Diagnóstico tardio do autismo. Os desafios da identificação na vida adulta

Entenda por que isso acontece e como a detecção precoce pode fazer diferença na qualidade de vida dessas pessoas
quinta-feira, 03 de abril de 2025
por Liz Tamane
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e apresenta padrões de comportamento repetitivos. Apesar dos avanços na área da saúde, muitas pessoas só recebem o diagnóstico de autismo na vida adulta. A psiquiatra Flávia Freitas, da Clínica Monnfrei, explica por que isso acontece e como a identificação precoce pode fazer diferença na qualidade de vida dessas pessoas.

Um dos principais motivos para o diagnóstico tardio é a falta de acesso a serviços de saúde especializados e informação adequada sobre o transtorno. Além disso, o preconceito ainda é um fator limitante para que indivíduos e suas famílias busquem avaliação e suporte. Em casos de autismo leve, os sinais podem passar despercebidos na infância, levando a uma identificação apenas na fase adulta. "A correta identificação pode melhorar a qualidade de vida e a inserção social", destaca Flávia.

Para muitas pessoas, os sinais do autismo só se tornam evidentes quando surgem dificuldades na vida profissional e pessoal. Alguns sinais comuns que podem ter passado despercebidos na infância incluem:

  • Dificuldade em interação social, como manter contato visual e interpretar expressões faciais;

  • Dificuldade de comunicação e tendência ao isolamento;

  • Hipersensibilidade a sons, cheiros, texturas e luzes;

  • Dificuldades alimentares;

  • Dificuldade em dar e receber carinho;

  • Comportamentos repetitivos, como balançar o corpo para frente e para trás ou agitar as mãos.

Na vida adulta, essas características podem gerar desafios em diversas áreas, como no mercado de trabalho e nas relações interpessoais. A falta de um diagnóstico pode levar a dificuldades que impactam diretamente a vida do indivíduo. Muitas pessoas no espectro têm dificuldades em processos seletivos para empregos, em trabalhos que exigem interação constante e até mesmo na manutenção de um emprego. 

Dados apontam que mais da metade das pessoas autistas permanecem desempregadas. A dificuldade em construir vínculos, manter amizades e lidar com imprevistos e mudanças também são desafios enfrentados. "Por isso, a importância de um acompanhamento multidisciplinar", explica a psiquiatra. A intervenção precoce e um suporte adequado podem fazer uma diferença significativa na vida de uma pessoa com TEA.

Receber o diagnóstico correto pode transformar a vida do indivíduo, pois permite que ele compreenda melhor suas dificuldades e busque as estratégias necessárias para lidar com elas. O suporte adequado pode incluir terapia ocupacional, atendimento psicológico, fonoaudiologia e, em alguns casos, acompanhamento psiquiátrico.

Intervenções precoces podem auxiliar no desenvolvimento de habilidades sociais, na melhoria da comunicação e na independência do indivíduo. "Quanto mais cedo essas intervenções forem realizadas, maior será o impacto positivo", reforça Flávia.

O viés de gênero no diagnóstico

Mulheres autistas frequentemente recebem diagnósticos errados, como ansiedade ou depressão, o que pode retardar ainda mais a identificação do TEA. A médica explica que outros transtornos podem mascarar o autismo, tornando necessário o encaminhamento para um neuropsicólogo, que pode realizar testagens mais detalhadas.

Embora a medicina tenha avançado na compreensão do autismo feminino, ainda existe um viés masculino na forma como o transtorno é diagnosticado. Historicamente, o TEA tem sido mais identificado em homens do que em mulheres. No entanto, estudos recentes mostram que essa diferença está diminuindo, e que as mulheres podem apresentar mais comorbidades psiquiátricas, o que pode retardar o diagnóstico.

Caminhos para maior conscientização

O reconhecimento da diversidade dentro do espectro autista é essencial para melhorar os processos de diagnóstico e tratamento. Conscientização e informação acessível são fatores fundamentais para reduzir os diagnósticos tardios e garantir que todas as pessoas autistas recebam o suporte necessário para uma vida mais plena e inclusiva.

Com o avanço da medicina e maior disseminação de informações, espera-se que cada vez mais pessoas possam identificar sinais de autismo e buscar apoio especializado. O diagnóstico precoce pode ser um divisor de águas na vida de quem está no espectro, proporcionando um futuro com mais qualidade de vida e autonomia.

"O diagnóstico, quanto mais precoce do TEA, pode ajudar na melhora da qualidade de vida, pois intervenções precoces ajudam a desenvolver habilidades sociais, melhorar comunicação e independência. Melhora das habilidades sociais e de comunicação, ajudar na interação interpessoal”, conclui Flávia.

 

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