EDITORIAL - "A imprensa é a vista da nação" (Rui Barbosa)

domingo, 04 de outubro de 2020
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Henrique Pinheiro)
(Foto: Henrique Pinheiro)

Na véspera das eleições de 2016 A VOZ DA SERRA publicou uma carta aberta ao próximo prefeito de Nova Friburgo manifestando o desejo de trabalhar de maneira colaborativa com o novo governo, fosse ele qual fosse. Não havia qualquer motivação de natureza financeira envolvida neste propósito - e o tempo trataria de enfatizar isso de maneira muito veemente -, mas tão somente a consciência a respeito da conexão existente entre o jornal e seu vasto universo de leitores, bem como da forma como teria sido possível colocar todas as informações diariamente apuradas e confirmadas a serviço de um poder público dedicado a atuar com eficiência na busca por melhorar a qualidade de vida da população.

Lembrar, agora, dos escândalos envolvendo a esterilização externa dos hospitais Raul Sertã e Maternidade, ainda nos primeiros meses de 2017, seria chover no molhado. Importa lembrar apenas que foi o Palácio Barão de Nova Friburgo, e somente ele, quem ditou o tom da relação distanciada que iria se estabelecer ao longo de toda a atual gestão, e os anos seguintes foram tristemente coerentes com as experiências daqueles primeiros meses. Com efeito, desde muito cedo restou evidente que todas as situações problemáticas só teriam alguma chance de receberem a necessária atenção a partir do momento em que os casos se tornassem públicos, mas é importante observar que tal compreensão não alterou em nada a linha editorial do jornal. As muitas denúncias cujos teores foram confirmados sempre tiveram em nossas páginas a companhia de notícias positivas à gestão municipal. E será sempre assim.

De fato, os termos utilizados por órgãos de fiscalização diante de denúncias que este jornal publicou não deixam dúvidas a respeito do quanto A VOZ DA SERRA tem se portado de maneira responsável e até mesmo comedida, dada a robustez do respaldo documental para cada palavra aqui publicada. A rigor, nas mãos de um veículo populista ou que não prezasse pela isenção, tamanho acervo certamente teria servido à elaboração de matérias muito mais incisivas e numerosas, e nem por isso inverídicas.

A despeito de uma ou outra teatralidade em contrário, os sinais de que as partes citadas compartilham dessa percepção são inequívocos. Questionamentos a denúncias aqui publicadas, quando existiram, se limitaram a declarações vazias, frases de efeito e insinuações conspiratórias, sempre carecendo de qualquer comprovação material. E mesmo isso não ocorreu muitas vezes, dada a consciência de que, caso se torne necessário defender a credibilidade daquilo que foi publicado, existe um manancial praticamente inesgotável de materialidade a ser submetida à avaliação popular. E todos os citados sabem bem disso.

Ainda assim, quem não encontra meios para justificar concretamente os próprios atos frequentemente apela à ação de defensores de aluguel em redes sociais e grupos de WhatsApp. Na grande maioria das vezes tais ataques não satisfazem os critérios que justificariam uma resposta formal, não apenas pela carência absoluta de concretude, mas sobretudo por permanecerem restritos a grupos que dependem financeiramente da continuidade do sistema, e que estão dispostos a fechar os olhos a danos causados à coletividade em nome de interesses pessoais. Nada além de espasmos vazios de relevância.

Uma das narrativas, contudo, merece atenção não apenas pelo grau de cinismo que alcança, mas por ser especialmente reveladora a respeito do caráter de quem a replica. Com alguma frequência, diante de denúncias que não são capazes de desmentir factualmente, vozes de aluguel recorrem ao caminho fácil e fantasioso de alegar que a imprensa está criticando porque deixou de receber verbas oficiais, quando todos sabem que o que ocorre é exatamente o oposto. De fato, não foram poucas as vezes em que sussurros insinuaram que se as críticas persistissem a publicação de atos oficiais se daria de maneira eletrônica, como se a transparência administrativa não fosse nada além de um favor, uma moeda de troca em contrapartida a uma linha editorial engessada.

Os fatos evidenciam que tais “recados” não surtiram efeito, mas mais importante do que enfatizar uma verdade que, admitam ou não, todos conhecem bem, é observar que tal narrativa só pode fazer algum sentido aos ouvidos de quem entende ser normal ou lógico trocar a própria credibilidade por interesses financeiros. Reservar termos como “boquinha” ou “jabá” à publicação impressa de atos oficiais - que é imperativo imposto pela Constituição Federal, pela Lei de Licitações e pela Lei Orgânica Municipal, na esmagadora maioria dos casos, tamanha a importância da fiscalização social - serve apenas para sublinhar a tragédia de quem enxerga a política como lugar do toma lá dá cá e não encontra em si mesmo quaisquer valores elevados que sejam capazes de os motivar.

Não, muito pelo contrário. Ao longo de seus 75 anos de história A VOZ DA SERRA já viu muitos governos chegando e terminando, alguns de forma honrada, outros condenados ao esquecimento e à infâmia. No máximo, todo este episódio serviu para evidenciar que Nova Friburgo tem hoje um jornal que, mesmo em meio a todas as dificuldades vividas pela imprensa, sobretudo no interior, não negocia a isenção de sua linha editorial.

Quando se tem tanta história pela qual zelar, quando tantos nos brindam com sua inestimável confiança, quando o trabalho diário passa a ser legado de pessoas queridas que já se foram, uma empresa deixa de operar visando apenas lucro, e passa a atuar em nome do compromisso e da missão.

Enquanto A VOZ DA SERRA estiver nas bancas ou em telas com acesso a internet, quem quiser ser elogiado em suas páginas terá de fazer por merecer.

 

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