Ao celebrar 208 anos, mais do que festejar o aniversário, a ocasião é também uma oportunidade de olhar para tudo o que foi construído até aqui.
Única cidade brasileira criada por um decreto real, Nova Friburgo foi fundada oficialmente em 1818 por decisão de Dom João VI, como a primeira colônia não portuguesa do Brasil.
A iniciativa teve o objetivo de trazer famílias suíças para ocupar as serras e fortalecer a presença da Coroa Portuguesa no país. Depois dos suíços, vieram os alemães, italianos, portugueses, japoneses, sírios, libaneses, austríacos, húngaros e espanhóis. Essa mistura fez a cidade crescer com diferentes sotaques, costumes, receitas e tradições.
Com o passar das décadas, Friburgo cresceu impulsionada pela agricultura, pelo comércio e pela chegada da estrada de ferro. A cidade se consolidou como referência regional e, já no início do século 20, vivia um importante desenvolvimento urbano e econômico. Oficinas, alfaiatarias, pequenas fábricas e hotéis passaram a fazer parte da rotina local, atraindo moradores e visitantes.
Hoje, a cidade é conhecida pela força da moda íntima, pelo turismo de natureza e pela forte ligação com a Mata Atlântica. Cercada por montanhas, cachoeiras e áreas verdes, Nova Friburgo abriga uma das maiores reservas de biodiversidade do estado, no Parque Estadual dos Três Picos, e mantém um estilo de vida mais tranquilo, mesmo com o crescimento urbano.
Carnaval pujante
Muito antes de ser destaque por possuir o segundo maior carnaval no Estado do Rio de Janeiro com desfiles memoráveis de suas escolas de samba, a folia friburguense já chamava atenção pela elegância. No fim do século 19 e início do século 20, a “Batalha das Flores” movimentava o centro da cidade.
O evento reunia carruagens decoradas com flores naturais e artificiais, em desfiles inspirados nos carnavais europeus. A elite carioca, que costumava passar temporadas em Friburgo durante o verão para fugir das epidemias no Rio de Janeiro, ajudava a transformar as ruas da cidade em um verdadeiro espetáculo. Após os cortejos, os participantes promoviam uma divertida “guerra” de flores pelas ruas centrais.
Polo nacional de moda íntima
Em 2024, a cidade comemorou mais um título, sendo oficialmente o polo nacional de Moda Íntima. Conhecida por muitos anos por sua grande produção de lingerie no município, o título foi conferido pela lei 14.883, do mesmo ano.
Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) mostravam que, já em 2017, o município produzia cerca de 114 milhões de peças por ano. Além disso, de acordo com o Sindicato da Indústria do Vestuário (Sindvest), 160 lojas de lingerie, moda esportiva, praia e roupas de dormir geram aproximadamente 20 mil postos de emprego, sendo dez mil diretos e dez mil indiretos.
Produção agrícola
Se hoje Nova Friburgo é também destaque nacional pela moda íntima, a cidade também marca presença em outras áreas. Considerada um dos principais pólos de produção de truta do estado, também ganhou notoriedade por sediar a principal produção comercial de morangos do Estado do Rio de Janeiro.
A produção teve início na década de 1960, predominantemente no distrito de Campo do Coelho, na estrada RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis). Com o passar do tempo, foi criada a Amorango, Associação de Agricultores Familiares Produtores de Morango de Nova Friburgo.
Além disso, a cidade também se destaca como maior produtor de couve-flor do estado e ser referência com a maior produção de flores de corte do Rio. A cidade abriga o chamado “cinturão verde”, que sustenta boa parte da produção agrícola fluminense.
Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado (Emater-Rio), em 2024, foram colhidas 11.615 toneladas de couve-flor em 395 hectares de área plantada, com a participação de 453 agricultores familiares.
Cultura e tradição
A cultura sempre teve espaço importante na história local. A tradicional banda Euterpe Friburguense, fundada em 1863, é considerada a banda civil mais antiga do Brasil ainda em atividade. A também centenária, banda Campesina Friburguense, é outro patrimônio da cultura local.
Nova Friburgo também é conhecida pelo Brasil afora devido aos Jogos Florais, concurso de trovas que ajudou a transformar a cidade em referência nacional da poesia popular. Desde os anos 1960, trovadores de diferentes regiões participam do evento, mantendo viva uma tradição cultural que atravessa gerações. O município tornou-se a “Cidade da Trova” em 2014, reconhecida a nível nacional, e atualmente possui a Alameda dos Trovadores, localizada na Praça Getúlio Vargas.
O frio, outro atrativo
Nova Friburgo é considerada uma das cidades mais frias do Estado do Rio de Janeiro, atraindo turistas e aquecendo os setores hoteleiro e gastronômico. De acordo com o Climatempo, o inverno friburguense é considerado um dos mais frios em toda a região Sudeste, com temperaturas podendo chegar a 4 graus negativos em zonas rurais, como Salinas, no distrito de Campo do Coelho.
O ponto geodésico do estado
Nova Friburgo está localizada, exatamente, no coração do Estado do Rio de Janeiro, bem no centro do mapa estadual. A estratégica posição geográfica está delimitada no ponto geodésico afixado na tradicional Praça Getúlio Vargas, na alameda central próximo à base da estátua de Alberto Braune.
A história da cidade
Até 1755, Nova Friburgo era habitada pelos índios coroados e puris, além dos portugueses. E, após o decreto de Dom João VI, entre 1819 e 1820, a região recebeu 265 famílias suíças, num total de 1.458 imigrantes, batizada com o nome de Nova Friburgo, em homenagem à cidade de onde partiu a maioria das famílias, o Cantón de Fribourg.
Nova Friburgo foi a primeira colônia não alemã a ser fundada no Brasil, em caráter oficial. Com a chegada de 456 imigrantes, em 3 de maio de 1824, três meses antes de outro grupo chegar à cidade de São Leopoldo-RS.
Em 1836, a região se mantinha com a criação de pequenos animais e agricultura de hortaliças, milho, batata e toucinho, comercializados nas feiras de domingo. Ao longo dos anos, os antigos alojamentos dos colonos foram sendo transformados em hospedarias para os viajantes que passavam pela região.
Com o tempo, a hospitalidade se tornaria uma tradição do povo friburguense, alavancando o turismo local. Mais tarde, vieram os imigrantes italianos, espanhóis e libaneses, o progresso e a economia de Nova Friburgo, que foi elevada à categoria de cidade, em 1890.
A implantação de indústrias e a movimentação de turistas atraídos pelas belezas naturais da zona montanhosa, colocou a cidade em evidência no mapa do Brasil. Os colégios Freese, Anchieta e Nossa Senhora das Dores atraíam um grande número de jovens de diversos estados que movimentavam a vida econômica e social da cidade, também impulsionada pelo desenvolvimento das fazendas de café, em Cantagalo.
A partir de 1910, a cidade, que até o século anterior devia seu progresso ao desenvolvimento da lavoura de café e ao seu clima seco ideal para tratamento da saúde, comemorou a chegada dos alemães Julius Arp e Maximilian Falck que se tornaram pioneiros da era industrial friburguense. Suas primeiras indústrias foram instaladas no município, em 1912, originando um novo processo de desenvolvimento.
(*) Estagiária sob supervisão de Henrique Amorim

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