Nova Friburgo é o município fluminense com o maior número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), totalizando 24 reservas (17 delas reconhecidas pelo estado). Esse número coloca Nova Friburgo em uma posição de grande relevância, perdendo no cenário nacional apenas para Curitiba, no Paraná, que possui 34 reservas. No entanto, é importante ressaltar a diferença, já que as reservas de Curitiba são, em sua maioria, RPPNs urbanas e menores, conferindo a Nova Friburgo uma distinção notável em termos de áreas naturais conservadas.
Estado do Rio: uma referência com o apoio de Nova Friburgo
Apesar de o Rio de Janeiro estar atrás de estados como Minas Gerais (356 RPPNs) e Paraná (292 RPPNs) em números gerais, ele se consolidou como uma referência no campo das reservas particulares. A criação do Programa Estadual de Apoio às RPPNs em 2007 e do Núcleo de RPPNs no Inea (Instituto Estadual do Ambiente) foram cruciais.
O programa, que visa agilizar o reconhecimento e apoiar a criação e gestão das reservas, tem sido um sucesso, catapultando o número de RPPNs no estado. Das 168 reservas que existem hoje no Rio (empatando com a Bahia em terceiro lugar no ranking nacional), 98 são reconhecidas em âmbito estadual, todas criadas com o apoio do Núcleo.
Essa política estadual, combinada com a concentração de reservas em Nova Friburgo, mostra o potencial do município como um polo de conservação privada, onde o processo de reconhecimento de novas RPPNs é facilitado pelo engajamento e apoio técnico já estabelecidos.
O desafio da sustentabilidade e o papel do município
Apesar do sucesso na criação, os rppnistas de Nova Friburgo, liderados por Bernardo Furrer, destacam o desafio da gestão e manutenção das reservas. Eles pleiteiam que o município reconheça a importância dessas áreas para a transferência de recursos do ICMS Ecológico/ICMS Verde.
“O estado já fez o seu papel, pelo menos em parte, em função da criação da lei do ICMS Verde. Uma parte do que as RPPNs proporcionam na elaboração do cálculo da transferência desses recursos para o município, deveria retornar para as RPPNs. O município deveria ter a obrigação de transferir esses recursos para RPPNs, para que isso se traduzisse na sustentabilidade das RPPNs”, reforça Bernardo Furrer.
A atuação dos rppnistas de Nova Friburgo é fundamental para pressionar por essa política municipal, garantindo que o seu notável esforço em conservação se traduza em apoio financeiro, permitindo que as reservas avancem na elaboração de Planos de Manejo e explorem o potencial do ecoturismo e da educação ambiental.

Deixe o seu comentário