Brasil fora da Copa: E a vaca foi para o brejo...

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 08 de julho de 2026
por Max Wolosker

Fim de linha, o Brasil voltou para casa com o rabo entre as pernas. Também o que se podia esperar de um treinador decrépito, de um time sem alma e de jogadores que não estão à altura de uma verdadeira seleção brasileira? Ao final do jogo, o Brasil tinha apenas 32% da posse de bola contra 68% da Noruega. Muito pouco para uma seleção penta campeã do mundo e que já produziu jogadores que encheram os olhos de plateias no mundo inteiro.

A seleção brasileira foi dominada por uma equipe que não faz parte da elite do futebol mundial, mas muito bem treinada e que, na maior parte do jogo, colocou nosso time na roda. Já antes de completados cinco minutos de jogo, não fosse um impedimento providencial, o marcador já estaria 1 a 0 para os noruegueses. E o gol nem foi marcado por seu artilheiro Haaland. Esse foi o nome do jogo, no segundo tempo, quando marcou os dois gols que decretaram a vitória da Noruega e desclassificaram o Brasil. Aliás, com esses dois tentos ele se iguala a Messi e Mbappé, na artilharia da Copa, com sete gols marcados até agora.

Em 1990, na copa disputada na Itália, o Brasil também foi eliminado nas oitavas de final o que não deixa de ser um desprestígio para uma seleção que já encantou o mundo, como as de 1958, 1962, 1970 e 1982. É digno de nota que naquela época tínhamos líderes em campo, como Didi, Pelé, Gérson, Sócrates, Romário, João Saldanha que jamais permitiriam o marasmo que se apoderou do time brasileiro, principalmente depois da perda do pênalti, aos 14 minutos do primeiro tempo, batido por Bruno Guimarães. Foi a pior indicação feita por Ancelotti, pois na realidade esse foi a quinta penalidade batida por ele, durante um jogo corrido, em toda a sua carreira. Uma no futebol francês e as outras três, no futebol inglês, mas nenhuma num jogo de tamanha responsabilidade. Afinal, no mata-mata, a partir das oitavas de final, qualquer erro pode ser fatal. Tivéssemos saído na frente, talvez a história do jogo fosse outra.

Em nenhum momento o time brasileiro mostrou a garra de um Uruguai, na derrota para a Espanha, do Paraguai, ao perder para a França, sem falar em Cabo Verde, grata surpresa dessa copa, ao ser derrotado pela Argentina. Aliás, a garra demonstrada pela atual campeã do mundo é, também, digna de nota, ainda mais com um jogador, como Messi, com 39 anos. Fomos um time medíocre, perdido em campo, sem jogadas ensaiadas, contando, apenas, com as escapadas individuais de Vini Jr, muito mal no jogo, ou Endrick, pior ainda.

A panelinha montada por Ancelotti impediu que jogadores como Danilo Santos, Luís Henrique, Endrick e Pedro, goleador nato, que nem foi convocado, começassem jogando, o que teria dado outra cara a essa seleção. Ryan muito pouco produziu e Martinelli foi mantido em campo, por causa do gol salvador contra o Japão. Nulos durante o jogo.

Na realidade, temos de mudar tudo nesse país, onde a corrupção é seu mal maior e impede o seu pleno desenvolvimento. O futebol é resultado desse estado de coisas. A CBF tem contratos vultosos com fornecedores de material esportivo. A atual, a Nike, renovou seu vínculo até 2038. Claro está, apesar de não estar escrito, que jogadores que não sejam patrocinados por essa empresa, dificilmente serão convocados.

Não duvido nada, que a comissão técnica ao se reunir para uma convocação do time brasileiro, já não tenha em mãos jogadores que não podem ser chamados, quando muito, apenas para compor o elenco, jamais para serem titulares. Por isso determinados técnicos, como é o caso de Renato Gaúcho, nunca são chamados, pois têm ideias próprias, contrárias às determinações da CBF. João Saldanha, em 1970, foi afastado exatamente por não aceitar interferência em seu trabalho. Naquela época, não foi o poder do dinheiro, mas do ditador de plantão em Brasília, Emílio Garrastazu Médici, que impunha a convocação de Dario, o Dadá Maravilha. Com a famosa frase “o Médici escolhe o seu ministério e eu, o meu time”, Saldanha perdeu o cargo, sendo substituído por Zagalo.

Outras coisas atrapalham, em muito, o nosso futebol como a falta de preparo dos técnicos brasileiros, sem tempo para se atualizarem e o fato de nossos melhores jogadores saírem cedo do país. Acabam sendo formados numa escola diferente e pegam a maneira de jogar, principalmente, do futebol europeu. Perdem a característica fundamental do brasileiro que é a malícia e a improvisação.

O Brasil ficou para trás e, o que é pior, com o crescimento do futebol africano e asiático, como essa copa está mostrando, a coisa tende a ficar pior. Ou nossos dirigentes mudam a maneira de pensar e agir ou vai demorar muito para chegarmos ao topo, de novo. Sem falar que deveríamos rever a formação de nossos novos valores, pois as escolinhas de futebol têm deixado muito a desejar.

Triste despedida de uma seleção que já encantou o mundo por várias gerações.

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