maio Nova Friburgo vem atravessando um forte período de estiagem, com drástica redução da quantidade de chuvas, o que é comum na região nesta época do ano.  Por conta disso, pessoas que possuem problemas respiratórios têm seus sintomas agravados com a baixa umidade do ar. Agora, às vésperas da primavera, a situação tende a se agravar. Isso porque o número de queimadas têm aumentado e as consequências são desastrosas em diferentes sentidos.

Somente em agosto, segundo o comandante do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros em Nova Friburgo, tenente-coronel Thiago Alecrim, foram 389 registros de fogo em vegetação, sendo a maior parte dele criminoso. Segundo informou o comandante, em exclusividade à reportagem, só no mês passado, Nova Friburgo teve 1.615.957 metros quadrados de área verde destruídos pelo fogo. Foram mais de 135 horas de combate a incêndios em florestas, sendo necessário o consumo de 259.610 litros de água. São números que refletem a gravidade do momento em que o município atravessa.

Diante da forte estiagem, destinar o uso de água para combater ocorrências criminosas, ou seja, que não são naturais, prejudica a população em muitos sentidos. Seja no destino correto ao bem natural, diante da escassez de água em muitos bairros da cidade, seja no desmatamento desenfreado, ou ainda no empobrecimento do solo que, diante das queimadas, torna-se inutilizado para ser usado para fins agrícolas.

A situação deve piorar ainda. Segundo revelou o comandante Alecrim, setembro tem sido ainda mais intenso com relação às queimadas. “Diante da atual conjuntura de calor e baixa umidade - condições propícias a propagação dos incêndios florestais – só na região de Amparo e Chácara do Paraíso estamos há três dias combatendo (o incêndio)”, contou ele.  

Ainda de acordo com o comandante, para ação nas duas localidades de combate às chamas, o batalhão moveu um efetivo de 40 homens, seis viaturas e uma aeronave. Durante a ação, Alecrim revelou que foi possível localizar o autor do incêndio, mas o suspeito fugiu. “Infelizmente, durante os nossos trabalhos, foi possível observar um indivíduo colocando fogo na vegetação. No entanto, ele escapou ao perceber a nossa presença”, lamentou.

Operação Fumaça Zero

Na última terça-feira, 15, o 6º GBM, em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), realizou o que classificou como “o nosso Dia D”, no combate às queimadas, através da Operação Fumaça Zero. O comandante Alecrim informou que diversas ações foram realizadas a fim de esclarecer os riscos das práticas, além de realizar notificações preventivas e repressivas em diversos pontos de área operacional do batalhão.

No início do ano, Alecrim já havia alertado para os riscos das queimadas nesta época do ano, mas a realidade está difícil de mudar. “Nós temos épocas que são bem características em termos de salvamento e resgates em Nova Friburgo. De julho a outubro há grande incidência de incêndios florestais”, observou.

Alecrim ainda ressalta que a maior parte das ocorrências de incêndios florestais é criminosa. Toda vez que os oficiais do Corpo de Bombeiros recebem um chamado para combater o fogo, muita coisa está envolvida. Não é só deslocar uma equipe para controlar e apagar as chamas, é todo um trabalho para tirar viaturas do quartel que poderiam servir de auxílio a uma ocorrência mais grave, que fosse inevitável. É combustível que se gasta para que as viaturas possam chegar até o local, é recurso hídrico despejado, que poderia ser melhor empregado”, enumera.

Mas não é só isso. As queimadas prejudicam também o solo, as matas, e, consequentemente, as nascentes, o que interfere diretamente na oferta de água e pode ser elencado como um dos grandes causadores pelo desabastecimento hídrico nas residências.

 

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TAGS: fogo | Clima