Em 12 de março, celebra-se o Dia do Bibliotecário, uma data que reconhece a importância desses profissionais na mediação do conhecimento e no acesso à informação. Em um mundo cada vez mais digital, no qual a internet parece oferecer respostas imediatas a qualquer pergunta, o papel das bibliotecas e dos bibliotecários permanece essencial, adaptando-se às novas demandas da sociedade. Mais do que simples repositórios de livros, as bibliotecas são espaços de encontro, aprendizado e inclusão, promovendo iniciativas que incentivam a leitura e democratizam o acesso ao conhecimento.
Com a ascensão da tecnologia, muitos acreditaram que as bibliotecas se tornaram obsoletas. No entanto, o que se observou foi uma reinvenção desses espaços, que passaram a incorporar novas ferramentas para atender às necessidades do público. Muitas bibliotecas ao redor do mundo disponibilizam acervos digitais, permitindo que leitores acessem livros, artigos e documentos remotamente.
As bibliotecas se tornaram ainda centros de aprendizado tecnológico, oferecendo cursos de alfabetização digital, capacitação profissional e espaços colaborativos para pesquisas. Em países como os Estados Unidos e o Canadá, muitas bibliotecas oferecem acesso gratuito a computadores e à internet, garantindo que mesmo aqueles sem recursos financeiros possam acessar informações online.
A abundância de informação na internet também trouxe um desafio: como filtrar conteúdos de qualidade em meio a tantas fake news e desinformações? Nesse contexto, muitos bibliotecários se especializaram em gestão da informação e ciência de dados, ajudando empresas, universidades e centros de pesquisa a estruturar bancos de dados eficientes e acessíveis.
Para estimular a leitura e ampliar o acesso aos livros, diversas iniciativas têm sido desenvolvidas por bibliotecas, organizações não governamentais e instituições públicas. No Brasil, projetos como bibliotecas itinerantes, que levam livros para comunidades que não possuem acesso fácil a esses recursos.
Muitas cidades brasileiras também estão investindo na modernização das bibliotecas públicas, criando espaços interativos, com ambientes para contação de histórias, clubes de leitura e atividades culturais.
Apesar dos esforços para incentivar a leitura, o Brasil enfrenta uma preocupante queda no número de leitores. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada no ano passado, revelou que de 2020 a 2024, houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país. Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, a proporção de não-leitores é maior do que a de leitores na população brasileira: 53% das pessoas não leram nem parte de um livro - impresso ou digital - nos três meses anteriores à pesquisa.
Menos leitores
Se considerarmos apenas livros inteiros lidos nesse período, o percentual de leitores cai para 27% da população. A redução ocorreu em praticamente todos os perfis analisados: por faixa etária, gênero, escolaridade, classe social e renda. As únicas exceções foram as faixas etárias de 11 a 13 anos e acima dos 70 anos, onde o percentual de leitores se manteve estável.
As bibliotecas continuarão a evoluir para atender às demandas da sociedade. Tendências como a realidade aumentada, inteligência artificial e bibliotecas virtuais prometem transformar ainda mais esses espaços. O conceito de biblioteca como terceiro lugar, um ambiente comunitário que vai além da casa e do trabalho, reforça a importância desses espaços como centros de cultura e inclusão social.
No Dia do Bibliotecário, mais do que reconhecer o trabalho desses profissionais, é essencial refletir sobre a importância das bibliotecas e do acesso à informação de qualidade. Seja no formato físico ou digital, elas continuam sendo fundamentais para a democratização do conhecimento e para a construção de uma sociedade mais crítica e informada.
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