Fibromialgia ganha mais visibilidade e reconhecimento em Friburgo

Doença crônica afeta milhões de brasileiros e passa a contar com novas medidas de identificação e acolhimento no município
quarta-feira, 13 de maio de 2026
por Laís Lima*
Foto: Magnific
Foto: Magnific

Celebrado em 12 de maio, o Dia Mundial de Conscientização da Fibromialgia chama atenção para uma condição que afeta entre 2% e 3% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Caracterizada por dores difusas e crônicas, fadiga intensa, distúrbios do sono e impactos emocionais, a síndrome ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico e ao preconceito.

De acordo com estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mais de quatro milhões de brasileiros convivem com a fibromialgia, sendo a maioria mulheres entre 30 e 50 anos. Em muitos casos, os sintomas são invisíveis aos olhos, mas afetam diretamente a qualidade de vida, a rotina profissional e até as relações sociais dos pacientes.

Nova Friburgo amplia medidas de identificação

Em Nova Friburgo, a discussão sobre a fibromialgia ganhou novos desdobramentos com o anúncio da prefeitura, nesta semana, sobre a disponibilização de crachás e cordões de identificação para pessoas diagnosticadas com a síndrome.

A proposta é facilitar o reconhecimento dos direitos dessas pessoas, principalmente em unidades de saúde e atendimentos prioritários. O cadastro poderá ser realizado junto à Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela entrega dos materiais de identificação.

A medida surge em um momento de maior debate nacional sobre doenças invisíveis e acessibilidade. A partir deste mês, uma mudança na legislação passou a reconhecer oficialmente pessoas com fibromialgia como PcDs (Pessoas com Deficiência), ampliando garantias e mecanismos de proteção.

Doença invisível ainda enfrenta preconceito

Apesar de relativamente comum, a fibromialgia ainda é cercada de desinformação. Muitos pacientes relatam dificuldade para obter diagnóstico e enfrentam julgamentos por apresentarem sintomas que não podem ser percebidos visualmente.

A síndrome não possui cura, mas especialistas apontam que o controle dos sintomas é possível por meio de acompanhamento médico contínuo, prática de atividades físicas, melhora na qualidade do sono e suporte psicológico. Em alguns casos, o tratamento também envolve medicamentos antidepressivos e terapias complementares. O diagnóstico precoce é considerado fundamental para evitar agravamentos e garantir mais qualidade de vida aos pacientes.

Cordões ajudam na identificação de deficiências ocultas

Além do novo crachá destinado às pessoas com fibromialgia, outros símbolos já são utilizados para identificar condições invisíveis e necessidades específicas em ambientes públicos.

Entre os principais estão o Cordão de Girassol, reconhecido oficialmente no Brasil para pessoas com deficiências ocultas; o Cordão do Infinito Colorido, associado à neurodiversidade; o Cordão Quebra-Cabeça, ligado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA); e o símbolo das doenças raras, representado por um cordão roxo com mãos coloridas. A adoção desses identificadores busca promover inclusão, empatia e atendimento mais humanizado.

Conscientização além da data

Mais do que uma campanha pontual, o Dia Mundial da Fibromialgia reforça a necessidade de ampliar o debate sobre saúde invisível, acolhimento e políticas públicas. Em cidades como Nova Friburgo, iniciativas de identificação e reconhecimento representam um passo importante para dar visibilidade a quem convive diariamente com dores que, embora não apareçam, impactam profundamente a vida de milhares de pessoas.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

 
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