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A VOZ DA SERRA revive o passado, vive o presente e aponta o futuro

Elizabeth Souza Cruz
Surpresas de Viagem
A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.
Silvério não poderia ter sido mais gentil para homenagear o Dia das Mães ao elaborar a charge que ilustrou a capa da edição do jornal no último fim de semana. O Cão Sentado veio vestido de uma singeleza ímpar: flores, o azul do céu e um coração enorme saudando o segundo domingo de maio que reverencia aquela, símbolo do bem e da abnegação. Aquela que não tem rima, porém, no plural, rima com cães, a que protege e defende os filhos com as garras poderosas do amor divino, incondicional.
O Caderno Z também foi todo amor! A arte de ser mãe é também uma encenação diária em que personagens formam um elenco de aprendizados, sem ensaios, sem plateia, recriando o dia a dia, numa profusão de cenas, onde o palco é a convivência. E Marcelo Gonzales, sensível ao belo, nos trouxe um caderno de encantamentos. Em “Matéria de Capa”, Gabriela Ribas, uma artista plena, se mostrou a mãe que poucos conhecem e relata: “Nunca dei conta de tudo...”. Em compensação, entende que o “nascimento dos filhos inaugura um desaprendizado inevitável e nada permanece como antes...”. Celina Sodré, diretora da Clínica de Artes, de São Pedro da Serra, reforçou a ideia: “Longe de provocar ruptura, a maternidade amplia sua percepção e fortalece sua identidade como artista...”.
Em “Personalidade”, As Lumiarinas revelaram a “força feminina e identidade no forró de Nova Friburgo”. O trio, que não admite individualização, não nasceu em Lumiar, mas carrega o espírito leve, lumiarense. Parece que elas se “ilumiaram” para iluminar os caminhos por onde levam a sua alegria. Entre elas, o cuidado está em tudo: “com a história de cada uma, ao falar, na escolha do repertório, disciplina nos ensaios, com a estética, com o público e com o próprio grupo”. Na verdade, um conceito de quatro itens valendo até para a nossa vida diária. Sabrina Alvernaz “abriu” seu livro “Assistida” como quem abre a alma e expõe uma trajetória do “Lado Invisível da Maternidade”. Sua narrativa é um convite ao livro, que se “constrói a partir de um diário atravessado por dois anos de tentativas de engravidar, sem garantia de desfecho...”. Uma obra de relevância atual.
Saindo do “Z” celebrando a nossa “mãe natureza”, nem todos os debates convergem para o “ser mãe”. Na reportagem de Laís Lima, existe ainda uma resistência fundamentada em alguns tabus, porque “nem toda mulher quer ser mãe”. Na verdade, é uma cobrança de que a “mulher nasceu para ser mãe”. Contudo, a não maternidade é uma escolha pessoal e intransferível.
Como bem disse a psicóloga Claudia Saraiva, a mulher que rompe esse padrão “desafia expectativas que foram construídas culturalmente ao longo do tempo...”. A não maternidade é uma escolha pessoal e intransferível. Numa outra vertente, emerge o formato “mães solo” que no Brasil chegam a quase oito milhões”. São outras demandas multiplicadas na atuação da mulher de “ser tudo ao mesmo tempo”.
Não há mesmo que seguir padrões. A maternidade pode ser para “mães de pet” que se assumem com a mesma responsabilidade peculiar ao desafio maternal. Isabella Garcia expandiu o tema desde o afeto e cuidados até “como se tornar uma mãe de pet”.
Em “Há 50 anos”, a manchete: “ Barbaridade: autorizado posto de gasolina na Rua Fernando Bizzotto”. Em 1976, isso pareceu mesmo uma tragédia, pois, o noticiário destacou ainda: “A zona residencial será atingida. A poluição atingirá centenas de moradores... o sossego do local vai acabar...”. Ao contrário do que se temia, o posto de gasolina no final da Fernando Bizzotto (esquina com a Avenida Comte Bittencourt) tem sido de grande valia para a população friburguense e demais passantes que seguem, muitas vezes, para o norte do Estado do Rio de Janeiro, Brasil afora. Vamos, então, festejar o cinquentenário desse posto de gasolina!

Elizabeth Souza Cruz
Surpresas de Viagem
A jornalista-poeta-escritora-trovadora-caçadora de cometas Elisabeth Sousa Cruz divide com os leitores, todas as terças, suas impressões a bordo do que ela carinhosamente chama de “Estação Caderno Light”, na coluna Surpresas de Viagem.
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