O Pix brasileiro é diferente

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 10 de junho de 2026
por Max Wolosker

Talvez esse seja o motivo da raiva do presidente americano, ao se deparar com um mecanismo financeiro, genuinamente brasileiro, que deu super certo, apesar de haver similares em outros países. De acordo com o site https://veja.abril.com.br/politica/entenda-por-que-o-pix-entrou-na-mira-de-trump-e-quais-sao-os-riscos-possiveis-para-o-brasil/

, o argumento dos EUA é que o sistema é regulado e operado pelo Banco Central, além de oferecer gratuidade para pessoas físicas e limitar taxas cobradas de empresas. “O fato de o Pix ser gratuito para as pessoas físicas e, também, pelo Banco Central limitar taxas na operação para pessoas jurídicas acaba gerando uma concorrência um pouco mais complicada para as empresas de pagamento dos Estados Unidos. Ou seja, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos teria tratado de forma “injusta e discriminatória” as empresas americanas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard.

 O diferencial do Pix brasileiro para o Selles dos EUA e o sistema indiano é que esses são geridos por instituições financeiras independentes. Na União Europeia ainda é feito por meio de operações interbancárias. No Brasil, o sistema conta com a garantia do Banco Central o que torna o mecanismo muito mais seguro e confiável. Daí ser genuinamente brasileiro.

É verdade que em 2001, a Coréia do Sul foi o primeiro centro financeiro a implantar um Sistema de Pagamento Instantâneo (SPI) e que diversas outras iniciativas se proliferaram em todo o mundo. O papel principal do Banco Central do Brasil foi buscar em países como Austrália, Singapura, Dinamarca, Índia, Reino Unido, Suécia, União Europeia, Estados Unidos, Itália e México subsídios para aprimorar e implantar o SPI brasileiro, hoje referência mundial. Foi uma longa caminhada, iniciada em 2013, com a lei 12.865 quando o BC recebeu o mandato legal para assegurar a solidez, a eficiência e o regular funcionamento dos arranjos de pagamento e das instituições de pagamento e para adotar medidas para promover a competição, a inclusão financeira e a transparência na prestação de serviços de pagamentos.

Na realidade, até 2019 o dinheiro em espécie ainda era o meio de pagamento mais utilizado pelo brasileiro e que era extremamente caro para produzi-lo, distribuí-lo e destruí-lo. Além da necessidade de transportar altas somas, dependendo do custo da operação a ser realizada. Os outros métodos existentes, como cheque, cartão pré-pago, cartão de débito, TED, etc também tinham custos elevados, além de demandarem tempo para a concretização da operação a ser realizada. Daí a necessidade de se criar um SPI interoperável e tornar o mercado de pagamentos de varejo brasileiro mais eficiente, seguro, competitivo e inclusivo. Aí entra a eficiência do BC e sua equipe, pois a criação do novo produto foi longa e requereu muitas horas de estudo e trabalho. A ideia nasceu em 2014 e sua concretização levou quatro anos, de 2016 até 2020.

Foi assim que em 16 de novembro de 2020, o Pix entrou em operação plena, colocando o Brasil no rol dos países com SPI em funcionamento e iniciando uma grande mudança no contexto de pagamentos de varejo, no país. É necessário dizer, que com a experiência adquirida, a malícia e o famoso “jeitinho” brasileiro, o Pix passou a ser um fenômeno entre nós.

Mas, afinal o que é o Pix?

 É um sistema de pagamento instantâneo, que permite transferir dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora do dia. É prático e seguro e pode ser usado a partir de contas corrente, poupança ou pré-pagas. Além do mais é barato, pois é gratuito para pessoa física e custo baixo para empresas; é fácil de fazer, aberto, pois é oferecido por vários tipos de instituições, além de versátil, pois é usado para diferentes situações e tipos de pagamento e integrado, pois facilita conciliação, automatização e integração de sistemas.

É claro que passou a haver uma forte concorrência com os cartões de débito ou de crédito em função das taxas de 3% e 5% cobrado do comerciante sobre o valor da operação, além dos custos do aluguel ou compra da maquininha para operar tais cartões. No entanto, não houve prejuízo de faturamento tanto da bandeira Visa, como da Mastercard, de propriedade de empresas americanas, pois mesmo com o uso do Pix, a sua utilização continuou elevada. Isso é evidente, pois a maioria dos comerciantes fazem parcelamento em até dez vezes, em compras de valor mais elevado, no cartão de crédito.

Mas, o Pix chegou para ficar. Para se ter ideia da sua aceitação, em 17 de dezembro passado, o volume movimentado por ele bateu seu recorde, atingindo 313,3 milhões de utilização. É importante assinalar que o processo não parou em 2020, pois continuou a evoluir. Em 2021 criou-se mais produtos e segurança tais como Pix saque e troco, bloqueador cautelar, mecanismo especial de devolução, open finance: iniciação de pagamento via Pix. Em 2022 veio a tecnologia em favor do cidadão com limites noturnos para maior segurança, QR code dinâmico com mais funcionalidades. Em 2023 surgiu a sinergia para gerar impacto numa maior integração com o Open Finance (Sistema Financeiro Aberto). Em 2024 criou-se a experiência simplificada com o Pix agendado e em 2025 o usuário em primeiro lugar com o Pix automático e por aproximação.

A verdade nua e crua é que hoje a maioria das atividades financeiras do nosso dia a dia são efetuados via Pix e ele não tem limites. Esse limite de saque é gerido pelos bancos e pode ser alterado, bastando solicitação prévia ao gerente.

É bom deixar claro que a taxação de 25%, feita por Trump, das exportações brasileiras para os Estados Unidos, talvez, tenha a ver algo com o Pix do Brasil, aliás, diga-se de passagem, não temos de dar explicações para Trump. A visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca não tem nenhuma ligação com esse fato, o que provavelmente, vai ser explorado pelo PT durante a campanha eleitoral. As informações contidas nesta coluna foram obtidas pelo Banco Central do Brasil.

Publicidade
TAGS:

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.