30 de março - Dia Mundial da Juventude

A data é dedicada à valorização do papel dos jovens na construção da sociedade e na reflexão sobre o futuro
sexta-feira, 27 de março de 2026
por Laís Lima*
Foto: Freepik
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Criada em 1985, durante o Ano Internacional da Juventude da Organização das Nações Unidas (ONU), a iniciativa busca incentivar a participação ativa das novas gerações em questões sociais, políticas e econômicas. Mas, além do protagonismo, a data também convida a olhar para os dilemas silenciosos de uma geração que vive sob pressão constante: a de dar certo, e rápido. A definição de juventude varia. Para a ONU, jovens têm entre 15 e 24 anos. No Brasil, o Estatuto da Juventude amplia essa faixa etária para 15 a 29 anos, representando mais de 50 milhões de pessoas.

Esse número expressivo revela não apenas a dimensão dessa geração, mas também a diversidade de vivências, desafios e perspectivas que marcam essa fase da vida, muitas delas atravessadas por expectativas intensas.

Ser jovem hoje é viver em meio a contrastes. Ao mesmo tempo em que há mais acesso à informação, liberdade de expressão e possibilidades de escolha, existe também uma cobrança constante por resultados rápidos, estabilidade financeira e reconhecimento. As redes sociais intensificam esse cenário, criando padrões de sucesso que muitas vezes parecem inalcançáveis e alimentam a sensação de estar sempre atrasado.

Entre oportunidades, incertezas e cobranças

A juventude brasileira ainda enfrenta desafios históricos, como o desemprego e o acesso desigual à educação. Em contrapartida, novas formas de inserção no mercado têm surgido, principalmente no ambiente digital. Trabalhos informais, produção de conteúdo e pequenos empreendimentos se tornaram alternativas para quem busca independência financeira — muitas vezes impulsionados pela urgência de conquistar autonomia.

Em Nova Friburgo, essa realidade também se reflete no cotidiano. Jovens relatam dificuldades para conquistar o primeiro emprego, sendo a falta de experiência um dos principais obstáculos. “Todo lugar pede experiência, mas ninguém dá oportunidade para começar”, resume Eduardo, de 22 anos.

Apesar das dificuldades, muitos jovens têm apostado no empreendedorismo como caminho. É o caso de Fabiana Shayene Gama Jesus, de 25 anos, que decidiu investir em um delivery de massas após não conseguir uma colocação no mercado formal.

“Resolvi usar meu conhecimento em marketing para começar do zero. As redes sociais foram fundamentais, principalmente porque eu ainda não conhecia bem a região”, conta. Para ela, o ambiente digital é essencial para atrair clientes e consolidar o negócio. “Hoje, tudo passa pelo digital. Saber se posicionar faz diferença.”

Fabiana acredita que a juventude pode ser uma vantagem no empreendedorismo, mas reconhece os desafios desse ritmo acelerado. “A gente está sempre buscando inovação, novas estratégias. Isso ajuda muito. Mas também é preciso tomar cuidado para não se cobrar demais.” Para ela, encontrar equilíbrio é fundamental. “Procuro respeitar meus limites e me organizar para não me sobrecarregar.”

Pressões invisíveis e caminhos possíveis

A jovem friburguense Lívia Costa, auxiliar de creche e estudante de Física, descreve bem os dilemas dessa geração. “Ser jovem hoje é viver entre muitas oportunidades e muitas pressões ao mesmo tempo. A gente pode sonhar alto, mas enfrenta cobranças constantes sobre sucesso, aparência e futuro”, afirma.

Segundo ela, as redes sociais têm um papel ambíguo. “Elas ajudam, mas também atrapalham. Já me senti pressionada por padrões e por ver vidas ‘perfeitas’. Hoje tento focar mais no meu próprio caminho.” A fala reflete um movimento crescente entre jovens que buscam se afastar da comparação constante.

Lívia vê o futuro com esperança, mas também com cautela. “Quero crescer e conquistar minhas coisas, mas sei que não é fácil. Ainda existem muitas dificuldades para conseguir oportunidades.” Entre expectativas e incertezas, o medo de não alcançar o que se espera se torna uma presença constante.

A jovem estudante de Jornalismo, Francesca Lodovica, de 25 anos, acredita que, apesar das pressões, a juventude atual também se destaca pela consciência social e pelo engajamento. Para ela, o acesso à informação tem impulsionado a participação ativa dos jovens na sociedade.

“Cada vez mais jovens têm buscado se posicionar e participar de debates e ações que impactam suas comunidades. Os movimentos sociais têm um papel fundamental nesse processo”, destaca. Segundo Francesca, esse envolvimento contribui diretamente para a construção de identidade e propósito. “Quando o jovem participa de ações coletivas, ele entende melhor o seu lugar no mundo e percebe que pode transformar a realidade ao seu redor.”

Entre a pressa e o sentido

Em meio a desafios emocionais, sociais e econômicos, a juventude também se destaca pelo potencial de transformação. Mais do que buscar espaço, os jovens têm questionado padrões e criado novas formas de participação, muitas vezes tentando equilibrar o desejo de conquistar resultados rápidos com a necessidade de preservar a saúde mental.

Nesse contexto, a ideia de felicidade também se transforma. Para muitos, não se trata de alcançar um padrão ideal de sucesso no menor tempo possível, mas de encontrar propósito nas experiências do dia a dia. Construir relações verdadeiras, cuidar da saúde mental e respeitar o próprio tempo são atitudes cada vez mais valorizadas.

A comparação constante ainda é um obstáculo, especialmente nas redes sociais, mas cresce a percepção de que cada trajetória é única. O caminho pode ser incerto, mas também cheio de possibilidades e aprendizados.

Para Francesca, ser feliz hoje passa justamente por esse entendimento. “A felicidade não está em ter tudo resolvido, mas em encontrar sentido no que a gente faz.”

No fim, ser jovem na sociedade atual é equilibrar pressões e sonhos, expectativas e limites. Entre a pressa de vencer e o medo de falhar, a juventude segue construindo caminhos possíveis, mais conscientes, mais humanos e, sobretudo, mais reais.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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