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O majestoso Pico do Caledônia

Bernardo Furrer
Nosso Meio Ambiente
Bernardo Furrer é médico, ambientalista, cidadão honorário de Nova Friburgo, presidente da APN (RPPNs do Estado), membro do Conselho Consultivo da APA Macaé de Cima, da CNRPPN e do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Nova Friburgo. Escreve aos sábados.
O Pico
O Pico do Caledônia, com 2.257 metros, é uma das maiores elevações da Serra do Mar, superado no município apenas pelo Pico Maior com 2.366 metros. Está situado entre Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu, no Parque Estadual dos Três Picos. Tem uma impressionante vista panorâmica de 360 graus podendo se avistar do seu alto a Baía da Guanabara. Provavelmente os primeiros visitantes seriam das tribos nativas locais, os Puris.
Predomina a vegetação de campos de altitude e a denominada floresta montana/alto montana, com plantas adaptadas ao frio, vento e solo raso facilitando a presença de bromélias, orquídeas e arbustos de pequeno porte. A fauna é de espécies típicas da Mata Atlântica de altitude, como aves, pequenos mamíferos e insetos.
As temperaturas são baixas, podendo chegar a 0°C, com alta umidade e neblina frequentes, sendo importante área de captação hídrica, havendo diversas nascentes, que formarão as bacias hidrográficas locais. O clima frio é de montanha de grande altitude. Há presença de expressiva flora endêmica, isto é, que só ocorre naquela região, e infelizmente muitas espécies estão ameaçadas de extinção.
O turismo como atividade econômica
As atividades turísticas em geral, tem se desenvolvido muito pelo mundo e há países em que tais atividades alcançam altos níveis de participação no PIB (Produto Interno Bruto, índice que mostra o nível da riqueza e atividade econômica do país), muitas vezes sendo a principal atividade para a captação de recursos financeiros.
O turista busca atrativos como praias, montanhas, trilhas, escaladas, cachoeiras, festas, festivais, shows, isolamento, etc. Os atrativos naturais costumam ser os mais procurados e infelizmente os mais ameaçados, quando a infraestrutura é insuficiente para a carga do fluxo turístico existente.
O turismo sustentável
Nova Friburgo tem no Pico do Caledônia o seu maior atrativo turístico, superando as atividades e festejos sazonais e episódicos. Não dispomos de dados consolidados, mas estima-se que o fluxo turístico de visitantes possa estar em mais de 15 mil pessoas por ano, numa área preparada para receber, na melhor das hipóteses, a metade desse número.
Devido às limitações da receptividade adequada aos turistas, apesar dos grandes esforços de gestores e funcionários do Parque dos Três Picos, há dificuldade no controle de acesso e na fiscalização de visitantes que jogam seu lixo no local, depredam equipamentos e não cuidam da flora e fauna existentes. Até a caça e captura de animais silvestres podem ocorrer.
Há ainda o risco dos frequentes e devastadores incêndios, quase sempre provocados. Tem havido vários mutirões de limpeza e conscientização para minimizar tais impactos, numa ação coletiva e solidária que merece o agradecimento de toda a sociedade. Também são promovidas caminhadas organizadas por associações como o Centro Excursionista Friburguense, Grupo Eco-Desbravadores e pela AGEANF, a Associação de Gestores Ambientais de Nova Friburgo, entre outras, com finalidade recreativa e educativa.
Uma proposta: um Programa de Gestão Participativa
Para haver o turismo sustentável, não predatório, seguro, e com o devido grau de preservação ambiental, é necessário o esforço conjunto e integrado, coordenado pelos gestores do Parque dos Três Picos (Inea) com a colaboração da prefeitura através das Secretarias de Ambiente e Turismo, visando ordenar o fluxo de turistas e as atividades locais. Um Programa de Gestão Participativa que agregue Estado, Município, Polícia Militar, Guarda Municipal, iniciativa privada e sociedade civil coordenado pelo Parque é urgente e tudo indica que a situação irá melhorar.
Estão em curso várias iniciativas visando o ordenamento turístico com agendamento das visitas e limitação dos visitantes em horários determinados, entre outras medidas. Os atuais dois guardas-parque lotados no local passarão a ser quatro e contarão com um quadriciclo para maior agilidade e trânsito em locais de difícil acesso.
Tais iniciativas devem ter todo apoio e incentivo para progredirem, inclusive para garantir a boa imagem desse importante atrativo, garantindo a preservação ambiental e o retorno econômico esperado.
Além do controle do fluxo de visitantes com agendamento e limitação diária de pessoas, do controle de acesso de veículos, da criação de um sistema de sinalização e cartazes educativos e de manejo das trilhas, de equipar os pontos principais de observação, deve-se promover ações de restauração das espécies prejudicadas, com a colaboração de voluntários da sociedade civil.
Ações de educação ambiental num Programa de Gestão Participativa devem ser contínuas, com o incentivo à visitação de estudantes de todos os níveis e pesquisadores do Brasil e do exterior, num Programa Educacional que trabalhe os conceitos ecológicos e a importância da preservação do meio ambiente para a peculiar biodiversidade local.
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Bernardo Furrer
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Bernardo Furrer é médico, ambientalista, cidadão honorário de Nova Friburgo, presidente da APN (RPPNs do Estado), membro do Conselho Consultivo da APA Macaé de Cima, da CNRPPN e do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Nova Friburgo. Escreve aos sábados.
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