Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Mistura de sentimentos

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
Na vida de qualquer um de nós existem momentos alegres e tristes, agradáveis e desagradáveis, de medo e de confiança. Isso é normal. Não existe nenhuma pessoa que viva só com sentimentos agradáveis o tempo todo.
Saúde mental tem muito que ver com aprendermos a lidar com emoções difíceis de forma equilibrada. É um aprendizado que não termina. Ninguém se forma nisso. E esse aprendizado depende primeiro de você querer obtê-lo, em vez de pensar e concluir que não tem jeito, que não pode mudar para melhor, ou que tem alguns defeitos de comportamento por culpa dos outros.
Recebemos por herança genética características físicas e mentais de nossos pais biológicos. E somos influenciados poderosamente pela qualidade da dinâmica da família de origem onde crescemos. Mas genética influi em média 45% do que nos tornamos como pessoa. O restante é aprendido, copiado do pai e da mãe ou de pessoas mais influentes na sua vida ao longo dos primeiros anos da infância. O restante depende da presença ou ausência de harmonia, respeito, disciplina saudável e afeto na sua infância em sua família.
Além da genética, da epigenética (fatores que afetam a expressão genética), da personalidade dos pais ou cuidadores da criança, do tipo de funcionamento da família onde crescemos, existe a sensibilidade da criança, tudo isso junto contribuindo para a construção da personalidade.
Crianças mais sensíveis, mais vulneráveis emocionalmente, podem sofrer mais num ambiente familiar traumático, onde existe abuso verbal, físico, sexual, emocional. Crianças mais resistentes, menos sensíveis, sabem se proteger melhor.
Então, não se angustie, não desista de lutar e da vida por experimentar uma mistura de sentimentos, num momento sentindo bem estar, em outro tendo tristeza, num dia experimentando angústia e em outro serenidade. Tenha paciência consigo mesmo. Lembre-se e diga para si mesmo que o que é bom, do que a gente sente, passa. Mas o que é ruim, também passa.
Tenha paciência nos dias mais difíceis. Se ocupe com algo útil. Pratique exercício físico ao ar livre de preferência. Ore mais. Coma menos. Beba mais água pura nos intervalos das refeições. Visite alguém que precisa de ajuda ou telefone para ela e converse. Não foque na sua dor. Desvie o foco de si para alguma tarefa construtiva. Relembre o que tem acontecido de bom em sua vida nos últimos dois ou três anos e seja grato por isso.
Precisa perdoar alguém? Perdoe em sua mente e com a pessoa. Precisa fazer reparação a alguém que você machucou ou deve algo e que ao fazer a reparação não prejudicará ninguém? Faça. Precisa perdoar a si mesmo? Perdoe. Precisa expressar palavras de carinho para alguém com quem tem um relacionamento ético? Expresse.
Evite gastar muito tempo em redes sociais e use melhor seu tempo na busca de crescimento emocional e espiritual. Concentre-se no que você tem e não no que não tem. Pense: “O que posso fazer para abençoar hoje a vida de alguém?” E abençoe, podendo ser dando algum dinheiro, uma peça de roupa, alimento, palavras de consolo. Tudo isso ajuda a lidar com os momentos mais difíceis que todos temos aqui e ali na vida.
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Cesar Vasconcellos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza
Saúde Mental e Você
O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.
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