Uma em cada 36 crianças nasce dentro do espectro autista em seus diferentes níveis, em todo o mundo. Esse dado aponta para uma realidade: o desconhecimento generalizado sobre uma condição que atinge tantas famílias. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio no desenvolvimento do cérebro que afeta a capacidade de relacionamento com pessoas e o ambiente, presente desde o nascimento ou começo da infância.
Para combater o preconceito e a discriminação e, ao mesmo tempo, estimular o respeito e a inserção social, foi criado em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quarta-feira, 2. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo têm esse diagnóstico.
Escolher uma data mundial para abordar esse tema não foi casual e revela uma atenção crescente em torno do assunto. Pesquisas produzidas e divulgadas ao redor do planeta demonstram que houve um aumento nas taxas de TEA nos últimos anos. No Brasil, estima-se que haja mais de três milhões de pessoas que possuam quadros compatíveis com os critérios para autismo. Diante disso, especialistas são unânimes ao afirmar a importância da conscientização, uma vez que a possibilidade de desenvolvimento desse indivíduo está ligada a uma mudança de atitude em todas as camadas da vida social.
Diagnóstico e tratamento
Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos do espectro autista aparecem na infância, se manifestando, geralmente, nos primeiros cinco anos de vida. Diante da larga variação de características e os diferentes graus de necessidade de suporte, o autismo foi classificado como um espectro em 2013, pela American Psychiatric Association. Algumas pessoas podem viver de forma independente, enquanto outras com deficiências severas precisam de atenção e apoio ao longo de suas vidas.
O autismo é um transtorno crônico e deve ser tratado assim que diagnosticado, envolvendo médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e educadores físicos. Os suportes terapêuticos podem promover mais autonomia e qualidade de vida à pessoa autista. Pais e cuidadores também precisam receber orientações adequadas e os ambientes devem ser acessíveis.
Lei Romeo Mion
Em 2020, foi sancionada a lei 13.977, que institui a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). A lei ficou conhecida como Lei Romeo Mion, em homenagem ao filho do apresentador de TV Marcos Mion, que possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Com essa iniciativa, a pessoa com TEA terá direito a uma carteira de identificação, que, segundo o texto da lei, terá como objetivo “garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social” para esse público. Para identificar a prioridade à pessoa com TEA, os estabelecimentos poderão utilizar como símbolo a fita quebra-cabeças.
A aprovação dessa lei é um marco importante, pois garante mais uma vitória às pessoas com esse transtorno. Vale salientar que, apesar dos avanços nos últimos anos, temos um longo caminho a ser percorrido até que se conheça completamente o TEA e que as pessoas com esse transtorno tenham seus direitos respeitados.
Em Nova Friburgo
Neste domingo, 6, acontece a partir das 9h, a 2º edição da Caminhada da Conscientização do Autismo no município. O evento pretende reunir autistas, familiares, amigos e apoiadores da causa. O percurso da caminhada será da Praça Dermeval Barbosa Moreira até o Cadima Shopping. O evento é público, gratuito, sem nenhum tipo de financiamento e sem fins lucrativos, que conta com a colaboração de voluntários para a sua realização.
* Reportagem da estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim
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