Uma mudança de comportamento está transformando a rotina das empresas, especialmente nos refeitórios: as marmitas estão ganhando espaço, inclusive entre as classes A e B, com renda familiar superior a R$ 8 mil. Segundo uma reportagem de O Globo, essas marmitas agora são sinônimo de estilo e equilíbrio calórico, refletindo uma busca por saúde e praticidade.
De acordo com um estudo da Kantar Consultoria, entre o quarto trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023, o número de ocasiões em que essas faixas de renda levaram alimentação de casa para o trabalho mais que dobrou, saltando 112%, de 46 milhões para 98,3 milhões de ocasiões semanais. A proporção de pessoas levando marmitas também subiu, de 36,5% para 41,5%.
Fatores
Entre os fatores que explicam o fenômeno estão o aumento de 23% no custo das refeições fora de casa e a retomada do trabalho presencial. Com o declínio do home office, os brasileiros voltam a buscar opções de alimentação fora de casa. Prova disso é que, entre 2023 e 2024, as refeições apresentaram aumento significativo na contribuição de unidades (+2%) e no crescimento de frequência de consumo (28%) e penetração (+9%).
Isso sem contar a marmita, companheira de diversos brasileiros todos os dias, que está ganhando cada vez mais espaço. O consumo "On the Go" – o famoso "para viagem" – está crescendo rápido, passando de 0,5% para 1,3% das refeições entre 2023 e 2024.
Dados
Em relação às refeições fora de casa, os dados do estudo Consumer Insights 2024, produzido pela divisão Worldpanel da Kantar, apontam que as ocasiões de consumo foram impulsionadas por momentos com colegas de trabalho, especialmente nos almoços (+46%) das terças e quintas-feiras. Além disso, as principais escolhas de cardápio foram carne bovina (+66%) e comida brasileira (+47%).
Outro aspecto importante para o consumidor fora de casa é o aumento no custo. Em 2024, o combo de refeição, bebida não alcoólica e sobremesa ficou, em média, 23% mais caro na comparação com o ano anterior. Para as classes D e E, esse aumento foi ainda mais significativo, chegando a 30%.
Em termos de valores, em 2023, o gasto médio por refeição ficou em R$ 54,79, subindo para R$ 57,76 no ano seguinte. Com isso, os brasileiros optaram por desembolsar menos com bebidas não alcoólicas, passando de R$ 11,04 para R$ 10,63, e sobremesas, indo de R$ 15,20 para R$ 14,68.
Em relação às marmitas, por sua vez, as classes A e B são as principais contribuintes, com alta de 112% em ocasiões de consumo semanal entre o quarto trimestre de 2023 e o mesmo período de 2024. Aqui, cresceram as escolhas de carne bovina (+22 ponto percentual), carne de aves (+10 p.p.) e massas seca ou caseira (+5 p.p.). Os principais motivos foram praticidade (46% das ocasiões) e rapidez (66% das refeições são preparadas em até 30 minutos).
Sobre a pesquisa
O Consumer Insights, realizado pela divisão Worldpanel da Kantar, acompanha de forma contínua o comportamento de consumo de bens não duráveis, fornecendo uma visão detalhada do mercado brasileiro, com destaque para alimentos, bebidas, produtos de limpeza e itens de higiene e beleza. Para este estudo, foram consultadas seis regiões metropolitanas: Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). (AD Comunicação & Marketing)
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